segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Conhecimento profundo


A gnose sufocada por Roma

Na sequência daquilo que conhecemos por primórdios da Filosofia inaugurada pelos pensadores gregos (e sufocada por opositores representados por adoradores dos deuses mitológicos) algumas coisas precisam urgentemente serem colocadas nos seus devidos lugares.

A nascente Filosofia não era uma religião, questionava o padrão das crenças populares e certamente contrariava o interesse dos governantes.

Vale lembrar que a exemplo do que muito ainda acontece nos tempos atuais, os deuses ditavam as regras para o povo e o faziam pela voz dos governantes que intitulavam “a voz dos deuses”. Escondidos atrás dos mitos, os poderosos modelavam o povo, segregavam as liberdades, promulgavam a obediência tácita e condenavam os “hereges”, uma palavra que prosseguiu em uso por quase dois mil anos. Hoje, o “herege” é conhecido por opositor ou subversivo. Heresia era desrespeitar as “ordens divinas” proclamadas pela boca dos reis, imperadores, faraós.

Todos os seguidores de Sócrates pregavam a liberdade intelectual e condenavam a prisão mental representada por uma crença na existência dos deuses mitológicos. Suas cátedras eram bem recebidas nos meios intelectuais e ganhavam adeptos mesmo no posterior regime helênico liderado por Alexandre Magno – o Grande e seus sucessores.

A cidade de Alexandria, no Egito, fundada em honra a este mesmo Alexandre, tornara-se a sede da maior e mais avançada biblioteca do planeta à época. E foi a cidade sede do que nós conhecemos por Gnose – uma alternativa para a Filosofia por permitir-se incluir questões religiosas nos conteúdos estudados. Enquanto a Filosofia se proclamava agnóstica – sem admitir e sem repudiar a existência de Deus, a Gnose se proclamava livre para trazer para seu âmbito tudo quanto pudesse e ainda possa representar conhecimento – conhecimento profundo.

Jesus Cristo por seus discursos ecumênicos era um gnóstico. Transitava por entre os cristais sagrados das fundamentações religiosas de sua época e chegava à outra margem do pensar livre ao oferecer visões libertárias para o proceder ético e amoroso do Ser Humano. Os primeiros sacerdotes cristãos eram gnósticos. A civilização essênia, cujos gurus e discípulos deixavam crescer os cabelos (a exemplo do que também aconteceu com Jesus), apesar do rigor de alguns procedimentos ritualísticos, era uma civilização amante da gnose.

Em que conflitam as tradições, os dogmas e os rituais religiosos frente à gnose? O gesso. Ao desamarrar o intelecto humano para que novos saberes sejam incorporados, os gnósticos quebram o gesso daquilo que não pode ser mudado como defendem os fundamentalistas de qualquer religião ou filosofia.

Os tradicionalistas, dogmáticos e ritualistas abrem os livros contendo saberes com muitos séculos de idade e proclamam que ali está tudo o que o Ser Humano precisa saber, que ali está tudo o que os deuses e Deus queriam informar ao povo. Em oposição a esta retrógrada ideologia, os gnósticos continuam buscando o que mais há para ser descoberto e incorporado ao conhecimento humano, aprofundando o saber, capacitando as mentes a serem melhor aproveitadas na sua aproximação com o conhecimento divino.  

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal Crsitão e suas repercussões


O Jesus católico, judeu e protestante

O Natal Cristão chama-nos a refletir com Jesus.

Começo por questionar: há quem mergulhe na história da Palestina do século I de nossa era e volte de lá convencido de que Jesus não existiu de fato como o concebemos, que haviam muitos pregadores iguais ou quase iguais a ele e que juntando pedaços de uns e outros criou-se, idealizadamente, o que concentramos numa única pessoa de nosso conhecimento.

Prossigo questionando-me do que porquê os religiosos dos séculos III a XIV fizeram tantas manobras para nos convencer que Jesus não é fruto das relações matrimoniais de José e Maria e para nos dizer que Ele subiu aos céus no pleno uso do próprio corpo, depois de haver morrido na cruz e de ressuscitar e andar pelas ruas no mesmo corpo que foi cravejado por pregos da crucificação.

Subir aos céus no mesmo corpo é, pois, uma maneira de dizer que ele não voltou a morrer e não tem outra sepultura além daquela que é dada como Santo Sepulcro, em Jerusalém. Esta, então, uma sepultura de mentirinha para turista adorar?

Mas, ainda nestes questionamentos vou em frente: real ou imaginado, morto ou ressuscitado, concebido por inseminação praticada por um Arcanjo ou filho biológico de José e Maria, subido aos céus ou descido para qualquer sepultura em qualquer lugar do planeta, esse Jesus, que obviamente não nasceu em 25 de dezembro, É UM GÊNIO.

Esteve entre nós, ao que se ensina, poucos meses, falava palavras simplesmente dirigidas a pessoas comuns, analfabetas ou quase, não escreveu uma frase, seus “biógrafos” são redundantes, e mesmo assim o Judaísmo, o Islamismo, o Catolicismo e o Protestantismo o respeitam como ALGUÉM que tinha o que dizer ao Mundo. Fez o calendário universal voltar-se para Ele marcando o ano de seu nascimento como o Marco Zero de uma nova civilização. Erraram na conta, mas mesmo assim é assim.

Apesar disso, apesar de divergências entre as religiões que O Têm como um Messias, são corporações religiosas que atravessam séculos, estimularam guerras e perseguições, juntaram bilhões de adeptos. Líderes dessas comunidades religiosas continuam a pregar em seu nome, continuam a matar a favor e contra, e prosseguem.

Mas, o mais importante é que muita gente ante a proximidade do Natal Cristão se torna mais sensível, mais amorosa, mais solidária, mais pacífica.

Como explicar isso?

A gnose continua buscando estas respostas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Apóstolos atordoados


O Cristo deveria voltar, voltará?

Terminada a excitante experiência da direta pregação de Jesus aos povos da Palestina e especialmente a um seleto grupo de seguidores mais íntimos seus, os apóstolos saíram às ruas e comunidades para pregar e curar. Mas, os mesmos opositores judeus que levaram a denúncia ao Sinédrio e ao promotor Pilatos, andava nos calcanhares deles para provocá-los e forçá-los a cometerem deslizes para poderem denunciá-los às autoridades romanas. Foi assim que um a um dos apóstolos foram sendo denunciados, recolhidos à prisão e condenados, muitos deles à morte.

Como defesa diante dos ataques, principalmente da seita dos ferrenhos fariseus, os apóstolos começaram a desejar que Cristo voltasse às ruas. Só Ele poderia, como já tinha feito, conter a ira dos inimigos judaicos. Mas, voltar às ruas não estava nos planos de Deus. A ideia, porém, de seu retorno ficou gravada na mente cultural de muita gente e acabou sendo escrita em algum documento para a posteridade.

Por este tempo ocorre a conversão do centurião romano Paulo de Tarso que, por sua trajetória junto das autoridades romanas, acabou por convencer muito mais gente em favor do Cristo que ele não conheceu, mas passou a adorar.

E a doutrina de Paulo era divergente com o que os apóstolos haviam aprendido de Jesus, tanto que Paulo bateu de frente com Pedro e outros.

O que, a partir de Paulo, modificou a cátedra de Cristo? A ideia do Salvador, herdada dos judeus que esperavam o salvador libertador. Paulo era judeu até então a serviço de Roma e também, como judeu, esperava um Messias. Desde que os judeus renunciaram a Jesus, quem sabe a nova chance viria com a volta de Jesus, o messias prometido pelos profetas judeus. E a ideia do salvador pegou.

Como ao Império Romano era simpática a ideia do salvador, a igreja romana apostou tudo na ideia de que Cristo havia vindo para tirar os pecados do mundo, para aliviar as culpas daqueles que haviam feito horrores e também alimentou a ideia da Sua volta como salvador do futuro para completar o seu trabalho interrompido pela crucificação.

Todos os cristãos passaram a olhar para seus salvadores, fossem eles o patrão, o prefeito, o curandeiro, o médico, o santo, o Collor, o Lula ou o próprio Jesus. Ninguém mais tratou de se cuidar ao extremo para não derrapar, pois estava a caminho o mesmo salvador que já havia morrido na cruz para livrá-los dos pecados do mundo. “Eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”, frase missal que passou a ser antológica, mesmo, e até, para livrar-nos das dores das doenças. Eu não preciso ser são, santo, puro, pois algo vindo de fora faz isso por mim.

Tenho dito.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Jesus ressuscitado


Um Cristo ainda mais esotérico

Sempre haverá polêmica sobre o que teria feito Jesus entre os 13 e 30 anos. Foi estudar, pois como todos os meninos de todos os tempos nasceu analfabeto e seu pai, o construtor José Ben Levi era um homem de posses de podia bancar seus estudos. Pouco se sabe por onde andou o futuro messias. O certo é que voltou homem feito, cabelos longos ao estilo essênio, falando muito bem e praticando curas.

Outra polêmica envolve o que teria feito Jesus a partir do domingo da ressurreição uma vez que não morreu na cruz ou, se morreu, retornou à vida.

Outra polêmica talvez mais amena é quanto ao uso por parte d’Ele de dois estilos de discursos, um mais didático, geralmente por parábolas rurais, pois falava para agricultores, pastores e pescadores e um mais erudito quando falava para o seu círculo mais íntimo de apóstolos ou discípulos. Em várias passagens dos evangelhos esta realidade está presente e inclusive entre os seus mais diretos seguidores também havia uma escala de precedência: para o episódio da Transfiguração (quando seu corpo se transformou em névoa luminosa e se lhes apareceram os Espíritos de Moises e Elias), estavam com Ele apenas Pedro, Tiago e João. E mais: Jesus ainda pede segredo quanto àquilo que tinha ocorrido.

Pois, quanto ao que fez e onde viveu Jesus após superar o episódio da cruz, temos de ir buscar informações nos evangelhos chamados apócrifos, isto é, não incluídos entre os 27 livros escolhidos pela comissão de analistas do Império Romano para compor a doutrina (Novo Testamento) da futura igreja que nem se chamaria cristã, livros esses que desde algumas décadas vem tirando o sono dos líderes dessa mesma igreja. Um desses livros, possivelmente o mais polêmico porque enaltece a mulher, coisa que a igreja de Roma não fez, é, justamente, o Evangelho de Madalena, uma figura de destaque entre os apóstolos, uma líder, muito mais por sua sabedoria do que pelo outro motivo que lhe atribuem, o de ter sido, possivelmente, a esposa de Jesus.

No Evangelho de Madalena Jesus Cristo é apresentado em trabalho por um longo tempo a conversar e a ensinar apenas aos seus mais diretos discípulos, aonde se revela em toda a sua magnitude como um gnóstico, um mestre do esoterismo, a indicar que dentre as escolas que frequentou poderia estar a poderosa Escola de Alexandria, onde se concentrava o mais avançado conhecimento de Deus daquela época. Apesar de destruída pelo fogo a mando de Júlio César (48 a.C.), imperador de Roma, coube a ela antes e depois desse episódio, amparar uma plêiade de pensadores que revolucionaram o saber acadêmico em sequência ao trabalho dos filósofos gregos (Sócrates, Platão, etc.).

Mais uma vez em três episódios os poderosos aparecem para obscurecer a humanidade: um tribunal viciado pelos imperadores que o constituíram condenou Sócrates; um imperador ensandecido manda destruir a mais importante biblioteca da época; um punhado de judeus fanáticos influi na decisão romana pela condenação de Jesus.

Três passos para trás

O que queriam os seguidores de Sócrates por sua influência: segundo o Paradoxo Socrático (ideias defendidas por Sócrates na condição de paradoxo - vão contra (para) a opinião (doxa) comum)? Pouco. Muito pouco se levarmos em conta os 20 séculos de atraso sofridos pela cultura ocidental:

"A virtude é um conhecimento"; "Ninguém faz o mal voluntariamente"; "As virtudes constituem uma unidade"; "É preferível sofrer injustiça do que cometê-la", "jamais se deve responder à injustiça pela injustiça, nem fazer mal a outrem, nem mesmo àquele que nos fez mal".

Sócrates afirmava que "Ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis."

O que queriam os gnósticos que à época tinham Alexandria como capital mundial da excelência do saber? Muito talvez. Que Deus não é propriedade de nenhum poder terreno.

O que queria Jesus? Tudo. Somos todos irmãos e o Amor é o caminho para que vier.

Os três passos para trás jogaram as virtudes no poço escuro da ignorância; Deus se tornou posse de muitas organizações terrenas; a morte do homem pelo homem é a maior demonstração de que não somos humanos.

Trecho da cátedra do Cristo Ressuscitado

Durante mais de onze anos, Cristo permaneceu em contatos frequentes com seus mais diretos seguidores em que a liderança pertenceu à Madalena. Em seu evangelho, Madalena escreve que sons e palavras são energias que se correspondem pelas vibrações com “sete vozes” que atuam em nossos corpos. E diz do que Cristo ensinou: “o elo do som e o elo da palavra unem-se pelo uso da vibração dos Nomes de Deus para desenvolver a criação segundo um Projeto Divino”. Aqui temos um profundo ensinamento de cura não apenas para o corpo terreno com os seus sete selos ou mundos moradas, mas se estende até o Eu Superior com os seus sete selos ou chakras adicionais. O Eu Superior é como um gêmeo para os sete selos inferiores com os quais eles precisam estar alinhados.

Quem hoje esteja informado sobre a Medicina Vibracional e as curas operadas pelas pela manipulação mental da energia, estará entendendo que há dois mil anos o esotérico e gnóstico Jesus já possuía esse conhecimento.

Mas, muito se perdeu. Iremos detalhar em outra publicação o que houve com os apóstolos logo nos primeiros anos de peregrinações e trabalhos de doutrina e cura na sequência dos fatos do Gólgota. A oposição pegou pesado, os governantes passaram a persegui-los e os apóstolos ficaram atordoados desejando que Jesus voltasse às praças públicas. Mas, assim não era para ser. Jesus saiu da Palestina e a doutrina que mais se difundiu foi a Paulo de Tarso, que nem apóstolo era.    


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Existe uma religião verdadeira?


Qual a religião que não se diz verdadeira?

As respostas sempre serão as mesmas e iguais. Toda religião, dentre as mais de 2.000 delas se somadas às seitas, estará em busca de fieis da mesma forma que as empresas se debatem em disputa por clientes de preferência fiéis. Qual é, pois, a diferença entre o Mc Donald’s e uma religião?

Esta é a prova mais que evidente que a preocupação das religiões não é com o destino das almas de seus fiéis e sim com o crescimento de seus orçamentos.

Para maior aberração e tristeza de quem conhece a fundo o problema, tem representante de religião, com a maior cara de pau, pedindo dinheiro para ser depositado à conta de Deus.

E o patrimônio dessas igrejas quanto vale?

Sabemos a origem dessa dinheirama: os minguados bolsos de quem pouco tem e se priva de muito para enriquecer sua igreja.

E qual é a fala dos representantes dessas igrejas?

Pasmem, é uma fala com mais de 2.000 anos de idade. Nada mais existiu na face da Terra desde os “escritos sagrados” foram postos nos pergaminhos. Nada mais há para ser revelado ou descoberto. Tudo o que a humanidade precisa saber está lá nas páginas dos escritos sagrados.

Nada na face da Terra se alterou desde que os profetas escreveram a Bíblia. Nenhum novo profeta apareceu. O mundo parou lá atrás, congelou, apenas o tempo passou.

Isso é um crime contra a consciência

Toda religião que embota a consciência de seus fiéis e os faz acreditarem que nada mais existe para ser revelado ou descoberto além do que está escrito na Bíblia, comete um crime contra a consciência de seus fiéis. Claro, óbvio, não temos leis para uma série de crimes, inclusive aquele crime do pastor que pede depósitos à conta de Deus (seria estelionato?) e muito menos temos leis que possam punir o crime contra a consciência. Não temos essas leis justamente porque os próprios governos cometem esse crime quando derrubam os índices do desenvolvimento educacionais porque preferem eleitores semianalfabetos frequentando as urnas a cada dois anos.

Existe um jeito diferente?

Já me perguntaram se seria possível criar métodos capazes de mudar esse quadro. Sim, quando a alma das vítimas pedir socorro. Fora disso é difícil. O escravo só deixará de ser escravo quando se dá conta de que está escravizado.

Existe uma palavra que nos permita designar o saber Universal e Objetivo capaz de iluminar as sombras na mente de um escravo pela consciência?
Existe alguma expressão que nos remeta à Inteligência Cósmica e Atemporal capaz de apenas respeitar os escritos sagrados como registros do que passou e não para serem tomados como leis atuais e futuras?

Sim! Herdamos dos gregos a palavra bendita: "GNOSIS"

Gnosis (ou gnose) é, portanto, "Conhecimento" que pode ser “Sagrado” e, novamente, conhecimento direto, experiência vívida para quem despertou sua Consciência. Tomemos consciência, simbolicamente, como aquele olho que se vê a si mesmo. Não só se vê, julga, incentiva, entusiasma, instrui e desenvolve.

Não somos muitos homens e mulheres que possuem esse poder na hora atual justamente porque tudo ficou por muito tempo terceirizado e entregue a corretores e despachantes de deuses que aceitam dinheiro depositado em suas contas, deuses que toleram que seus corretores e despachantes mintam descaradamente e explorem a credulidade de milhões de pessoas ingênuas.

Mas nem sempre foi assim.

Na mesma Grécia de onde nos vem o termo gnose existiram homens sábios que estavam à frente de seu tempo, mas foram perseguidos e executados. Alguns deles sobreviveram na clandestinidade, se esconderam, esconderam seus escritos, que agora começam a ser encontrados e não podem mais ser guardados nos mosteiros e bibliotecas restritas. Então vêm à luz e causam espanto.

Como foi que conseguimos ficar por tantos séculos mergulhados na escuridão da ignorância? É porque alguém escondeu a lâmpada.
Agora, com as primeiras luzes tornando um pouco mais claro o ambiente, muitos são os interessados em demonstrar como as Civilizações Avançadas do passado (egípcios, alexandrinos, essênios, maias, druidas, incas, tibetanos, etc.) souberam viver os fundamentos gnósticos sobre os quais se levantaram e, como também, degeneraram e desapareceram quando ou se afastaram da Gnosis ou foram trucidados.

Estes saberes constituem um verdadeiro Patrimônio Universal da Humanidade, guardados nos riquíssimos testemunhos Artísticos, Científicos, Filosóficos e Místicos das Grandes Culturas. Testemunhos escritos em uma linguagem simbólica que a antropologia moderna ainda não soube desvendar por estar desligada dessa Fonte.

Mas, como argumentar a favor desses escritos se linhas atrás estávamos a criticar o uso exacerbado dos escritos sagrados bíblicos? Simples. Aqueles não foram adulterados. Embora antigos, são fontes para alicerces de novas e futuras descobertas, enquanto os escritos bíblicos apenas contam o que foi.

A Antropologia Psicoanalítica com a qual a Gnosis trabalha permite extrair de cada pedra, música, hieróglifo, escultura, ruína ou texto sagrado os Valores Universais que orientaram de fato as grandes Civilizações do passado em seus momentos de apogeu. E que podem trazer orientação na atual crise de valores e de destino da nossa sociedade.

A Sabedoria Universal e Eterna e é um fato
que nossa Sociedade não soube encontrar,
que alguns podemos vir a apreciar
e que realmente, poucos irão incorporar
(do latim in-corpore: no corpo, ou seja, fazer carne).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Reescrevendo nossa história


Os equívocos da cultura dos imperadores

A grande arrancada do Conhecimento Sagrado iniciou-se na Grécia nos últimos 600 anos antes de Cristo e ali mesmo foi sufocado pelo Império Helênico a partir de Alexandre – o Grande – e seus sucessores. Numa ânsia assassina de poder e conquistas, os imperadores invasivos, todos eles, passando por Napoleão e culminando com os reinos que dominaram o Novo Mundo descoberto por Colombo, repito, todos eles foram submetendo pessoas e trucidando outras que não se submetessem a eles ou pudessem representar obstáculos à sua dominação.

Incluo nesta lista o mais antigo dos impérios ocidentais, a Igreja de Roma.

Por conta de sua ânsia dominadora, mandaram escrever nos livros de história do mundo que haviam descoberto a América, em 1492. Descobriram coisa nenhuma. Invadiram. O continente se encontrava habitado por 80 milhões de almas e possuía uma cultura em vários aspectos superior à cultura europeia. Não havia desenvolvimento em áreas que para eles não havia interesse. E o seu interesse era maior quanto ao Conhecimento Sagrado e quase nada nas questões bélicas, marítimas e econômicas.

Nada ou quase nada restou de sua cultura justamente porque o invasor não tinha outro interesse, queria apenas a riqueza do novo continente. A expansão promovida inicialmente pelos europeus, a partir do século XV, sobre a égide do capitalismo que se afirmava, foi um meio doloroso que, como um difícil parto, trouxe à luz a aldeia global. Aldeia global que não temos e dificilmente teremos enquanto perdurar a mesma mente dominadora e invasora.

Somos diferentes, como diferentes são as pessoas dentro de uma mesma família. O único traço comum é o caminhar para Deus, a que estamos condenados e que muita gente ignora.

O saber antigo

Os povos antigos da América sabiam de ciclos de tempo, que regem a dinâmica histórica dentro da perspectiva cósmica e anunciam que, cumprida uma expansão vem uma recessão. Quem não respeita esse pêndulo, faz guerra para escapar dele e se afoga no próprio sangue.

Quando Colombo chegou à baía de Guanahani, em 1492, fechava-se um ciclo Pachacuti de 500 anos e estava iniciando um novo. O que veio era de  Yang, masculino da civilização ocidental, industrial, capitalista, urbana e individualista e materialista, uma inversão da polaridade histórica que estava ocorrendo.

Desde 1992 abriu-se o tempo de novo Pachacuti, Yin, feminino, amoroso, intuitivo e solidário, um retorno às culturas arcaicas como um chamado, inclusive anunciado através das inúmeras profecias indígenas que previam a pacificação do branco e a tolerância e união dos povos.

A resistência, como ocorre nos Estados Unidos com a eleição de Trump, é o estertor da morte do tempo velho, uma espécie de acelerador para que o tempo novo chegue mais rápido.

Na Profecia do Arco-Íris, de tribos da América do Norte, os seres humanos irão se reconhecer como irmãos, gerados em um sublime e divino ato de amor pela mãe-terra, Pachamama e pela humanidade.

O espetáculo de solidariedade havido pelos mortos do acidente que matou quase todos os ocupantes do avião que transportava a equipe da Chapecoense, é algo que há 20 anos não seria pensado. Agora é.

Existe uma profecia tibetana que anunciou a invasão chinesa e o deslocamento da polaridade energética planetária do hemisfério norte - que tinha na região do Himalaia sua fonte irradiadora no monte Everest (de 8.848m de altitude) – , para a região da Cordilheira dos Andes, na América do Sul, tendo o Aconcágua (com 7.021 metros de altitude), como seu pico sagrado de energia planetária.

Surpreendentemente, os pontos mais altos dos dois hemisférios do planeta, representados pelo Aconcágua, no sul, e Everest, no norte, encontram-se ambos entre as latitudes 20º e 40º (sul e norte). Além disso, enquanto a cordilheira do Himalaia segue as longitudes de 70º a 90º leste, a cordilheira dos Andes está entre 60º e 80º de longitude oeste.

Também não deixa de ser surpreendente que uma profecia idêntica tenha sido revelada a um xamã do povo Maia dos altiplanos da Guatemala, pelos anciões deste mesmo povo. Sem conhecer o mapa mundi, os anciões indicaram o Tibet e revelaram que dali partiu a corrente energética que deve percorrer a coluna vertebral do planeta - representada por cadeias de montanhas - passar pela China, subir a parte oriental da Rússia, atravessar para o Alaska e dali "descer" pelas montanhas rochosas na América do Norte até o México, seguindo pela Guatemala até chegar ao Aconcágua. Tudo para ativar os centros energéticos da Pachamama.

Atualmente muito já se sabe e foi difundido sobre as tradições e sabedoria dos povos orientais como chineses, hindus, japoneses e tibetanos; porém, coerente com a ideia de alternância de polaridades, a cultura ameríndia deve ser resgatada e reexaminada; não para substituir os ensinamentos e tradições de outros povos, mas somar a esses, num processo dialético para estabelecer a síntese de uma cultura planetária comprometida com a Terra e com as gerações futuras de seres humanos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Jung gnóstico


Entre o espiritismo e a gnose

A figura mais importante da Gnose nestes últimos séculos foi Carl Gustav Jung. Logo depois que ele percebeu o rigor acadêmico e materialista de seu contemporâneo e mestre, Sigmund Freud, e resolveu afastar-se dele, Jung perambulou por doutrinas e mais doutrinas, inclusive a Espírita, chegou a frequentar algumas reuniões em que ocorriam incorporações de mesa. Até parece que gostou e chegou mesmo a publicar um pequeno livrinho no qual dá claras demonstrações de que se trata de uma psicografia. Refiro-me ao “Os Sete Sermões aos Mortos”, de cujo conteúdo o espírito Basilides, de Alexandria, responde pela maior parte.

E foi esta incursão pelo conhecimento desenterrado em Alexandria, e não só, que encorajou Jung a trabalhar mais profundamente com a Gnose, responsável por momentos brilhantes de nossa cultura, infelizmente podados.

São vários os biógrafos de Jung a reconhecer que ele se transformou num dos grandes personagens do gnosticismo moderno.

Stephan A. Hoeller, cujos livros se repetem mergulhando a Divina Gnose, escreve em “A Gnose de Jung”: “Para podermos entender melhor a obra de Jung necessitamos visualizar o cenário existente na Europa no século passado. Emergindo da obscura alienação da consciência que caracterizou o século XIX, a redescoberta do mistério do inconsciente, dentro da mente humana, tornou-se muito semelhante à influência bíblica que fez surgir todo um mundo novo do espírito diante dos olhos de gerações passadas. O filósofo alemão Martin Heidegger expressou uma grande verdade ao considerar o século XIX como o mais negro de todos os da era moderna. No entanto, foi precisamente nesse período de maior obscurecimento da luz do espírito que nasceram os dois gigantes pioneiros do inconsciente: Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, em 1856 e em 1875, respectivamente.

“Freud foi um grande descobridor, destinado a desmascarar muitas coisas. Tanto os psicólogos como o público ainda hoje custam a perceber a dívida de gratidão que têm para com ele. Como era um homem da antiga e estritamente materialista escola de ciência, que só trocou o laboratório de biologia pela arte da cura, por exigências práticas, Freud só poderia utilizar os padrões e pensamentos do seu tempo. Por trágica e irônica idiossincrasia do destino, o homem, cujas descobertas abalaram os alicerces do racionalismo científico, permaneceu, ele próprio, preso ao dogma reducionista e racionalista, que preservou e defendeu com convicção desesperada. Freud, como Moisés, não pôde entrar na terra prometida, à qual conduziu outros, e a tarefa da conquista final recaiu então sobre um homem mais jovem, — um novo Josué da mente, cujo nome era Carl Gustav Jung.

“Quem era Jung e como ele realizou a suprema missão do pioneirismo psíquico? Quais eram as fontes da sua intuição profética sobre os mais secretos recessos da alma humana? De onde provinha a sua sabedoria? Por toda a longa vida de Jung, as pessoas se intrigaram com as implicações curiosamente mágicas e esotéricas do seu trabalho. Tratava-se de um fenômeno até então inédito no mundo da intelectualidade, desde o Iluminismo. Símbolos e imagens de venerável e obscuro poder foram ressuscitados da poeira de suas tumbas milenares. Hereges e alquimistas, místicos e magos, sábios taoístas e lamas tibetanos emprestaram os tesouros de suas buscas arcanas à bruxaria do moderno Hermes suíço. Findas estavam as preocupações personalísticas e mundanas da psicanálise anterior, com seus traumas de infância e fantasias imaturas, e os deuses e heróis do passado não eram mais considerados máscaras glorificadas de terrores e de luxúrias infantis. Como Vênus, que emergiu da espuma do mar, ou Atena, que nasceu da fronte de Zeus, os arquétipos surgiram da prima matéria do inconsciente coletivo: Os deuses, mais uma vez, caminhavam com os homens. Acima dessas águas primordiais de criatividade da psique movia-se o espírito de um homem, o gênio de Jung. Bem poderia o intelectual surpreender-se e o sábio ficar atônito, pois uma nova era da mente havia chegado”.

O conhecimento sagrado ocidental ancorou na Grécia Antiga e na Roma Antiga. Alexandre – o Grande – e seus sucessores implodiram a usina intelectual inaugurada por Pitágoras e continuada pelos posteriores, Sócrates & Cia. Roma se apoderou da Doutrina Crística e a modificou para servir aos interesses do poder imperial.

O que havia de comum entre Sócrates e Jesus? Evidentemente não se trata de suas execuções por ordem dos poderosos de então. A sabedoria cristã, tenha ela inspiração divina direta ou não, o que importa é que se trata de Divina Gnose. O pouco que se mantém vivo da sabedoria cristã se deve ao fato de que ela não traz conceitos fragmentados de conhecimento, exatamente como é a proposta da Gnose.

E foi no terreno da Gnose que Jung criou as mais extraordinárias de suas obras.
Voltaremos a este tema.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Divina Gnose


O conhecimento inspirado por Deus

O conhecimento muito antigo era religioso apesar de desconhecer-se este termo com o conceito que passou a ter quando nos deram esta palavra como caminho de retorno a Deus após a expulsão do Éden e depois da crucificação de Jesus.

O ser humano primitivo sentia-se mais um entre todos os demais componentes da natureza e é isso que determinava (para muitos humanos ainda determina) a simbiose, a ecologia profunda, só conhecida novamente há menos de meio século. Ser um só com o todo é o mais alto nível de conexão. Assim ninguém entre todos os viventes pode sentir-se melhor e nem pode dominar os demais e também não precisa ser religado (tomando-se o termo religião como religare) porque não se desligou, não se perdeu do todo (ou de Deus).

Ainda que os curadores antigos chamassem “perdeu a alma” para os doentes de suas tabas, a perda não representava uma ruptura e sim apenas uma mente confusa a procura do caminho abandonado.

O conhecimento antigo era a primitiva gnose integral, pois continha tudo o que havia para conhecer sem compartimentar. Mais tarde, o conhecimento segmentou-se, parte dele no setor econômico destinado inicialmente à produção de alimentos, pois servia aos cultivos agrícolas e pecuários; parte dele no setor militar para atender aos desejos de dominação a serviço dos poderosos governantes; parte, então, no setor religioso (no âmbito das instituições de fé) para servir às nascentes ordens de segmentação para promover a religação que elas mesmas inventaram enquanto competiam umas e outras se declarando como as únicas verdadeiras.

Mas, não parou aí. O conhecimento prosseguiu segmentado e os conhecedores passaram a conhecer quase tudo de quase nada e quase nada de quase tudo.

Note-se que a Gnose, a divina gnose, resistiu, não entrou para os severos currículos universitários justamente porque não deseja segmentar-se. Segmentados os conhecedores, muitos de nós, divididos em mais de 2.000 seitas e religiões, possivelmente nenhuma delas caminhando para Deus. Sem contaminar-se no emaranhado teórico, que serve muito mais para engessar o conhecimento, a Gnose se proclama o “conhecimento que não se encontra nos bancos escolares humanos” pela simples razão de que não quer ser um conhecimento parcial, quer ser um conhecimento a serviço da consciência humana, aquela que sobreviverá ao corpo.

Estávamos num caminho ascendente ao tempo de Pitágoras, Sócrates, Platão, Jesus e a participação dos gnósticos de Alexandria – a cidade que endeusou Alexandre o Grande, mas foi pelas ordens deste Grande que o conhecimento foi interrompido. Seus seguidores, sucessores e adversários nada mudaram e a Grande Noite Ignorante dominou a humanidade (principalmente ocidental) por longos 20 séculos. Tivemos guerras religiosas, cruzadas, inquisição, tudo no caminho da morte entre seres humanos e pela simples disputa do poder e prevalência da verdade hipócrita.

Ainda não estamos de volta ao CONHECIMENTO DIVINO. Este espaço quer contribuir para isso.

Se o leitor desejar caminhar para Deus sem se filiar a nenhuma ordem institucional, um dos caminhos pode ser este.

Visite-nos. Salve nosso endereço entre seus sites favoritos. Sua alma talvez agradeça.

Salve!