Mistérios
Eliphas Levi é considerado, no mundo da magia branca, como um dos precursores do renascimento do atual interesse por todos os temas fantásticos que, antes de seu tempo rendiam condenações e execuções.
O VM Samael Aun Weor – da conhecida organização Fraternidade Branca Universal, conhecia muito profundamente as obras deste grande mestre da Magia.
Uma das experiências pessoais de Samael com esse mestre da Loja Branca, no mundo astral, está relatada a seguir, mostrando a todo o mundo esotérico que tanto Samael quanto Eliphas Levi são grandes mestres cabalísticos e da magia.
Tratando-se de projeções do Eidolon e viagens suprassensíveis fora do corpo físico, temos muito a dizer.
Nos instantes em que escrevo estes trechos vêm à minha memória acontecimentos extraordinários, maravilhosos.
Repassando velhas crônicas de minha longa existência, com o ânimo de clérigo e de cela, surge Eliphas Levi.
Uma noite qualquer, fora da forma densa, andei por aí invocando a Alma daquele falecido que em vida se chamara: abade Alphonse Louis Constant (Eliphas Levi).
É óbvio que o encontrei sentado ante um velho escritório, no salão augusto de um antigo palácio.
Com muita cortesia se levantou de sua cadeira para atender respeitosamente às minhas saudações.
¾ Venho pedir-vos um grande serviço – disse. Quero que me deis uma chave para sair instantaneamente em corpo astral cada vez que o necessitar.¾ Com muito prazer – respondeu o abade –, porém, antes quero que me você me traga amanhã mesmo a seguinte lição: O que é o mais monstruoso que existe sobre a terra?¾ Dai-me a chave agora mesmo, por favor…¾ Não! Traga-me a lição e com muito prazer lhe darei a chave.
O problema que o abade havia delineado resultou convertido em um verdadeiro quebra-cabeças, pois são tantas as coisas monstruosas que existem no mundo, que francamente eu já não achava solução.
Andei por todas as ruas da cidade observando, tratando de descobrir o mais monstruoso e quando cria havê-lo achado, então surgia algo pior. De pronto, um raio de luz iluminou meu entendimento.
Ah, dei-me conta, já entendo. O mais monstruoso tem que ser de acordo com a Lei das Analogias dos Contrários, o antípoda do mais glorioso…
Bom, porém, o que é o mais glorioso que existe sobre a dolorosa face deste afligido?
Veio, então, a meu translúcido a montanha das caveiras, o Gólgota das amarguras e o Grande Kabir Jesus, agonizante em uma cruz por Amor a toda a humanidade doente…
Então, exclamei: “O Amor é o mais grandioso que existe sobre a terra! Eureka! Eureka! Eureka! Agora descobri o segredo: o Ódio é a antítese do mais grandioso”.
Resultava evidente a solução do complexo problema. Agora, é indubitável que eu devia me pôr novamente em contato com Eliphas Levi.
Projetar outra vez o Eidolon foi para mim questão de rotina, pois é claro que nasci com essa preciosa faculdade.
Se eu buscava uma chave especial, fazia-o não tanto por minha insignificante pessoa que nada vale, senão por muitas outras pessoas que anelam o desdobramento consciente e positivo.
Viajando com o Eidolon ou Duplo Mágico, muito longe do corpo físico, andei por diversos países europeus buscando o abade. Mas, este, por nenhuma parte aparecia.
De pronto, em forma muito inusitada, senti um chamado telepático e penetrei em uma luxuosa mansão. Ali estava o abade, mas…
Ó, surpresa! Maravilha! O que é isto? Eliphas convertido em criança e metido em seu berço? Um caso verdadeiramente insólito, não é verdade?
Com muita veneração, muito quietamente me acerquei ao bebê dizendo:
¾ Mestre, trago a lição. O mais monstruoso que existe sobre a terra é o Ódio. Agora, quero que cumprais o que me prometestes. Dai-me a chave…
Porém, ante meu assombro, aquele menino calava enquanto eu me desesperava sem compreender que “o Silêncio é a eloqüência da Sabedoria”.
De vez em quando eu o tomava nos braços desesperado, suplicando-lhe, mas tudo em vão. Aquela criatura parecia a esfinge do silêncio.
Quanto tempo durou isto? Não o sei! Na Eternidade não existe o tempo e o passado e o futuro se irmanam dentro de um eterno agora.
Por fim, sentindo-me defraudado, deixei o pimpolho no seu berço e saí muito triste daquela casa vetusta e ensolarada.
Passaram-se os dias, os meses e os anos e eu continuava sentindo-me defraudado, sentia como se o abade não tivesse cumprido sua palavra empenhada com tanta solenidade. Mas um dia qualquer veio a mim a luz.
Recordei então aquela frase do Cabir Jesus: “Deixai que venham as crianças a mim, porque delas é o Reino dos Céus”.
Ah, já entendo, eu disse a mim mesmo. É urgente e indispensável reconquistar a infância perdida na mente e no coração. “Até que não sejais como crianças, não podereis entrar no Reino dos Céus”.
Esse retorno, esse regresso ao ponto de partida original, não é possível sem antes haver morrido em si mesmo: a Essência, a Consciência, está desafortunadamente engarrafada em todos esses agregados psíquicos que em seu conjunto tenebroso constituem o tenebroso Ego.
Só aniquilando tais agregados esquerdos e sombrios a Essência pode despertar em estado de inocência primigênia.
Quando todos os elementos subconscientes hajam sido aniquilados a poeira cósmica, a Essência é liberada. Então, reconquistamos a perdida infância.
Novalis disse: “A Consciência é a própria Essência do homem em completa transformação, o Ser Primitivo Celeste”.
Resulta palmário e manifesto que quando a Consciência desperta, o problema do desdobramento voluntário deixa de existir.
Depois de ter compreendido a fundo todos esses processos da humana psiquê, o abade nos mundos superiores me fez entrega da parte segunda da Chave Régia.
Certamente, esta foi uma série de mântricos sons com os quais se pode realizar em forma consciente e positiva a projeção do Eidolon.
O que é isso? Mistério!
Quer penetrar nele? Dedica-te aos estudos.
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