Pensadores
Grandes pensadores em todos os tempos estiveram divididos entre teístas, deístas, ateus, agnósticos, gnósticos e ocultistas. Os primeiros se alinham ao pensamento das religiões judaico-cristãs, isto é, a crença num Deus pessoal. São os mesmos que se colocam contra a ciência desde quando houve a ruptura e teve início da Inquisição. Os deístas aceitam colocar a presença de um Deus no Universo, porém destituído de atributos morais e intelectuais e que poderá ou não haver influído na criação do Universo. Os ateus não aceitam o concurso de Deus para nada. Mais recentemente surgiu a categoria agnóstica: posição daqueles que só aceitam como objetivamente verdadeira a proposição que tenha evidência lógica satisfatória e também a existência de uma ordem de realidade incognoscível. Os gnósticos são ecléticos ao admitir as diferentes visões de mundo e por tentarem explicar o cosmos através do conhecimento sobre ele.Bem próximos da gnose temos os ocultistas que apenas diferem quanto ao modo: trabalham com os segredos sagrados tomados como conhecimento das leis cósmicas.
Dentre alguns gigantes do pensamento gnóstico e ocultista, com grande repercussão na cultura ocidental, podemos anotar Hermes (que talvez não seja uma só pessoa), Pitágoras e mais recentemente, Elifas Levi. Da sua cátedra ou doutrina, se aprende que os espíritos humanos têm a vertigem do mistério. O mistério é o abismo que atrai, sem cessar, nossa curiosidade inquieta por suas formidáveis profundezas. O maior mistério do infinito é a existência daquele para quem nada é mistério que, convenhamos está fora do alcance da mente humana.
Quem tenha estudado um mínimo de cibernética já sabe que uma mente é incapaz de mensurar-se a si mesma; é necessário outra mente de maior capacidade para mensurar esta. Ao querer entender Deus a mente humana estará na contramão da lógica. Mas, há, sim, uma competência ao alcance da mente humana: conhecer-se (ela própria) além dos cerca de 10% que conhece. Ao querer compreender o infinito, que é essencialmente incompreensível, como já sugerimos, comete o impasse para o qual não tem saída e estagna.
O homem antes da invenção dos barcos, olhava para o mar como algo infinito e intransponível. Mas não ficou na praia apenas contemplando; foi em busca da jangada, da canoa, do barco, do navio, e singrou os mares e compreendeu que o mar não é infinito. De certa forma vem fazendo o mesmo com toda a evolução das formas de mobilidade terrestre, chegando ao avião. E já chegou às naves espaciais. Demorará a singrar o universo, mas guardadas as proporções fomos longe demais para fora e quase nada para dentro.
O homem dispõe de um universo imenso instalado em seu íntimo e nele não navega, não caminha, não voa.. Ele próprio é o mistério infinito para si mesmo e externamente insondável enquanto não se dispuser a compreender que o cemitério não é a sua última morada, ou seja, ele é, ao que tudo indica, esse absurdo por excelência, em que acreditava Tertuliano. Necessariamente absurdo, uma vez que a razão deve renunciar para sempre a atingi-lo; necessariamente crível, uma vez que a ciência e a razão, longe de demonstrar que não existe, são fatalmente levadas a deixar acreditar que existe, e a adorá-lo de olhos fechados. É que esse absurdo é a fonte infinita da razão. É a luz brota eternamente das trevas eternas. Todo o mistério é essa densa escuridão que devemos aceitar atravessar para chegar na extremidade iluminada.
A ciência, essa Babel do espírito, pode torcer e sobrepor suas espirais subindo sempre; ela poderá fazer oscilar a Terra, mas, na marcha que vai nunca tocará o céu.
Deus é o que aprenderemos eternamente a conhecer. É, por conseguinte, o que nunca saberemos.
O domínio do mistério é um campo aberto às conquistas da inteligência. Pode-se andar nele com audácia, nunca se reduzirá sua extensão, mudar-se-á somente de horizontes. Todo saber é o sonho do impossível, mas ai de quem não ousa aprender tudo e não sabe que, para saber alguma coisa, é preciso resignar-se a estudar sempre como alguém que nada sabe!
Nenhum comentário:
Postar um comentário