sábado, 6 de outubro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (IX)


Amor, o cardápio deste século (em duas dimensões)

Existe, porém, amores e amores. A quase totalidade dos humanos aprende o amor no seio materno, que é quando, segundo Freud, ocorre uma conexão de extremo sentido entre filho e mãe. Talvez não seja Freud o primeiro e nem último a falar sobre esse tema, como de fato não é, pois escapou de sua perspectiva o sentir não material e os desdobramentos que se projetam para além dos sentimentos físicos, detalhe que a Jung não sucumbiu.
Freud e Jung sabiam mais do que disseram e andaram bem próximos da dimensão espiritual, aquela que repara e redireciona o propósito do bebê ao sugar o seio da mãe. É claro que ele tem prazer, mas este prazer não é o mesmo do amante que estimula os seios da companheira. O menino enquanto não desmamado ainda está sob a proteção espiritual da mãe e ali se pode identificar rudimentos do êxtase espiritual, de que estamos falando.
Há uma corrente de estudos que afirma que Freud tanto quanto Jung lidavam com a dimensão espiritual mas tinham receio de admitir isso em meio aos acadêmicos ateus, seus colegas, de cuja academia emergiu Marx, cuja doutrina teria sido mais bem sucedida não fosse a estupidez do ateísmo.
O amor pode ser explicado, no mínimo, em duas dimensões. Na de Freud, vamos até o cérebro e dele aos hormônios que inundam a circulação sanguínea dos amorosos e alteram muito do comportamento regular de humanos e animais. Em regime fortemente amoroso, altera-se o apetite, o sono e outras regras preexistentes que o organismo conhece e respeita de forma ordinária. Animais e pessoas conseguem ficar acordados e sem se alimentar por longos períodos quando correntes químicas em seus corpos lhes inundam o organismo. Atendidas as necessidades ditadas por esta situação, as endorfinas se derramam no corpo trazendo as sensações do prazer, da paz e da languidez, a paga desses impulsos de busca com nomes felicidade, realização. E o sono também retorna.
E será que podemos ser pequenos e admitir que neste caso são apenas as estimulações e os hormônios que funcionam? Será que aí não há, também, intercessão espiritual?  
Nesta outra dimensão, a espiritual, a análise escapa um pouco da ciência atual. Mas, não escapou totalmente de Jung, como veremos adiante. Para tratar dela sem dispensar os processos manuais e químicos hormonais, temos de envolver as ligações entre a criação e o arquiteto do universo, procurando estabelecer o que a inteligência superior foi capaz de introduzir no programa da criatura e só então particularizar até onde chega o instinto e até onde alcança a proposta da vida. Se é que o instinto também não seja mais um estágio que atende à proposta da vida.
Pelos mesmos motivos que o facínora sente remorsos por haver golpeado o princípio da vida e que o apaixonado, por ciúme, perde o controle, mata e depois, ao remorso, se arrepende, os estudiosos do homem estão sendo cobrados: é preciso interpretar o homem e a vida além do animal físico.
Se a consciência reside na alma, pode-se relacioná-la a con-scire (palavra latina de onde deriva) e que significa “conhecer junto”. E então sugerir que ali na consciência se aninha a programação do criador para com a criatura, onde se poderia incluir o princípio amoroso natural que conhecemos, mesmo e apesar dos vendavais, vulcões, terremotos, chuvas de meteoros e desatinos racionais da natureza dinâmica. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa muito diferente, como ensina o Mané.
Podemos ser uma maravilha amorosa a caminho de seu encontro com ela mesma. Vencer as imperfeições é fazer desabrochar esta criatura que os milênios de experiências vêm burilando.
A ciência deve ousar em suas buscas, inverter a mão da investigação, partir do subjetivo e não do oposto como hoje faz. É muito provável que deste modo Freud já tivesse sido ultrapassado bem antes, como agora é, e a realidade das ciências humanas e sociais estivesse em muito alterada.
O século do Amor trará consigo a espiritualidade no amor e, por extensão, no sexo.
O século XXI está reservado para a vitória da doutrina original de Cristo, como já foi dito em postagem anterior e, por isso, será o Século do Amor. Amor com sexo permitido e não essa brutal camisa de força jogada sobre a mais nobre das necessidades humanas: o prazer físico. Proibido como se tornou já no Jardim do Éden, a ditadura avançou pelos séculos quando concebemos um deus apenas masculino; fomos além quando Maria engravidou do vento; quando Jesus teve uma vida celibatária. Em sua época um homem sem mulher e uma mulher sem homem eram coisas escandalosas.

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