domingo, 30 de setembro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (III)

 O Tantra


A palavra tantra vem do védico e pode significar “teia” ou “libertação da escuridão” ou ainda “aquilo que amplia o conhecimento”.
Basicamente, o tantra possui uma filosofia de amor. Amor ao semelhante, à natureza, à vida, ao sexo, ao despertar. O ato sexual mágico dentro do tantra é apenas UMA das manifestações desta filosofia maravilhosa (o tantra é uma maneira de se viver, que inclui vegetarianismo, cultivo ao corpo, mente e espírito, respeito pelas coisas vivas, paz, harmonia com o cósmico, à devoção ao feminino, ao estudo da poesia, música, etc.). O grande problema disso para as “otoridades” é que um homem tântrico está mais preocupado em tratar bem sua(s) amante(s), apreciar um bom vinho ou fazer uma boa massagem em uma amiga do que pegar em armas e ir até um país distante chacinar seus inimigos para que as “otoridades” adquiram mais poder… para isso, precisam de soldados cruéis, sem compaixão e sem sentimentos (“certo, seu zero-dois?”). Então, quando os Arianos tomaram a Índia, lá por 2.000 a.C., eles tornaram esta religião proibida (de onde veio o significado de “libertação da escuridão” pois o movimento acabou caindo na escuridão/clandestinidade).
O principal ritual de sexo tântrico é chamado de Maithuna. Neste ponto, existem 3 vertentes do Tantra: o Caminho da mão esquerda, que prega a realização destes rituais com estranhos, para atingir um máximo de erotização, voltado para o prazer e que deu origem a livros e textos como o Kama-Sutra; o Caminho da mão direita, que prega que o Maithuna deve ser feito apenas com sua companheira, o que gera uma intimidade maior e uma energia muito maior no ritual; e finalmente o Caminho do Meio, que prega um meio termo: rituais sexuais para serem desenvolvidos com uma parceira, mas não excluindo a participação de amigas ou conhecidas no processo.
Durante o ato sexual, o homem assume o papel de Shiva e a mulher de Shakti. O papel da mulher é sempre o de uma deusa a ser venerada e existe todo um ritual antes do sexo: ela depila todo o corpo (pode ser feito no dia anterior), prepara um banho com ervas e perfumes e se arruma ritualisticamente, o homem prepara os incensos, música e o ambiente. Uma relação de Maithuna demora no mínimo 4 horas, mas há relatos de rituais que chegam demorar 21 dias. O Maithuna é programado segundo o ciclo dos signos e as fases da lua (na lua cheia Shakti tem mais potência sexual e na lua crescente Shiva está mais viril. Na lua nova, ambos estão relativamente sexuais e na minguante a energia pode não estar muito propícia). A preocupação com os exercícios para desenvolver os chakras, a vestimentas (nada sintético ou que bloqueie os chakras), a alimentação (nem pense em fazer um Maithuna com um bicho morto no seu estômago!!!), a meditação e concentração, os incensos… TUDO é importante neste tipo de ritual.

Rituais Tântricos


o contrário da ritualística egípcia, que é extremamente rígida em relação a escolha dos parceiros, as festas tântricas eram basicamente hedonistas (voltadas para o desenvolvimento do ser humano através do prazer e felicidade), podendo haver troca de parceiros (caminhos central e da mão esquerda somente), mais de uma parceira/parceiro em uma transa, etc. As palavras chaves nestas festas são o respeito entre todos os participantes e a consensualidade. Pode-se dizer que estes grupos mantiveram-se sempre de maneira secreta em praticamente todas as sociedades, até os dias de hoje nas casas de swing (ou “troca de casais”, como a mídia adora colocar, dando a falsa impressão que as mulheres nestes locais nada mais são do que “moedas de troca” quando uma idéia melhor seria “compartilhar” – É… eu sou muito chato com os termos corretos, porque palavras têm poder). Hoje muito do conceito destas festas foi distorcido e estragado (com direito até a pessoas que contratam garotas de programa para montar casais falsos e participar das putarias), embora dentro deste universo existam ainda grupos que agem como verdadeiras Sociedades Secretas, com regras de conduta muito rígidas e mantém as idéias originais das Festas Hedonistas com o respeito e a seriedade que elas deveriam ter.

sábado, 29 de setembro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (II)


História dos rituais sexuais

 

Suméria


Os rituais sexuais existem desde os primórdios da humanidade e estiveram presentes em todas as grandes culturas da humanidade. As primeiras referências a eles, e também a mais famosa, é o Hieros Gamos, ou “Casamento Sagrado”. Este ritual era realizado na Suméria, 5.500 anos atrás. Nele, a alta sacerdotisa assumia o papel do Avatar da grande deusa Inanna e fazia sexo com o rei ou imperador, que assumia o papel do deus Dumuzi, para mostrar sua aceitação pela deusa como governante justo daquela região.
Isto era feito diante da corte, pois naquele tempo não havia tabus para se praticar sexo em público se fosse em uma cerimônia religiosa. O símbolo desta união era um chifre, também chamado de “cornucópia” (uma referência clara à vagina da Grande Deusa em sua abertura e o falo do grande deus em seu chifre), do qual brotavam frutas, verduras e toda a fartura dos campos. Era uma associação óbvia entre os rituais sexuais de fertilidade e as colheitas que se originavam das plantações energizadas por tais rituais. O símbolo da cornucópia foi eternizado na Mitologia grega, através dos ritos Dionísios com sua forte presença no Olimpo, e mantém-se até os dias de hoje como símbolo de fartura.

 

Egito


No Egito, existiam primariamente três classes de sacerdotes iniciados: o Culto ao Templo Solar, cujo templo principal ficava em Hélios, baseado nos mistérios de Osíris de sua morte e ressurreição, da conspiração de Seth, da vingança de Hórus e seu triunfo. Este culto lidava essencialmente com energias MASCULINAS em seus rituais, baseados na força e simbolismo do sol, movimentando os aspectos de Yang (positivos, fortes, racionais, diretos).
Desta ordem surgiam os comandantes dos exércitos do Templo e, posteriormente, surgiram os Cavaleiros Templários e a Maçonaria, que incorpora algumas coisas dos templários. Esta é a razão pela qual apenas HOMENS são iniciados na Maçonaria. Não se trata de um “clube do bolinha” ou de preconceito com as mulheres, como muitos detratores alegam, mas, essencialmente, os rituais maçônicos são de energia Yang e a presença de uma mulher no templo em uma loja solar apenas atrapalharia toda a egrégora (existem organizações para-maçônicas como as Fraternidades Femininas e ordens como as Filhas de Jó para mulheres, mas a ritualística é outra, especialmente voltadas para as meninas e mulheres). OBS: quando as cerimônias são públicas, os rituais são, obviamente, diferentes…
Mas, naqueles tempos passados existia a Ordem dos Mistérios de Ísis, voltada apenas para MULHERES. Estas ordens lidam com a energia lunar, com o Yin, com a intuição, com a sedução, com as emoções sutis que pertencem ao campo do feminino. Da mesma forma, era proibida a presença de homens em uma loja de Ísis. Ísis recebeu vários nomes em seus cultos: Islene, Ceres, Rhea, Venus, Vesta, Cybele, Niobe, Melissa, Nehalennia no norte; Isi com os hindus, Puzza entre os chineses e Ceridwen entre os antigos bretões.
O terceiro tipo de Ordem eram as Ordens de Ísis e Osíris, ou as ordens mistas. Estas eram ordens espirituais, preocupadas com o estudo das ciências e dos fenômenos naturais. Pode-se dizer que foram as primeiras ordens de cientistas do planeta, estudando ao mesmo tempo fenômenos físicos, matemáticos e espirituais. Destas ordens, grandes iniciados como o faraó Tuthmosis III, Nefertitti, Akhenathon (ou Amenhotep IV) e Moshed (ou Moisés para os íntimos) estabeleceram as bases de praticamente todas as escolas iniciáticas que surgiram, inclusive todos os ramos das

Ordens Rosacruzes.

Cada templo era formado por até 13 membros (do sexo masculino/solar, feminino/lunar ou misto, com qualquer número de homens e mulheres, dependendo da ordem). Quando havia mais iniciações, estas lojas eram divididas em mais grupos contendo 5, 7 ou 11 estudiosos. Era comum que membros da Ordem do Sol ou da Lua participassem nestas ordens mistas, assim como até hoje é comum maçons ou wiccas participarem das ordens rosacrucianas. Treze pessoas em um grupo era considerado o ideal, pois constituía um CÍRCULO COMPLETO, cada um dos iniciados representando um dos signos do zodíaco, ao redor do Grande Sacerdote. Como veremos mais para a frente, isto será válido em outras culturas como a celta, romana, bretã e até africana.
Um quarto grupo era formado por sacerdotes especialmente escolhidos do Templo do Sol e do Templo da Lua, para as festividades das Cheias do Nilo, Morte e Ressurreição de Osíris, Início do ano e várias outras celebrações importantes. Estas celebrações eram Hieros Gamos, onde um sumo-sacerdote coordenava (mas não participava!) do sexo ritualístico entre 6 casais (totalizando 13 pessoas). Estes casais eram geralmente (mas não obrigatoriamente) casados e assumiam suas posições no círculo formando o hexagrama, com o sacerdote ao centro. Estes rituais poderiam ser realizados em um Templo ou em alguns casos, dentro de pirâmides, que estavam ajustadas para as freqüências que eles desejavam ampliar para o restante da população (ou do planeta). Mais tarde, o mesmo princípio será usado nos festivais celtas, mas já chegaremos lá.
Em grandes festividades, outros iniciados participavam (fora do círculo principal, que era formado pelos casais mais poderosos), formando um segundo círculo externo ou grupos, dependendo do número de pessoas. Estas sacerdotisas assumiam a representação da deusa Meret, a deusa das danças e das festividades, e os sacerdotes assumiam a representação de Hapi, deus da fecundidade e das cheias do Nilo.
É importante ressaltar que nestes rituais cada sacerdote transava apenas com a sua parceira. Era comum o uso de máscaras (com cabeças de animais representando os aspectos relacionados ao ritual/deus que estava sendo realizado), o que mais tarde dará origem ao Baile de Máscaras (que secretamente abrigavam Hieros Gamos) e posteriormente ainda os Bailes de Carnaval. Após as festividades, havia dança, celebrações e sexo não-ritualístico/hedonista. Estas sacerdotisas eram chamadas de Meretrizes, nome que mais tarde foi deturpado pela Igreja Católica.
Do lado complementar das Meretrizes estavam as Virgens Vestais, que eram virgens que trabalhavam um tipo diferente de energia e eram consideradas as Protetoras do Fogo Sagrado. Elas existem desde o Egito mas ficaram mesmo conhecidas no período grego e romano. Falarei sobre elas daqui a pouco.
Paralelamente aos ritos egípcios, existiam rituais sexuais ligeiramente diferentes na Índia, mas baseados nos mesmos princípios de união dos chakras para despertar a kundalini.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (I)


Androginia 

Conceito Geral

Androginia refere-se a dois conceitos: a mistura de características femininas e masculinas em um único ser, ou uma forma de descrever algo que não é nem masculino nem feminino.
Pessoa que se sente com uma combinação de características culturais quer masculinas (andro) quer femininas (gyne). Isto quer dizer que uma pessoa andrógina identifica-se e define-se como tendo níveis variáveis de sentimentos e traços comportamentais que são quer masculinos quer femininos.

Conceito humano

O andrógino é aquele(a) que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos. Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência.
Andróginos que prezam por sua androginia normalmente utilizam de adereços femininos, no caso de homens, ou masculinos, no caso de mulheres, para ressaltar a dualidade. Dado isso, tende-se a pressupor que os andróginos sejam invariavelmente homossexuais ou bissexuais, o que não é verdade, uma vez que a androginia ou é um caráter do comportamento e da aparência individual de uma pessoa ou mesmo sua condição sexual e psicológica, nada tendo a ver com a orientação sexual (ou identificação sexual), ou seja a atração erótica por determinado parceiro. Desse modo, pessoas andróginas podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais, assexuais, ou, ainda, pansexuais.

Do passado aos tempos atuais

Esta série concentrará um esforço para realitivizar costumes antigos e tendências atuais em nossas sociedades. Por que plural? Porque é muito diferente cá e lá, norte e sul, leste e oeste.
O crescimento vertiginoso das uniões entre seres do mesmo sexo – homens e mulheres – deve e pode ser explicado dentro da evolução pela qual passa a consciência e o corpo humano. Androginia, como você leu, traz um conceito elaborado há milhares de anos. Mas o ser humano andou para a frente, o sexo foi banalizado, foi parar nas telas do cinema, foi vendido como show, do mesmo modo que o ato de fumar deixou de ser uma cerimônia sagrada. O fumo foi misturado à química e embalado para vender nos balcões dos bares. Do mesmo modo que embriagar-se era um exercício sagrado para recepcionar os espíritos conselheiros. A bebida modificada, industrializada, foi envazada para ser vendida e consumida publicamente sem nenhuma cerimônia. Atrás das bebidas embriagantes vieram os alicinógenos mais pesados.
E o ser humano foi dando passos e mais passos num rumo que nos afasta dos deuses que presidiam as cerimônias sagradas do passado. Isso teria de dar no que deu.
Não, leitor, eu não estou condenando, nem elogiando nada. Estou relativizando.
Veremos mais adiante, mas é preciso colocar alguma coisa agora, que nos rituais sagrados dos tempos antigos o sexo aparecia como sinal de renovação da vida. Cada sacerdote transava apenas com a sua parceira. Era comum o uso de máscaras (com cabeças de animais representando os aspectos relacionados ao ritual/deus que estava sendo realizado), o que mais tarde foi dar origem ao Baile de Máscaras  e posteriormente ainda os Bailes de Carnaval. Estas sacerdotisas eram chamadas de Meretrizes, nome que mais tarde foi deturpado pela Igreja Católica e carimbado na testa das prostitutas.
Lá na noite dos tempos praticar sexo era algo sagrado, ainda encontrado em algumas tribos indígenas do Brasil, feito em público, como fazem os animais. Houve uma repressão, sexo virou coisa ruim e depois voltou, como voltou e você sabe. E neste caminhar pelos séculos, pelos milênios, estamos chegando ao tempo do homem e da mulher preferirem a troca sexual não com o sexo oposto e, portanto, distante dos princípios sagrados da antiga vida, do Hieros Gamos, o casamento sagrado, a cópula de uma divindade masculina com uma divindade feminina ou de um homem com uma mulher, muitas vezes com um significado simbólico e geralmente realizados na Primavera. É um antigo ritual em que os participantes acreditavam que podiam ganhar profunda experiência religiosa ou um intercâmbio de conhecimentos através da relação sexual, com direito a êxtase, ensaio físico do êxtase espiritual. Esta cerimônia foi, muitas vezes, feita pelo monarca da religião dominante em público, copulando com sua esposa.

Estamos no limiar de nova era e certamente como no passado, sujeitos a mudanças brutais no comportamento da humanidade. É com este objetivo que falaremos de Androginia.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Amor e Reconciliação (II)


O prognóstico da harmonia

A reconciliação ensinada por nossos mestres de amor, não alcança as aquelas pessoas que ofendemos ou nos ofenderam, resultando disso uma malquerença, uma inimizade, uma ira, um ódio. A reconciliação buscada, antes de mais nada, é conosco mesmo, com nosso espírito.

Se estamos aqui no planeta, ocupando um corpo de carne e osso, músculos e veias, é porque nos foi dada a oportunidade de provar que servimos para o crescimento desejado por Deus. Nosso espírito que, no fundo é o nosso Verdadeiro Eu, deve entrar em pânico quando o decepcionamos com pensamentos, atitudes e ações que não pertencem a ele, e sim ao que nos ensinaram nas salas mal iluminadas da vida. Ou, quem sabe, sejam as nossas próprias imperfeições carregadas desde um passado remoto e ainda não trabalhadas.

Se viemos a esta página e a todos os outros lugares onde demonstramos interesse em crescer para a vida, temos aí um sinal de que por algum motivo estamos indo ao encontro de nossa missão. Queremos desaprender o que não serve para nosso espírito e nem para Deus e queremos retomar o caminho velho e bom que o próprio Jesus ensinou quando disse EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA.

Os homens têm meios de distinguir por si mesmos o que é bem do que é mal. É nisso que somos superiores aos animais. Somos privilegiados, dentre toda a natureza, capazes de distinguir entre o bem e o mal. Quando nos bate a DOR DA CONSCIÊNCIA, este é o sinal: Deus nos deu a inteligência, o discernimento para fazermos essa distinção. A DOR DE CONSCIÊNCIA é a escaramuça de nosso espírito, o seu protesto e o seu desesperado pedido de RECONCILIAÇÃO INTIMA própria ou em relação aos seres que machucamos.

Estando sujeito ao erro, para que o homem não se engane na apreciação do bem e do mal e evite crer que pratica o bem quando em realidade pratica o mal, Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fazem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis. Esse é o papel da VERDADE, no ensinamento de Jesus. Aquilo que você espera que o mundo lhe dê é o que falta você fazer pelo mundo.

Quando comemos em excesso ou bebemos em excesso, verificamos que isso nos faz mal. É de novo o papel da VERDADE nas nossas relações com nosso próprio corpo.
A RECONCILIAÇÃO, pois, senhores leitores, começa dentro de nossa mente, destinada a nos equilibrar, a nos re-alinhar em relação ao nosso EU MAIOR.
E vai até o lado de fora, para alcançar aquele ente de nossa própria família, naquela situação de comunicação imperfeita, de excesso de confiança, de abuso, de desrespeito, de teimosia, de falta de humildade e paciência, de intolerância e de orgulho, para provar que somos grandes não na covardia e na fuga, não no silêncio e no desvio, somos grandes na VERDADE, no DIÁLOGO, na LEALDADE, no RECONHECIMENTO, no BEM, no AMOR.

A RECONCILIAÇÃO, senhores leitores, deve alcançar aquelas pessoas de quem tecemos fofocas, aos vizinhos que queremos que se explodam, aos colegas que detestamos, aos adversários que não respeitamos.

Deve, enfim, fazer a limpeza nos miasmas de vingança, ira, ódio, culpa remorso.

É POR TUDO ISSO QUE NESTA HORA QUEREMOS ORAR PARA PEDIR CORAGEM DE ENFRENTAR AS ATUAIS E FUTURAS SITUAÇÕES DURANTE AS QUAIS QUEREMOS DESCER DOS TAMANCOS E NOS OFERECER COMO AGENTES DO BEM.

Oferecendo AMPLITUDE à verdade – para que nossos pensamentos, atitudes e ações permaneçam sob a luz do Amor.
DISCERNINDO entre supérfluo e essencial – para que os nossos pensamentos, atitudes e ações sejam afinados com o que é necessário a nós mesmos e ao nosso mundo.
ATUANDO em favor da qualidade – para que nossa obra sirva para o bem.

Nossa ISO PESSOAL é nossa garantia de enquadramento na Luz do Amor.
Entenda por ISO: International Organization for Standardization – presente em 148 países regulando e normatizando nomenclaturas, medidas, procedimentos, embalagens, pesos, doses, comportamentos. Ela tem fins mercadológicos e somente é usada aqui numa tentativa de oferecer uma forma de medir a ética humana universal. Deveria valer para árabes, judeus, irlandenses, brancos, negros, ricos, pobres, índios, não índios, torcidas organizadas, motoristas em geral, enfim para todos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Amor e Reconciliação (I)


O diagnóstico do caos


Como é que começam os desentendimentos, as rusgas, as ofensas, as inimizades, as tragédias pessoais?

Em 100% dos casos pela comunicação imperfeita, pelo excesso de confiança, pelo abuso, pelo desrespeito, pela teimosia, pela falta de humildade e paciência, pela intolerância e pelo orgulho.

Então, se tivermos a capacidade de parar, esfriar a cabeça, reconsiderar, descer dos tamancos, reconhecer e acima de tudo, avaliar as conseqüências de um simples ato impensado, muitas vezes, estaremos controlando a situação, retornando ao local da besteira e, o que é melhor, estendendo a mão desarmada, abrindo a guarda e convidando o desafeto à reconciliação.

Quando fazemos isso, descarregamos de nosso organismo as pesadas energias do desamor, da desconfiança, da mágoa, do ódio, do remorso, da culpa, do orgulho ferido, e estaremos dando oportunidade a que ventos refrescantes do amor empurrem as nuvens pesadas da tempestade do mal.

Quase todos nós, em algum lugar de sua infância, adolescência ou vida adulta, aprendemos uma máxima que diz: “desaforo não se leva pra casa!”

Isso mesmo! Não se leva pra casa. Procura-se dissipar o desentendido para que não sejamos impregnados pela sensação de covardia, humilhação, indignação, destruição da auto-estima. Isso seria desastroso para o sistema de defesa e imunidade contra o ataque de doenças emocionais.

Mas, também não podemos levar pra casa a sensação de que exageramos na dose, rodamos a baiana e damos uma tremenda demonstração de prepotência, machismo, feminismo, intolerância, grossura, violência... Isso seria desastroso para o sistema de defesa e imunidade contra o ataque de doenças emocionais.

Mas, todos sabemos, que a coisa não fica só no plano da humilhação ou da exaltação. A semente do mal vai dar frutos. Todos nós iremos colher exatamente tudo quanto plantarmos. Na maior das vezes, em quantidade aumentada.

Você pode não plantar tudo o que lhe chega às mãos, mas colherá tudo aquilo que plantar.

Então, parece ser inteligente, mais que inteligente, divino, administrar as crises: bater na boca, contar até dez, mostrar a outra face da moeda, demonstrar grandeza não pela prepotência, nem pela violência. Claro, “desaforo não se leva pra casa”, mas não se leva pra casa também a dor moral do excesso, chamada de remorso, culpa, dor de consciência...

O bem é a energia que procede da Lei de Deus: luminosa, confortadora, sadia, benfazeja, construtora; o mal, é a energia viciada, impura, doente, estagnada, sombria, destruidora, contrária à Lei de Deus.
Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a Lei de Deus. Fazer o mal é infringir a Lei de Deus. Se somos criaturas divinas, somos Criaturas do Bem. O pensamento, a atitude e a ação que se espera de nós, é a reprodução do Bem, o efeito da Lei de Deus, o Bem.

Nascemos bons e amorosos, gente do bem. O mal nos é ensinado. Quem nos ensina o mal? A própria família, a escola, as nossas relações com as pessoas, a mídia, o cinema, a lei da rua.

Temos muitos mestres: pai, mãe, irmãos mais velhos, amigos, professores, líderes e governantes, intelectuais que produzem para a literatura, o cinema, a tevê, demais conteúdos de nossa cultura.
Crescemos acompanhando as barbaridades do mundo e aprendemos que as coisas se resolvem na porretada. Quando um país invade o outro despejando bombas em nome da segurança e da democracia, ensina-se às crianças que é possível obter o brinquedo que pertence ao outro, na porretada. Que é possível apagar do boletim uma nota negativa mandando balas contra o professor em plena sala de aula.
Afinal, foi assim que o homem branco tomou a terra dos índios. Foi e é assim que o homem branco costuma tomar as terras dos próprios homens brancos.

Todas as barbaridades que conhecemos têm um autor intelectual, um ou vários mentores. Coloca-se na programação mental das pessoas que agir assim é normal.
Essa normose é a doença que desencadeia o mal e a violência.
Que qualidade tem esses mestres?
Como se consolidou nossa personalidade?
Que atitude temos em relação ao dia a dia da vida?
O que, normalmente, fazemos de forma automática diante de um fato inusitado?
Como nos comportamos diante de um animalzinho silvestre?
O que nos vem à mente diante de um maltrapilho, mendigo e sujo?
O que nos vem à mente quando, andando no asfalto, encontramos um fusquinha ou uma Brasília andando mais devagar?
E qual é a expressão que temos quando alguém nos ultrapassa em alta velocidade?
São nessas horas que expomos o conteúdo de nossas mentes e almas.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Amor à Vida (II)


O Filósofo Prático da Reverência à Vida

Renato Costa
rsncosta@terra.com.br

Ao longo dos milênios, muitos foram os Espíritos adiantados que encarnaram no Planeta que, com palavras e exemplos, fazendo do Amor à Vida um de seus mais importantes ensinamentos.

Para não nos estendermos em uma longa lista, vamos apenas relatar uma pequena história.

No final do século passado, no dia 14 de janeiro de 1875, nascia na Alsácia, região na fronteira entre a França e a Alemanha, que na época pertencia à Alemanha e hoje, à França, um menino, filho de um pastor luterano.

Esse menino foi chamado de Albert, nome alemão que corresponde a Alberto. Desde cedo se manifestou talentoso e dedicado, tendo aos 24 anos obtido doutorado em filosofia e aos 25, grau avançado em teologia, ao mesmo tempo em que se tornava o maior especialista mundial na construção de órgãos (musicais).

Em 1904, portanto, com 29 anos, deparou com um artigo em uma revista pedindo médicos voluntários para a colônia francesa do Gabão, na África.  A leitura desse artigo viria a mudar a sua vida.  Sentindo-se como que convocado para uma missão, iniciou de imediato a estudar medicina, concluindo que seu desejo era trabalhar com as mãos, de forma a por em prática aquilo que expressava com suas palavras como teólogo, estudioso de religião.

Graduado em medicina com 38 anos, seu pedido de adesão como médico na Sociedade Missionária que recrutava médicos para a então África francesa foi rejeitado, sob a alegação que não queriam teólogos e pensadores para atrapalhar os trabalhos de assistência humanitária junto aos nativos, com idéias e pregações que de nada lhes valeriam.  Pois bem, longe de esmorecer em sua empreitada, o Dr.  Albert Schweitzer, pois este era seu nome, agora já casado com uma amiga que sempre o apoiara, partiu para angariar fundos para montar um hospital na África e sustentá-lo durante dois anos.  Ao cabo desse esforço incansável, partiu para o Gabão em 1913 para construir o famoso hospital de Lambaréné, que existe até hoje, atendendo gratuitamente à população carente de uma enorme região, hoje patrocinado pela Sociedade que leva o nome do seu grande fundador.

Foi esse missionário singular, que dedicou sua vida até desencarnar em 1965, com 90 anos, a salvar vidas em um país pobre e estranho e a minorar sofrimentos dos abandonados pela sorte, que forjou a tese filosófica a que chamou de Reverência pela Vida em Ação.

Para concluir esse trabalho, deixamos a palavra com o Dr.  Albert
Schweitzer, falando sobre a sua tese de Amor à Vida:

"Eu sou vida que quer viver, no meio de vida que quer viver.  Como em minha própria vontade-de-viver existe um anseio por uma vida mais ampla e prazerosa, com receio do aniquilamento e da dor; assim também se dá com a vontade-de-viver à toda a minha volta, quer ela consiga se expressar diante de mim, quer permaneça muda.  A vontade-de-viver está presente em toda parte, assim como em mim.  Se eu sou um ser pensante, devo enxergar vida além da minha com a mesma reverência, pois eu devo saber que ela deseja completude e desenvolvimento com tanta profundidade quanto eu mesmo desejo.
E isso é verdade tanto visto do ponto de vista físico quanto espiritual.  A bondade, pela mesma medida, é o salvamento ou a ajuda da vida, tornar possível a toda vida que eu puder ajudar o alcançar de seu mais alto desenvolvimento.

Em mim, a vontade-de-viver ficou sabendo da existência de outras
vontades-de-viver.  Existe nela uma ânsia de chegar à unidade consigo mesma, de se tornar universal.  Não posso senão aceitar o fato de que a vontade-de-viver em mim se manifesta como vontade-de-viver que deseja se tornar una com outras vontades-de-viver.

A Ética consiste no meu experimentar de uma compulsão por mostrar a toda vontade-de-viver a mesma reverência que mostro à minha própria.  Um homem é verdadeiramente ético somente quando ele obedece à compulsão por ajudar toda a vida que ele é capaz de assistir e devia ferir qualquer coisa que viva.
Se eu salvo um inseto de uma poça, a vida se dedicou à vida, e a divisão da vida contra ela mesma acabou.  Quando quer que minha vida se devote de qualquer modo à vida, minha vontade-de-viver finita experimenta a união com a vontade infinita onde toda a vida é una.

Uma ética absoluta pede a criação da perfeição nesta vida.  Ela não pode ser completamente alcançada; mas isso realmente não importa.  Neste sentido, a reverência pela vida é uma ética absoluta.  Ela faz com que somente a manutenção e a promoção da vida se classifiquem como boas.  Toda destruição da vida e agressão a ela, sob quaisquer circunstâncias, é por ela condenada como má.  É verdade, na prática somos forçados a escolher.  Há momentos em que temos que decidir arbitrariamente quais formas de vida, e até mesmo quais indivíduos particulares, teremos que salvar, e quais iremos destruir. Entretanto, o princípio de reverência à vida é universal e absoluto.

Uma tal ética não elimina para o homem todos os conflitos étnicos, mas o compele a decidir por si mesmo em cada caso até que ponto ele deve permanecer ético e até que ponto ele deve se submeter à necessidade de destruir e ferir a vida.  Ninguém pode decidir por ele em qual ponto, em cada ocasião, se encontra o limite extremo da possibilidade de sua persistência na preservação e na continuação da vida.  Somente ele deverá julgar esta questão, deixando-se guiar por um sentimento da mais alta responsabilidade possível por outra vida.  Nunca devemos nos deixar ficar cegos.  Estamos vivendo na verdade quando experimentamos estes conflitos mais profundamente.

Quando quer que eu fira qualquer tipo de vida, devo estar bem seguro de que é necessário.  Além do inevitável, jamais devo ir, nem mesmo com aquilo que nos pareça insignificante.  O fazendeiro, que ceifou mil flores no seu campo para servir de forragem para suas vacas, deve tomar cuidado ao voltar para não arrancar, em um passatempo intencional, uma única florzinha plantada à beira do caminho, pois então ele estará cometendo um erro contra a vida sem estar sob a pressão da necessidade."


Bibliografia
Sendas Luminosas.  Joanna de Angelis (espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco, Livraria Espírita Alvorada, Salvador, BA, 1998.
Reverence for Life.  Albert Schweitzer, The Albert Shweitzer Fellowship, http://www.shweitzerfellowship.org/newpage6.htm/.(Estudo originalmente apresentado em 29/09/2000 no Centro Espírita Titino Pires, em Leopoldina, MG)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Amor à Vida (I)


Em que Consiste o Amor à Vida

Renato Costa
rsncosta@terra.com.br

A vida, não importa a aparência com que se revela a nossos olhos, é benção com que a Justiça Divina nos oferece nova oportunidade de aprendizado.

Quer façamos dela bom ou mau uso, ela sempre segue em frente, consoante a diretriz de progresso que, a cada etapa reencarnatória, nos traça uma meta a alcançar.

Se, em algum momento, ela te pareça ingrata, não te revoltes contra ela, maldizendo-a ou intentando perturbar ou abreviar seu curso, pela trilha do vício que entorpece ou do desleixo com a saúde que a extingue prematuramente.

Cada um de nós vem a este mundo com uma tarefa a cumprir.  As condições que nos são ofertadas, ao nascermos, para que logremos sucesso na empreitada podem ser expressas em três níveis:

a) no nível pessoal, podemos nascer mais ou menos saudáveis, mais ou menos bonitos e dotados de mais ou menos inteligência;

b) no nível familiar, podemos nascer em uma família equilibrada, com pais gentis e protetores, irmãos e irmãs amigos ou, então, em um família com um maior grau de desequilíbrio, que pode ser restrito a um único membro da família com quem nos atritamos sempre, ou, no outro extremo, constituir-se em verdadeiro campo de batalha, com pai ausente ou agressivo, mãe autoritária e destituída de carinho e irmãos e irmãs a se engalfinharem pelo mais fútil motivo;

c) no nível social, podemos nascer em uma família de menor ou maior poder aquisitivo, em toda a longa escala que vai do indigente que não tem onde morar e que esmola por comida até o arquimilionário magnata que gasta, em uma única noitada, quanto daria para alimentar a toda uma cidade.  Ainda a nível social, podemos nascer membros de uma minoria, segregada pelo sexo, pela cor, pela raça ou pela religião ou, por outro lado, pertencermos à maioria não discriminada.  Podemos nascer em um país em paz ou em meio à mais terrível guerra.  Podemos nascer em um alegre paraíso tropical, em um movimentado e estressante bairro de uma grande cidade ou em um lugar pouco habitado e inóspito, como a imensidão gelada dos pólos ou as escaldantes areias do deserto.

Quaisquer que sejam as condições que a vida nos oferece como ponto de partida no instante do nascimento ou a qualquer momento ao longo de nossa caminhada, devemos sempre manter a calma e o equilíbrio que provêm de uma fé inabalável nos desígnios do Pai Criador.  Cada um tem a vida que mais lhe convém.

Se, em uma vida, a beleza, a inteligência ou a riqueza foram entraves ao progresso do espírito, em outra, tais atributos serão diminuídos de forma a melhor lhe abrir o caminho do aprendizado salutar.  Se, uma vida, nascido em classe dominante, abusou de seu poder, perseguindo e torturando, física ou moralmente, seus semelhantes e contraindo para si terríveis dívidas com a harmonia cósmica, virá, em vida posterior, desprovido de maior poder, não de forma a puni-lo, mas, antes, de modo a protegê-lo, evitando seu maior endividamento com a Justiça Divina.  A Justiça Divina jamais pune o espírito que infringiu a Lei.  Perfeita Mãe que é, dotada de sabedoria e amor infinitos, a cada encarnação ela saberá prover a vida melhor adequada às necessidades que cada espírito tem de aprendizado.

* * *
Tendo em vista o que foi dito, é necessário que reflitamos quanto à
necessidade de Amor à Vida. Conseguindo compreender que nossa atual existência contém em cada aspecto fatores da maior importância para nosso crescimento espiritual, devemos estar permanentemente atentos para todas as oportunidades que surgem, avaliando cada uma à luz dos ensinamentos de Jesus, de forma a sabermos quais nos convém aceitar como motores de nosso crescimento e quais devemos ignorar para não nos levarem a assumir maiores compromissos reparadores. Quando estivermos preparados para discernir entre aquilo que nos é permitido fazer e aquilo que nos convém, como ensina o apóstolo Paulo, saberemos fazer sempre a melhor escolha.

O primeiro estágio da nossa conscientização é aprender a amar a nossa própria vida.  Alcançado esse estágio, estaremos sempre atentos à preservação de nossa saúde física e moral, evitando os excessos de qualquer natureza, procurando melhores companhias, procurando somente lugares de boa freqüência e dando ouvidos somente a conversas salutares ou edificantes.

À medida que formos aprendendo a amar nossa própria vida, naturalmente se despertará em nós o amor à vida daqueles que estiverem à nossa volta.
Primeiro será o amor pela nossa família, depois por nossos colegas de
trabalho e lazer, depois pelos que nos são afins pela cor, pelo credo ou pela nacionalidade.

A meta seguinte já requer mais amadurecimento espiritual e é aquela
testemunhada por humanistas, filósofos e grandes pensadores: o Amor à Vida Humana em todo o Planeta, sem discernimento.

Finalmente, ao alcançarmos os maiores patamares de entendimento, faremos eco aos grandes mensageiros e entendermos que o Amor à Vida deve ser universal, pois tudo o que existe na natureza, do átomo ao arcanjo, é reflexo do Psiquismo Divino percorrendo todos os estágios de evolução, devendo, portanto, ser tratado com reverência e respeito.

* * *

Quando falamos de Amor à Vida de forma universal, não queremos dizer com isso que seja, em essência, errado, quebrar uma pedra, cortar uma árvore, colher um pé de alface ou matar uma formiga.  O ser humano tem um metabolismo que requer alimentação física.  Em estágios mais avançados, talvez não mais encarnando no planeta Terra, ele logrará, sem maior dificuldade, suprir toda sua necessidade de energia diretamente do fluido cósmico universal, como Jesus demonstrou ser possível ao jejuar de alimento sólido por 40 dias.

Quando falamos de Amor à Vida de forma universal estamos nos referindo ao respeito que devemos ter por cada ser vivo, jamais matando ou mutilando qualquer um por leviandade ou divertimento.  Quebrar a rocha para construir caminhos ou edificar moradias é utilização nobre, da mesma forma que cortar a árvore para construir um móvel, ou para pavimentar uma casa.  Colher a planta ou matar com respeito o animal que servirão de alimento não são atos de desrespeito à vida.  Não age com desamor à vida o cientista que desenvolve o remédio para eliminar a bactéria causadora de doença, nem, tampouco, o agricultor que envenena o formigueiro para preservar o cultivo destinado à alimentação de uma comunidade.

Deve ser sempre entendido, no entanto, que todo ato de tirar a vida que não seja devidamente justificado é contra a lei da natureza.  Arrancar todas as frutas de uma árvore para comer algumas e destinar as outras ao apodrecimento é desrespeito à vida.  Pisar na grama sem necessidade, arrancar uma flor pelo simples prazer, machucar ou matar um animal por divertimento, todas essas atitudes são demonstrações tristes de descaso com a vida.

* * *
Antes de prosseguirmos, convém façamos uma pequena pausa para respondermos a uma pergunta que forçosamente se apresenta: O que fazer caso nos empenhemos em entender e ajudar ao nosso próximo ou vizinho e ele insista em recusar ajuda e quiçá a nos ofender e prejudicar? Cristo nos ensinou quantas vezes devemos perdoar e que somente teremos mérito se amarmos nossos inimigos.  Sim, mas como fazer o bem e amar
a quem rejeita nossa ajuda física e nos retribui o amor com ódio?

Cada um de nós deverá fazer aquilo que está ao seu alcance para ajudar o seu irmão.  Jesus não nos pediu jamais o impossível.  Se nos é possível apenas não responder às ofensas e não retribuir as agressões, façamos isso.  Se conseguirmos fazer isso, olhando nosso vizinho com carinho, muito bem.  Isso é bom indício de evolução.  Se, no entanto, somente conseguimos controlar nosso impulso por revidar, virando as costas e indo embora, já é uma medida válida, posto estarmos dando o melhor de nós.  Uma vez afastados fisicamente do agressor, se já sabemos orar, oremos por ele, pedindo a Deus que o inspire e que ele perceba que não lhe queremos mal.

Quando nos recusamos a responder a agressão com a agressão, vamos dominando nossos instintos agressivos e aprendendo a não mais nos perturbarmos com as agressões que recebemos.  Quando damos um passo à frente e começamos a retribuir a ofensa com uma palavra amiga e o prejuízo recebido com a ajuda desinteressada, perceberemos que cada agressão que recebemos é oportunidade única para repararmos nossas faltas pregressas, saldarmos nossos compromissos com a Lei de Deus e galgarmos preciosos degraus da imensa escala da evolução.

* * *
Concluiremos esta primeira parte de nosso estudo, com a palavra sábia e poética de Joanna de Angelis:

"És vida e és parte essencial da Vida em tudo manifestada.  Oferece a tua contribuição de harmonia, nunca a depredando, nem gerando embaraços que lhe possam perturbar a marcha".

"Respeita a vida em qualquer aspecto que se apresente".

"Limpa uma vala, planta uma árvore, semeia um grão, viabiliza uma ocorrência enobrecedora, oferta um copo com água fria, brinda um sorriso, sê útil de qualquer maneira..."

"A vida transcorrerá para ti conforme a desenvolvas".

"Diante de qualquer dificuldade, insiste com amor e aguarda os resultados aflição".

"Não blasfemes, nem te rebeles, quando algo não te corresponder à
expectativa".

"És vida em ti mesmo, e o exterior sempre refletirá o que cultives
internamente."

domingo, 23 de setembro de 2012

Suicidas (IV)


Quem precisa de salvador

A maioria das religiões conhecidas vende a idéia do salvador. Existem salvadores terrenos e salvadores celestiais. Os terrenos cobram propina em dinheiro; os celestiais trabalham sob trocas. Ao que dizem salvam-se aqueles que levam dinheiro aos seus tutores terrenos e salvam-se aqueles que se tornam agradáveis “aos olhos” dos salvadores celestiais.
Uma velha herança dos tempos mitológicos em que os deuses celestes governavam a vida usando a intermediação do rei ou faraó e que, nas relações com os súditos, estes pagavam aos reis o dízimo – herdado pelas igrejas neo-pentecostais, dinheiro este que vai parar na conta do pastor, também, depois de pagar o aluguel, a luz, a água do templo.
Tutelados pelo hoje pastor – representante do faraó – hoje bispo da igreja atual, os hoje súditos são aconselhados a serem fiéis ao deus celeste para dele obterem as bênçãos de que precisam para uma vida benfazeja.
O tutor terreno intermedeia a ação do salvador celeste. O súdito hoje no papel de fiel servidor ou obreiro da nova oficina imperial, entrega todo o comando da vida àqueles que entende serem os seus protetores.
Numa palavra: são as crianças com 40, 50, 60 ou mais anos de idade suplicando a mão de alguém para fazer a travessia da vida.
Mas, não é só. A metáfora das igrejas neo-pentecostais é algo que cabe mais ostensivamente no exemplo, mas a cultura de busca do salvador está em vigor também na igreja de Roma, nas nossas relações com o prefeito, com o governador, com a presidenta. Para quantos miseráveis deste nosso país a bolsa família é a bênção do deus celeste a eles repassados pela presidenta? Para quantos que você conhece a vida só está bem “pela graça de Deus”?
Quero me fazer compreender para que não me acusem de outra coisa que não sou: a crítica é dirigida a quem entrega o seu destino a um salvador terreno ou celeste e se encolhe a espera das bênçãos caídas dos céus. A crítica atinge todas aquelas porções humanas infelizmente abafadas pelas cadeias mentais erguidas por Roma, copiadas da mitologia, desviadas da libertação trazida por Cristo e que atingiu em cheio as nações colonizadas por Espanha e Portugal.
Naqueles países em que o Iluminismo (do século XVIII) produziu seus efeitos esta cultura praticamente foi substituída e as pessoas estão convencidas de que pastores, sacerdotes, rabinos ou outros intermediários de Deus são plenamente dispensáveis desde que cada um decida fazer a conexão diretamente.
O Deus não é só celeste, está presente na alma de cada um. Qualquer estrutura de poder religioso ou profano que se coloque na intermediação das relações do homem com o sagrado, nada mais é do que escravidão, um jeito novo de fazer o velho sistema permanecer dominando a humanidade. E, claro, não há necessidade de dizer: está justamente nesses bolsões culturais o pior atraso intelectual, a pior pobreza, os maiores currais eleitorais dos novos e velhos coronéis, sempre com a intermediação do representante da igreja, seja ela qual for.
São esses homens e mulheres de muitas nações, principalmente de cultura ibérica, que precisam de salvador, na verdade, libertador.
São estas criaturas que, de certa forma, praticam suicídio induzido contra a sua própria alma. Delas serão cobradas pesadas contas por se deixarem ludibriar por espertos aproveitadores da ignorância mesmo tendo as luzes da libertação piscando o todo tempo bem diante dos seus olhos.
Quanta mentira histórica, quanta lenda religiosa, quanto engodo filosófico usados por estes dominadores para manter seus fiéis fielmente subjugados aos seus interesses em nome do maior libertador que tivemos em todos os tempos!!! Como é triste presenciar estas barbaridades cometidas contra a vida e a alma de tantas pessoas, sem a menor cerimônia, praticadas em nome de Jesus.  

sábado, 22 de setembro de 2012

Suicidas (III)


Quem mais pode ser chamado de suicida?

A resposta não é longa nem filosófica. Podem ser chamados de suicidas todos aqueles que renunciam cuidados e proteção à vida não só biológica.
Há muitas maneiras de cometer suicídio. Há o suicídio instantâneo, um tiro, uma porção de veneno, um pulo pela janela do edifício, um enforcamento, etc. E há o suicídio lento: o ato de fumar, o ato de embriagar-se ou drogar-se, o ato de comer errado, o ato de dirigir perigosamente, o costume da truculência nas relações humanas, sendo a do trânsito a mais cruel. Xinga uma vez, mostra o dedo anular para fora da janela uma, duas, mais vezes, até que o desafeto se atravessa na frente, desce com a arma em punho e ordena: “repete aquele gesto seu fdp”. E no calor da discussão vem o tiro e aquilo que poderia ser anotado como assassinato, irá para a história das mortes como ordem para suicídio. O falecido encomendou ser alvejado.
Não será muito diferente com a direção temerária, alta velocidade, ultrapassagens forçadas...
O evento será noticiado como acidente, mas, na verdade, o falecido também estava a encomendar sua morte. Ela viria, mais cedo ou mais tarde, não é uma questão de “se”, mas uma questão de “quando”.
Retomando as questões fumar, beber, drogar-se, comer errado: o que dizer da pessoa que insiste nos maus tratos ao seu aparelho biológico? Também não se trata de uma questão de “se” e sim de uma questão de “quando”.
Mas, não termina aí a lista suicida. Ainda precisamos falar daquele que mesmo não tendo praticado nenhum tipo de suicídio biológico, condena-se ao suicídio numa próxima encarnação ao jogar pesado com as questões que remetem ao plano espiritual.
Como se vê, a questão é muito mais ampla do que registram as estatísticas médicas e policiais.
Voltaremos a este assunto para tratar de sua prevenção.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Suicidas (II)


Quem seria o suicida?

Para o psiquiatra Augusto Cury, o suicida não é aquele que busca a morte, mas aquele que desiste de viver porque sua sede de vida não foi aplacada.
Grosso modo, parece decifrada a charada: o tão grande ímpeto de viver rompe um limite nessas pessoas. É como aquele apressado que, para ir mais antes ao seu fim, se torna vulnerável aos acidentes.
Eu não sou um técnico autorizado a falar da vida ou da morte, mas entendo que reúno experiências suficientes para sugerir que a crise humana que também se revela nos suicídios se estabelece quando por alguma razão esquecemos de cuidar dos cultivos inerentes à vida que queríamos quando atropelamos tudo na corrida intra-uterina até encontrar a outra metade e percebemos que por alguma razão a vida se esvai. Isso vale para comer errado, embriagar-se, drogar-se, oferecer-se aos perigos, deprimir-se...
É novamente Cury que contribui com a ciência: educados como somos, formatos como quis a sociedade, não temos preparo para enfrentar vicissitudes. Para tudo, segundo a formação, há um pai, um tutor, um salvador. Essas plantas de estufa, criadas nesses “ambientes controlados” não têm capacidade de chegar ao “clima geral” sem se sentirem frustradas, decepcionadas, levadas a uma competição predatória sem nenhum compromisso com a vida, nem mesmo com a sua própria.
De sã consciência, o que leva alguém a relaxar com os cuidados inerentes à sua própria existência? Como cuidadores de crianças não permitiríamos que passassem fome ou comessem coisas impróprias; não daríamos bebidas alcoólicas para uma criança beber; nem serviríamos drogas a ela; não deixaríamos ela atravessar uma rua movimentada submetendo-se aos perigos de atropelamentos. E por que fazemos coisas piores que isso com a “criança” que somos?
Só uma resposta parece caber: perdemos o horizonte, desviamos-nos da razão de ser. E isso pode ser debitado às religiões e à escola, que por muitos séculos cuidaram de ensinar para o mercado e a dar atenção à riqueza material sem investir na riqueza espiritual. Quantos suicidas você conhece que ceifaram suas vidas porque a vida econômica foi mal? Claro, iremos encontrar talvez maior número de suicidas abastados aos quais faltou objetivo de vida. Isso não muda o raciocínio, o deus dos dois grupos de suicidas é o mesmo: o dinheiro.
A segunda hipótese para tratar tão perversamente a vida é a certeza de que tudo acaba no túmulo. Fomos colocados na arena da vida dependentes de salvadores que nos levem a algum lugar e quando tudo sai errado entendemos que fomos abandonados. O vazio é terrível.
A falta de uma educação religiosa e escolar capaz da renúncia aos salvadores ou tutores, entregando ao próprio ser humano o cultivo dos seus jardins existenciais, mudaria tudo, provocaria o desejo de superar-se por conta própria e dignar-se perante os desafios.
Não é tudo o que se poderia dizer, mas é um bom começo para ir entendendo por que nos perdemos nos caminhos da vida.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Suicidas (I)


Suicídio é caso de saúde pública

Encontramos um interessante estudo da psicóloga clínica, mestra em Psicologia, ex-professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo – CET, chamada Alice Kolachinski Brandão. Aborda o suicídio levando-se em conta sua epidemiologia e etiologia. Aponta sua etiologia nos transtornos do álcool, em pacientes psiquiátricos, em pacientes hospitalizados por patologias não psiquiátricas, por abuso de substâncias, por estresse emocional etc. Apresenta um caso de suicídio e, considerando-se alguns conceitos da psicanálise como o narcisismo, a pulsão de morte, a melancolia e o falso "self", levanta hipóteses objetivando suscitar algumas reflexões sobre o tema em questão.
·   Entre 1989 e 1998 os suicídios aumentaram 56,9%.
·   O índice brasileiro é de 4,9 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.
·   O Rio Grande do Sul possui os índices mais altos: 11 para cada grupo de 100 mil habitantes.
·   Porto Alegre é a capital com maior taxa de suicídios (11,9/100 mil).
·   Entre 1993 e 1998, o número de jovens que tentaram o suicídio aumentou 40%.
No Brasil, 4,9 pessoas a cada 100 mil morrem por suicídio. É uma das menores médias do mundo. Os maiores índices são do Rio Grande do Sul (11 para cada 100 mil), sendo Porto Alegre a capital com maior taxa de suicídios (11,9 para cada 100 mil). A cidade brasileira com o maior índice é o Município de Venâncio Aires, com mais de 40 casos a cada 100 mil habitantes. Uma das causas apontadas é o agrotóxico Tamaron, utilizado em larga escala no cultivo do fumo.

·         A taxa global de suicídio no Brasil cresceu 21% em 20 anos. Os homens se suicidaram de 2,3 a 4 vezes mais que as mulheres e os idosos acima de 65 anos apresentaram as maiores taxas de suicídio. O estrato de jovens entre 15 a 24 anos foi o grupo de maior crescimento (1.900%).
·         CONCLUSÃO: A taxa de suicídio no Brasil, embora baixa, segue a tendência mundial de crescimento. Os idosos apresentam as taxas mais altas, mas, em números absolutos, a população jovem está se matando cada vez mais.
·         Em 1997 quase 1.500 jovens tentaram se matar no Brasil.
·         No mundo suicidam-se diariamente 2.000 pessoas.
·         Nos Estados Unidos são 30.000 suicídios por ano (quase 100 por dia).
·         No geral, 7% dos suicidas sofrem de dependência alcoólica.
·         Aproximadamente 90% de quem tenta o suicídio, avisa antes.
·         Em torno de 70% dos suicídios ocorrem em decorrência de uma fase depressiva.
·         Quem já fez uma tentativa, tem 30% mais chances de repetir.
Atentemos para a exortação de Santo Agostinho:
(...) Até quando os vossos olhares se deterão nos horizontes que a morte limita? Quando, afinal, vossa alma se decidirá a lançar-se para além dos limites de um túmulo? Houvésseis de chorar a Vida inteira, que seria isso, a par da eterna glória e resignação? Buscai consolações para os vossos males no porvir que Deus vos prepara e procurai-lhes a causa no passado. E vós, que mais sofreis, considerai-vos os afortunados da Terra.
Comparando-se, então, os resultados que as doutrinas materialistas produzem com os que decorrem da Doutrina Espírita, somente do ponto de vista do suicídio, forçoso será reconhecer que enquanto a lógica materialista a ele conduz, a espiritual o evita, fato que a experiência confirma.