terça-feira, 31 de julho de 2012

A travessia (III)

 

021. Ver-se a si mesmo



O estado supremo de consciência, a travessia das sombras para o encontro do ser consigo mesmo, também chamado de iluminação, não tem nenhuma diferença entre o conteúdo da consciência e a própria consciência. A integração ou unidade é a principal característica desse estado, tanto literalmente como no sentido figurado. No estado supremo, aquilo que conhecemos é a força vital, a condição universal que emerge enquanto percepção inteligente, que tem seu próprio nome. Ela eqüivale ao olho que se vê a si mesmo, ao pensamento que se volta sobre si mesmo e pensa acerca do pensar: o encontro do ser consigo mesmo. A iluminação é a travessia, é o ato reflexivo no qual a mente se conhece a si mesma, incluindo a própria experiência do conhecimento, ou o retorno à divindade (conteúdo da consciência), que eqüivale à percepção da Percepção Cósmica (da própria consciência).
Quando considerada de modo abstrato, a consciência, como a luz, tem um aspecto tanto físico como espiritual. A unificação, porém, é a realidade concreta por trás, abaixo, acima e dentro dela – muito sutil e, no entanto, real, como demonstra a evidência recente da percepção das plantas.
A consciência, enquanto bioquímica, pode ser analisada em função dos neurônios, descargas eletroquímicas através de sinapses e dos feixes moleculares que permeiam as membranas. Estes, contudo, também podem ser analisados até alcançar o nível atômico, em seguida, o nível subatômico. Onde isso acaba?
A consciência será algo bioquímico? Algo eletroquímico? E a inteligência onde entra? É muito para a parte querer conhecer do todo. Seria a consciência o todo na parte?

O que temos aqui?


Cleve Backsster, o redescobridor do antigo conhecimento indiano acerca da percepção das plantas – que os índios sempre souberam existir – descobriu que a percepção primária, que é a capacidade da vida celular animal e vegetal de perceber os pensamentos e sentimentos animais e humanos, pode ser demonstrada com minerais, metais e até com água triplamente destilada. Há uma capacidade de percepção em todas as coisas. O cosmo inteiro é sensitivo e (nos dois sentidos) sensível. Na análise final, a consciência pode ser vista como a interconexão de toda a criação ou mais precisamente, o contexto fundamental desse encadeamento e que o torna possível.
Zenão o Grego, e seu grupo filosófico, em sua época já questionava: “porque não admitir que o mundo é um ser vivo racional, já que ele produz entidades animadas e inteligentes?” As ciências mesmo desconexas têm chegado a evidências de alguma forma de consciência que acompanha toda a vida orgânica, até mesmo o mais primitivo lodo protoplasmástico. E há um número cada vez maior de evidências que indicam sua presença além do limiar da vida.
Desde a antigüidade, o pensamento hindu afirmava que atman, o centro mais profundo do ser humano, é uno com Brahman, o centro mais profundo da criação. A ciência, hoje em dia, confirma isso: eu sou o universo: eu sou a Mente Universal.
Tentemos conceber a criação como se houvesse cinco níveis, de baixo para cima: o atômico, o biológico, o psicológico, o social e o cósmico. Se procurarmos uma resposta para aquele koan básico “quem sou eu?”, tudo que for examinado se dissolverá nas outras categorias dessa metáfora. Comece-se pelo meio: o psicólogo em breve estará no social através da psicologia de grupo. No nível social, a psicologia de grupo alcança a sociologia, que por sua vez, conduz a um estudo de religião e filosofia. Dirigindo-se para a base, passa-se da psicologia para um estudo de biologia e de química. À medida que procuramos conhecer-nos melhor, passamos ao estudo da composição celular, às redes neurais e à química da emoção, da percepção, do aprendizado e da memória. Na busca porém, de uma compreensão da mentalidade, descobrimos que, em breve, descemos até o nível atômico, onde se chega ao DNA, à transmissão da radiação atômica e à teoria quântica. Estas, por sua vez, nos levam de volta ao topo. Pois a física subatômica conduz ao estudo da matéria e da antimatéria numa escala cósmica. Isso nos leva à antiga e misteriosa citação bíblica: “Assim na terra como no céu”.

E o homem?


O homem estuda, investiga, experimenta, desconfia, intriga-se e segue. Dá uns passos gigantes num sentido, depois volta arrependido. Mas já sabe das espirais interseccionais de Yeats. Já sabe do cinturão de radiação de Van Allen. No fundo, quem sabe ele saiba ser ele próprio um modelo em miniatura dessa rosca que circunda o planeta: um vórtice local num mar de energia, um emblema visível da teoria do estado imutável da criação. Não se trata tanto do caso de “eu penso” enquanto “estou pensando” ou “eu sou constantemente criado”. A consciência, enquanto fundamento de toda a atividade física e do funcionamento mental, torna-se uma espécie de radiação interna que não é, de modo algum, interna mas, antes uma área focalizada ou concentrada de radiação cósmica externa. A aura trabalhada pelos místicos, e a auréola, estilizada na pintura dos santos, é então explicável como energia eletromagnética auto-induzida, intensificada e levada para dentro da área de luz visível do espectro mediante a “pureza espiritual” desses seres – isto é, mediante a ausência neles de vibrações interferentes oriundas de processos de pensamentos confusos.
Dos quarks aos quasares, dos pulsos aos pulsares – e tudo por causa de uma pergunta “quem sou eu?” (Quarks são quaisquer das três partículas hipotéticas postuladas na formação dos blocos de construção dos bárions e mésons; quasares são as imensas formações luminosas do cosmos).
A análise final revela-se uma síntese original, e a consciência torna-se a interconexão de toda a criação numa imensa cadeia do ser. Neste caso, cadeia como sinônimo de rede, ligando o homem ao todo, como parte do todo, tendo o todo em si. Logo, se o ser humano estiver preso a outra cadeia, sinônimo de falta de liberdade, que o impeça de ser e exercitar-se como fio e nó da rede, libertemo-lo. O conteúdo e o processo, a ciência e a religião convergem no estudo da auto-identidade, revelando o verdadeiro significado de “psicodélico” = psyche delos = mente manifestada, anunciando as verdadeiras dimensões do auto-Espírito.
Quem sou? Eu sou o universo; eu sou a Mente Universal. E devo transitar por minhas dimensões como transitam todos os outros seres vivos.
Essa é a travessia. Mas, o enfoque prossegue.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A travessia (II)

 

020. A Iluminação do Cérebro


Uma das dificuldades do homem, dito civilizado, para se colocar nessa linha de comunhão com o mundo ao qual pertence e do qual se afastou por convenções das quais nem ele tem conhecimento ao certo de como vigoram e para que, é a modelação das redes neurais de seu cérebro.
Considerando que havia, ou há, redes desconexas ou “compartimentos” do sistema nervoso do cérebro, na iluminação há uma ruptura que resulta numa integração das trilhas nervosas pelas quais pensamos e sentimos. Nossos múltiplos “cérebros” tornam-se um único cérebro. O neocórtex (a parte do “pensamento-intelecto”), o sistema límbico e o tálamo (a parte da “sensação-emoção”) e o bulbo raquiano (a parte da “intuição-insconciente”) atingem um modo de comunicação intercelular anteriormente inibido, mas sempre possível. O limiar é transposto – explicável, provavelmente, em função não só da mudança eletroquímica celular mas também do desenvolvimento de novas terminações nervosas. Embora se realize mediante funções neurofisiológicas, o resultado é um novo estado de consciência. Este, por sua vez, cria um novo modo de percepção e sensação que conduz à descoberta de formas lógicas não-racionais (porém não irracionais), que são de vários níveis/integradas/simultâneas, não lineares/sucessivas/do tipo ou...ou.

Instrumentos


Como pode uma pessoa alcançar o estado supremo de consciência? Há muitas portas para o mesmo quarto. Algumas têm sido descobertas; outras têm sido desenvolvidas. As situações clássicas impulsoras têm sido a dança, o jejum e a dieta, a autotortura, o choque elétrico, o isolamento sensório, a sobrecarga sensória, os episódios psicóticos, o trauma e o nascimento pela provação, a fadiga extrema, as relações sexuais e a simples contemplação da natureza. As abordagens sistemáticas, que muitas vezes requerem uma adesão e uma disciplina rigorosa, inclui a oração, o ioga, o zen, o sufismo, o tantra, a meditação transcendental, os alucinógenos, a hipnose e os métodos secretos, tais como os de Gurdjieff e Madame Blavatsky. Recentemente, os espetáculos com efeito de luzes, a biorregeneração e a integração estrutural (“Rolfing”) também se têm mostrado eficiente. Uma introspecção decidida – que Gurdjieff chamou de o caminho do homem inteligente - tem conduzido algumas pessoas a um estado de salvação.
Nenhum desses métodos, porém, constituem um caminho seguro para alcançar a libertação. Evelyn Underhill, em seu livro Mysticism, distingue três estágios no caminho para o êxtase: o despertar do eu, a purificação do eu e a iluminação do eu. Pode-se utilizar outros termos como “estágio meditativo”, “estágio purgativo” , mas o mais importante é: por mais arduamente que se busque o “estágio iluminativo”, ele nunca poderá ser alcançado – mas apenas descoberto. Há um conceito cristão, um tanto desacreditado e posto de lado, que se aplica muito neste caso: a “graça” ou “o estado de graça”.
Também é importante insistir que iluminação não é alucinação ou ilusão. Mesmo se fosse, seria valioso experimentá-la tendo-se apenas em vista seu efeito benéfico sobre as vidas humanas. Contudo, como tentaremos demonstrar, o estado supremo de consciência é muito mais do que pura subjetividade. Ele é subjetivo, mas de uma maneira paradoxal: a iluminação revela que aquilo que é mais profundamente pessoal é também mais universal (obra citada). No estado místico, a realidade e a idealidade tornam-se una. (Continua)

domingo, 29 de julho de 2012

A travessia (I)

Ser é poder atravessar a cadeia.
A cadeia foi posta.
Ela não existe.
A Travessia consiste em retirar as grades e ganhar asas.

019. A Repressão

Os seres humanos são capazes de perceber muito mais coisas que o que percebem. A limitação dessa capacidade se estabeleceu por necessidade de sobrevivência dada a forma de organização da vida humana. Segundo Mazlov já havia descrito, os seres humanos ditos civilizados buscam atender as suas necessidades num crescendo que tem início na comida e passa pelo teto, emprego, segurança, lar, paz, amizade, associação, lazer, intelectualidade e cultura, para chegar na espiritualidade e na integração cósmica.
Essa não é a realidade dos animais e dos aborígenes que permanecem em sua habitat e cultura. Eles transitam entre as suas necessidades básicas e a sua integração cósmica permanentemente.
Entende-se que a repressão sensória foi necessária à evolução. Foi o nosso processo biológico-cultural que desenvolveu nosso estado de consciência diário e separou-nos dos animais e de boa parte de uma humanidade “não evoluída”, para os padrões civilizados, fornecendo-nos um auto-conceito, tornando-nos conscientes de que somos conscientes, mas separando-nos dessa unidade orgânica que os outros seres possuem em relação ao mundo natural. Índios e animais vivem em permanente interação e comunhão com os cosmos. Nós aprendemos a procurar por isso apenas em uma dessas duas condições: (a) quando já havemos alcançado todos os demais degraus da individualidade material e egoística: (b) quando jogamos fora todo acervo contido no (a) e seguimos o exemplo mais representativo desse estado, que é Francisco de Assis, dentre os milhares de outros.
A autoconsciência normal (que parece desenvolver-se em nós até os dois anos de idade, aproximadamente) é tanto um progresso biológico como uma desvantagem biológica. Sob o aspecto do desenvolvimento da raça, tem-se como aceito que a repressão foi necessária à sobrevivência. Sob o aspecto do desenvolvimento do indivíduo, tem-se como proposta, ela hoje não é mais necessária e, infelizmente, revela-se, neste século, como a causa principal de nossa corrida rumo à extinção.

Quem faz, desfaz


Nosso estado normal de consciência foi levado a excluir a percepção de nossa afinidade com a criação – nossa união com o divino. Mas se normalmente estamos num estado de repressão sensória, torna-se também importante observar que o homem é, foi, capaz não só de inibi-los, como será capaz de modificar ou alterar seus processos sensórios, como também de intensificá-los ou acentuá-los até atingir a sensibilidade análoga à dos animais e aborígenes. Os estudos realizados em experiências provocadas de êxtase, onde o indivíduo torna-se hipersensível a todos os tipos de estímulos, parecem sinalizar para isso.
O que é preciso notar é o que Einstein já ensinava: “nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou”. Isto é, para desatar um nó que fizemos, devemos estar mais aptos de quando atamos.
O êxtase, ex stasis, significa sair de um modo de pensamento e de percepção, biológica e culturalmente determinado, e entrar num modo místico. Neste modo, o homem retorna ao estado primordial de afazeres. O retorno, porém, encontra-se num nível mais elevado. Ele é tanto um círculo (revolução) como uma progressão linear (evolução): “um movimento espiralado ascendente”, como ensina John White na introdução de “O Mais Elevado Estado de Consciência” (Edição Cultrix/Pensamento, SP, 1972). O homem recupera sua condição primitiva, mas, ao invés de permanecer inconsciente ou sem nenhuma noção dela, tal como os animais, ele se torna superconsciente dessa condição. É paradoxal: “ao recuperar sua natureza animal, o homem se torna Deus” (obra citada). (Continua)

sábado, 28 de julho de 2012

Profecia de 2012


018. Estamos em crise de consciência
Fernando Malkún

O especialista em cultura maia explica o que esta civilização escreveu como previsões para 2012. Há quinze anos atrás, Fernando Malkún, barranquilleño (natural de Barranquilla, uma cidade da Colômbia), de origem libanesa, deixou a arquitetura que tinha estudado na Universidade de los Andes, e a qual havia se dedicado por quase uma década, para responder às perguntas que se atravessaram em sua vida. Durante esse tempo, ele se encontrou com a cultura Maia e dedicou-se completamente ao seu estudo. Hoje é um especialista no tema, com reconhecimento internacional e continua viajando pelo mundo  explicando a mensagem que esta civilização deixou para os seres humanos.

Nossas perguntas:
Os maias disseram que o mundo iria acabar em 2012?

O que diz Malkún:

Há quem gere um pânico coletivo absurdo aduzindo que eles tinham anunciado que o mundo iria acabar em dezembro de 2012. Não é verdade. Os Maias nunca usaram a palavra fim.
Anunciaram um momento de mudança, de grande aumento de energia do planeta, o que causaria "eventos de destino", isto é, definitivos, nas pessoas. O problema é que não se sabe se por ignorância ou por interesse, é mais fácil falar de “fim” do que de “começo”. O nível de consciência da maioria das pessoas atinge apenas o fim do mundo e não a transformação de consciência para um novo começo.


Quando isso vai acontecer?

Não vai acontecer, está acontecendo. As pessoas não estão juntando todas as peças do quebra-cabeças para perceber isso. Acreditam apenas que estes eventos atuais são causados
por um conjunto de "coincidências" evolutivas. Mas estamos em uma onda de mudanças como nunca antes. O que se percebe, segundo o que é dito pelos Maias? A profecia anunciou que
o planeta  aumentaria a sua freqüência vibracional, o que é um fato: esta freqüência, que  se mede com a ressonância Schumann, passou de 8 a 13 ciclos. Todos os planetas do sistema solar estão mudando. De 1992 até hoje, os pólos de Marte desapareceram 60 por cento e Vênus tem quase o dobro de luminescência. Passamos 300 anos registrando o Sol e as
tempestades solares maiores têm ocorrido nos últimos seis meses. Houve um aumento de terremotos de 425 por cento. Tudo está acelerado dos pontos de vista geofísico e solar.
Nosso cérebro, que irradia suas próprias ondas, é afetado por essa maior irradiação do sol. Essa carga eletromagnética é o motivo por que sentimos o tempo mais rápido. Não é o tempo físico, mas o tempo de percepção emocional.



Fale sobre 1992. Por que este ano? O que aconteceu?
A essência das profecias maias é comunicar a existência de um ciclo de 26.000 anos, chamado "o grande ciclo cósmico". Tudo, estações, meses, dias se ajustam a esse ciclo. Há 13
mil anos atrás, o sol – assim como agora – irradiou mais energia no planeta e derreteu a camada de gelo. Essa camada desaguou no mar, elevou o seu nível em 120 metros e ocorreu
o chamado "Dilúvio Universal".
Os Maias disseram que quando o sistema solar estiver novamente a 180 graus de onde estava a 13.000 anos atrás, a Estrela do Norte brilha sobre o pólo, a constelação de Aquário aparece no horizonte e o trânsito décimo terceiro de Vênus se der – o que vai acontecer em 6
de junho de 2012 – o centro da galáxia pulsará e haverá manifestações de fogo, água, terra, ar. Eles falam, especificamente, de dois períodos de vinte anos, de 1992 a 2012 e 2012 a 2032 – de intensas mudanças.

Por que anunciavam isso?

A proximidade da morte faz com que as pessoas repensem suas vidas, examinem e corrijam a direção que tomam. Isso é algo que ocorre somente se algo se aproxima de você, ou você
passa diretamente, te impacta tremendamente. Isto é o que tem acontecido com os tsunamis, os terremotos, as catástrofes naturais de que vivemos, os conflitos sociais, econômicos, etc.
Então, eles falam de morte. Eles falam de mudança, de um despertar da consciência. Tudo o que está errado com o planeta está se potencializando com o objetivo de que a mente humana se dedique a resolvê-lo. Há uma crise de consciência individual. As pessoas estão vivendo
"eventos de destino", seja em seus relacionamentos, seus recursos, em sua saúde. É um processo de mudança que se baseia principalmente no desdobramento invisível, e está
afetando em especial a mulher.

Por que as mulheres?

A mulher é quem terá o poder de criar a nova era, devido à sua maior sensibilidade. De acordo com as profecias – não só as maias, mas muitas – , a era que se aproxima é de harmonia e espiritualidade. As coisas que estão mal vão se resolver no período que os Maias chamaram de "tempo do não tempo", que será de 2012 a 2032. Desde 1992, o percentual de mulheres que vêem a aura (seres curadores) do planeta tem aumentado. Hoje, é de 8,6 por cento. Imagine que em 2014 seja de 10 por cento. Isso significaria o início de um período mais transparente. Essa seria a direção da mudança não violenta.
Mas o que se vê hoje é um aumento na agressividade...
As duas polaridades são intensificadas. Estão abertos os dois caminhos, o negativo, escuro, destruição, de confronto do homem com o homem; e o de crescimento da consciência.
Existem várias vozes que estão levando os seres humanos a pensar sobre isso. Desde 1992, as informações secretas dos gnósticos, dos maçons, dos illuminati, dos rosacruzes,de espiritualistas estão abertas para que se as utilize no processo de mudança de cada um e de todos. A religião como instituição organizada está acabando e a religiosidade é que irá permanecer como forma de religação daquilo que se desligou, de solda daquilo que se quebrou.

Tudo isso os Maias deixaram de escrito, assim específico?

Não a esse ponto. Eles disseram que o sol iria mudar as condições do planeta e criar "eventos de destino". O sol bateu todos os recordes este ano. Os terremotos aumentaram 425 por cento. A mudança de temperatura é muito intensa: de 92 para cá aumentou quase um grau, o mesmo que subiu nos últimos 100 anos anteriores. Antes, havia 600 ou 700 tormentas elétricas simultâneas, hoje há duas mil. Antes se registravam 80 raios por segundo, agora caem entre 180 e 220.
Centros terrenos de intensa vibração energética estão sedo descobertos.

Como eles sabiam que isso ia acontecer?

Eles tinham uma tecnologia extraordinária. Em suas pirâmides havia altares de onde eles estudaram o movimento do sol no horizonte. Produziam gráficos com os quais sabiam
quando haveria as manchas solares, quando aconteceriam tempestades elétricas. Foi um conhecimento que receberam dos egípcios, que, por sua vez, o receberam dos sacerdotes
sobreviventes da Atlântida, civilização destruída 13.000 anos atrás. Os Maias aperfeiçoaram os conhecimentos e foram os criadores dos calendários mais precisos. Um deles chamado “Conta larga” termina em 21 de dezembro de 2012, e marca o ponto do centro exato do período de 26.000 anos.
Eles sabiam que essas mudanças estavam vindo e o que eles fizeram foi dar essa informação para o homem de 2012.

Será que estas mudanças só foram levantadas por eles?

Todas as profecias falam da mesma coisa. Os hindus, por exemplo, anunciam o momento de mudança e falam sobre a chegada de um ser extraordinário assim também como o mundo ocidental cristão apregoa.
Os Maias nunca falaram de um ser extraordinário que viria para nos salvar, mas falaram de crescer em consciência e assumir a responsabilidade, cada ser na sua individualidade, sem necessidade de que alguém venha fazer o resgate. Falam de dignidade cósmica, consciência limpa.

E se as pessoas não acreditam nisso?

Acreditando ou não, vai senti-lo no seu interior. A mudança que estamos vivenciando
não é algo de se acreditar ou não. Neste momento, a maioria está vivendo um tempo de avaliação de sua vida.
Muitos se perguntam: por que estou aqui, o que está acontecendo, para onde eu quero ir?
Basta olhar o crescimento da busca de espiritualidade, não de religiosidade, porque a religião não está dando mais respostas às pessoas.
A sua vida pessoal mudou? A minha também!
Há quinze anos atrás, eu era tremendamente materialista. Minha conduta é muito diferente hoje. Eu me perguntei por que estava aqui, para quê, e por razões especiais acabei metido no mundo Maia. E posso afirmar que não se tratam de crenças falsas para substituir crenças falsas. Tirei muitas histórias da minha mente, mas eu ainda estou no terceiro nível de consciência, que é dominante no planeta. Quem está mais acima? Há pessoas que estão em um nível 4 ou 5. São as menos famosas, de perfil baixo. Em uma viagem conheci um jardineiro extraordinário, por exemplo. Estes seres estão em serviço permanente, afetando a vida de muitas pessoas, mas não publicamente. O que devemos fazer, de acordo com essa teoria? O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas. A maneira de sincronizar-nos é, primeiro, não ter medo, perceber que podemos mudar nossa consciência. A física quântica já disse: a consciência modifica a matéria. O que significa que sua vida depende daquilo que você pensa. A distância entre causa e efeito tem diminuído. Há vinte anos atrás, para que se manifestasse algo em sua vida, necessitava-se de muita energia. A vinte anos atrás qualquer fator de punição de um ato maldoso ganhavam-se os anos para receber alarde. Hoje tudo ganha destaque rápido. A corrupção pelo mundo a fora tem ganhado destaque internacional. As ditaduras estão caindo. As religiões estão a cada dia mais
problemáticas. Hoje, você pensa algo e em uma semana está acontecendo. Sua mente causa isso. O que devemos é buscar, as respostas estão aí.
O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas.

Um conselho terapêutico

Não se esconda, não fuja, não renuncie viver. Faça uma aliança. Procure pessoas que estejam desejando formar grupos de reflexão, meditação, estudos conjuntos, de experiências construtivistas. Elejam lugares com elevada energia, próximos do mar, de florestas, de cachoeiras, de montanhas, e passem a encontrar-se ao redor de fogueiras, com a coordenação de um facilitador experiente.
Vibrem muitos, todos vocês, de mãos dadas, palmas das mãos esquerdas viradas para cima, palmas das mãos direitas viradas para baixo, unidas às mãos das pessoas à esquerda e à direita, sintam a energia circulando no sentido anti-horário, façam orações uníssonas, cantem mantras de elevação espiritual. Tirem os calçados, deixem-se impregnar do telúrio doado pela mãe terra. Ergam as mãos em captação, recebam os eflúvios que vêm do alto. Esperem o convite para embarcar nos novos tempos em alto estilo.

Acredite que não foi a toa que esta mensagem chegou até você.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A verdade está pedindo passagem


017. A Igreja de Jesus

Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus. (Mateus 16, 16-19)
Sob a coordenação de Pedro, presentes os outros dez, mais Maria e seus demais filhos, no andar superior de uma casa situada no Monte das Oliveiras, registra a Bíblia, houve uma hora mística. É o que está escrito no livro Ato dos Apóstolos I 2, 1-12. Todos foram visitados pelo Espírito Santo e, incorporados, falavam inclusive línguas estrangeiras.
Havia muitos populares ali. No meio deles, os debochados. “Isto se trata de embriaguez!”, disse alguém. Pedro se levanta em defesa do grupo e, com a voz forte de um pescador saudável, repele a acusação citando Joel 3, 1-5, do Antigo Testamento: Acontecerá nos últimos dias (é Deus que fala através do profeta) derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu espírito e profetizarão. Farei prodígios em cima no céu e milagres embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça...
E Pedro confirma: Jesus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.
Isto é, os membros da reunião recebiam espíritos, incorporavam espíritos, na melhor versão explicativa de uma sessão espírita, como entendem os milhões de espiritistas pelo mundo a fora.
Para milhões de cristãos não impressionados pelo pensamento religioso que afasta esse entendimento, não resta nenhuma dúvida de que os seguidores de Jesus praticavam, ao menos ali naquela primeira reunião de importância para o começo da igreja (entregue a Padro), algo muito espiritual. Perseguidos os seus seguidores tanto quanto o fora Jesus, pelos poderosos da época, sem direito à defesa, os membros da nova fé ensinada por Jesus, advogado dos pobres, manso e humilde, encaminharam-se para as catacumbas, passaram a promover suas reuniões de fé nos esconderijos, a exemplo do que já ocorreu com os umbandistas, kimbandistas e outros, em tempos passados. A Igreja de Jesus buscava respostas no plano da Justiça e da Libertação, com forte apelo espiritual. Existem citações suas ao Pai, mas são extraordinariamente mais numerosas as suas citações ao Espírito Santo. Só não vê quem não quer, como Ele mesmo ensinou: Têm olhos e não vêem!
Pesa muitíssimo também o fato de que Roma mandou crucificar Pedro e o colocou de cabeça para baixo na cruz.

Uma ponte chamada “Paulo”

O cidadão judeu, nascido na Turquia, colaborador do Império Romano e perseguidor de cristãos, chamado Saulo de Tarso, tem uma visão durante a qual se encontra com Jesus ressuscitado e resolve inverter a sua vida. É evidente que após o retorno de Jesus à vida, os dirigentes romanos tomaram conhecimento do fato. Pilatos já estava mordido desde a escuridão (ausência do sol) às três horas da tarde daquela sexta-feira da crucificação de Jesus, o que, como vimos, apressou sua decisão de autorizar a retirada do corpo de Jesus da cruz, para ser entregue ao tio, José de Arimatéia. Para salvaguardar-se, colocou sentinelas à entrada do túmulo, numa visível providência para evitar aglomerações e manifestações de fanáticos.
Paulo inicialmente no Oriente Médio, passa a pregar o cristianismo um pouco à revelia de Pedro e dos demais apóstolos e se vale de suas qualidades de orador e escritor. Por conta disso, entra em colisão com Thiago, irmão de Jesus. Passa a dizer aos gentios que a fé de Jesus não exige ritos, oferendas, circuncisão e dízimos, portanto, alheia às tradições judaicas. Paulo foi o grande difusor da proposta de Jesus e certamente um dos canais pelos quais os romanos, como ele, descobriram o Caminho Cristão. A primeira igreja de Jesus se chamava Caminho, a propósito da sua citação: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Caminho que poderia ser substituído por Amor, porque Amor, Verdade e Vida, são exatamente a mesma coisa, não podem ser minimizados: são totais ou não são.
Os romanos, cuja fé ainda se envolvia com os deuses do Olimpo, mas já contaminada pela cultura egípcia, através do culto a Íris e Osíris e, portanto, já incluindo a salvação da alma – centro da proposta de Jesus – passaram a sentir a necessidade de aceitar uma nova dimensão para a vida. Foi assim que a fé cristã se espalhou pela Europa, através de Roma e Atenas.

O que houve?

A história dos hebreus, dentro da Bíblia, é uma sucessão infinita de comunicações espirituais acompanhadas da confirmação pelos fatos reais. Começa com Abraão e continua com todos os demais profetas, desembocando na figura de Maria e do seu filho Jesus, tudo calculadamente previsto e anunciado, escrito e registrado, feito e testemunhado.
Com a ajuda espiritual e o concurso de anjos de luz, homens e mulheres da época souberam da vinda de João Batista, da reencarnação de Elias, da chegada de Jesus. Na qualidade de profeta e interlocutor de Deus, João Batista, portador de faculdades para-normais, ao batizar Jesus, o anuncia para a platéia como preparador de uma nova aliança entre todos os homens e Deus.
Por parte dos judeus é compreensível a resistência quanto a Jesus, pois ele próprio anunciou-se como ruptura entre o passado e o futuro. Mas não se faz compreensível a tentativa de vincular a fé trazida por Jesus com a fé judaica. Elas são incompatíveis desde o instante primeiro quando Jesus desvinculou-se da solução imediata (mandar embora os romanos) e anunciou quebrar o vínculo com os seus tutores e oferecer um canal direto de contato com o Pai, o que incomodou bastante os sacerdotes e as autoridades religiosas judaicas e romanas.
As autoridades romanas, distantes da Galiléia, no século IV, repetiram o equívoco: a igreja de Jesus ficou sendo uma seqüência da igreja judaica, como de fato não aconteceu porque de fato não é.
E a ciência e a filosofia, que poderiam ter contribuído para a elucidação, omitiram-se, acomodaram-se. Hoje retorna ao tema. Estamos metidos num paradigma dito materialista e isto tem feito muito mal à humanidade. Há séculos se tenta trabalhar para negar essa parte da obra de Jesus com o apoio de cientistas ateus. Pode-se até dizer de modo diferente: cientistas ateus tentam trabalhar para negar essa evidência com o apoio de algumas igrejas. A Igreja de Roma, chegou a patrocinar a Inquisição e, por quase 500 anos, fez mergulhar na escuridão das masmorras a prática espiritualista ensinada por Jesus. O número de pessoas sacrificadas em nome daquele maldito instituto, proporcional aos tempos atuais chegou a 22 milhões de execuções.
O ato de negar que a proposta da Igreja Cristã esteve e está na prática da messe espiritual, é o mesmo que negar a Jesus, mudar o curso de sua doutrina. Foi pela proibição do Jesus espiritual nos altares das igrejas cristãs, que se garantiu a proliferação dos terreiros e igrejas marginais. Terreiros e igrejas marginais também proibidos, perseguidos, como há 2.000 anos. E, por isso, fortalecidos.
Isaías advertiu 700 anos antes de Jesus, como registra Marcos 7, 6-7: Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim; em vão me prestam culto, ensinando doutrinas e preceitos humanos. Disse também que Deus enviaria o Servo em quem depositarei o meu Espírito para que leve às nações a verdadeira religião (Isaías 42, 1).
Aos homens cegos, surdos e mudos para a mensagem de Deus, em Isaías 65, 15 está o aviso: Sereis uma maldição entre os meus eleitos, enquanto meus servos receberão um novo nome.
O mesmo Isaías, em 59, 21 fala da nova aliança a ser firmada com o novo Messias: Eis a minha aliança com eles, diz o Senhor: ‘meu espírito que sobre ti repousa, e minhas palavras que coloquei em tua boca, não deixarão teus lábios, nem os dos teus filhos, nem os de seus descendentes...’
Ressuscitado, Jesus entregou aos seus discípulos a última mensagem de sua missão na Terra: Então lhes abriu a inteligência para compreenderem as Escrituras e lhes disse: ... Eu vos mandarei o que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto (Lucas 24, 44-49).
Então, para quem quer compreender, não restam mais dúvidas, a Igreja Cristã começou com uma sessão espiritual em que, no mínimo, os discípulos estiveram incorporados. Ali também havia mulheres, dentre elas Maria. O apóstolo Lucas, que é o autor de Atos dos Apóstolos, escreve em 2, 3-4: Apareceram-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram em cada um deles. Ficaram todos (TODOS!) cheios do Espírito Santo”. O texto é global, não excludente. Todos.
Quem tem olhos e ouvidos e quer ver (ler) e ouvir, vê (lê) e ouve o que não se tem como esconder e subtrair: a Igreja de Jesus recebeu quatro fundamentos indiscutivelmente claros, a saber:

         1. Cunho espiritual;
         2. Promoção da justiça;
         3. Emprego da solidariedade;
         4. Prática da fraternidade.

Os homens mudaram isso? Sim! Inúmeras igrejas ditas cristãs se apropriaram do nome de Jesus e se intitulam herdeiras de sua doutrina, para colocarem-no como patrono de crenças d’Ele muito distanciadas. Por isso, se tornaram malditas, enquanto que os fiéis seguidores de Jesus receberam um novo nome.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A transformação esperada

        
016. A crise íntima dos médio-orientais

Apesar de terem estado no centro das atenções do planeta nestes últimos 20 séculos, o povo do Oriente Médio padece os efeitos de uma birra histórica não suplantada. Abraão não podia ser pai e buscou a participação de uma escrava para gerar seu primogênito, a quem chamou de Ismael. Eis que Sara, sua esposa engravida e vem o filho antes desejado e não obtido, ao qual se deu o nome de Jacó. O bastardo foi desprezado. Deu causa, porém, ao povo árabe, enquanto Jacó deu causa ao povo israelita.
Na soma dos principais problemas da região, pesam bastante a falta de pensamento livre, de reflexão profunda, de análise objetiva, de olhar crítico sobre si e de respeito aos direitos humanos. A prática do perdão, ensinada por Jesus, nem se cogita. Tanto os seguidores de Adonai, como de Maomé caem na mesma cova. A ilegitimidade é a doença infantil da sua política de relacionamento dentro e fora de suas fronteiras. O profundo abismo que os separa do pluralismo secular ocidental, é a fé, que os faz diferentes, além da língua e da raça, mas também quanto à retórica, à lógica, à ética, às noções de verdade e liberdade, à honra, à confiança, à família, à amizade e à hospitalidade, itens que mais têm contribuído para desentendimentos do que para entendimentos.
Parece claro que foram esses os condimentos que os afastaram de Jesus.
O seu povo resume a sua existência a uma soma constante de amarguras político-econômicas, com frustrações coletivas e à prática de descarregar esse estado emocional contra inimigos que possivelmente se localizem dentro de suas próprias cabeças. Desta forma, há 2000 anos, Jesus foi encarado como um desses inimigos. Continua sendo hoje.
De um lado, o capitalismo promove a exaustão de seus poços de petróleo, sinalizando que quando secarem os poços ou quando o petróleo deixar de ser a principal fonte energética do planeta, a situação será ainda pior. Quem sabe? De outro, o socialismo associado ao nacionalismo não tem, tanto quanto o capitalismo, resolvido o problema da distribuição de renda, do subdesenvolvimento.
A dívida externa regional é maior que 300 bilhões de dólares.

A Palestina

Na condição de parcela do Oriente Médio, a Palestina é um território assombrosamente marcado pelo ódio tribal. A tribo hebraica odeia a tribo de Maomé, e a tribo árabe odeia a tribo de Adonai. Os judeus são considerados invasores. Os árabes sonham com a unidade islâmica. Os judeus querem aumentar as fronteiras e trazer do exílio alguns milhares de irmãos extraviados.
Israel aumentou em 50% o território originalmente oferecido pela Organização das Nações Unidas, em 1948, ao invadir áreas limítrofes. Nos territórios ocupados, os cidadãos existentes não judeus são mantidos como escravos ou, no mínimo, como cidadãos de segunda classe.
A ONU há mais de 30 anos vem censurando Israel pela prática de invasão de territórios alheios, tanto quanto censurou o Iraque pela invasão do Kweit, em 1991. Contra o primeiro não se aprovam boicotes comerciais e nem se determina a guerra. Contra o segundo, sim.
O que mudou entre uma e outra atitude da ONU, é que sobre o território do Kweit os Estados Unidos possuem enormes investimentos em captação de petróleo e nas áreas ocupadas por Israel existem apenas camponeses pobres e humildes.
Em torno de Jerusalém circulam menos cristãos que adeptos de Adonai e de Maomé. O templo construído e destruído, reconstruído e redestruído ainda simboliza a arca da aliança dos hebreus com Deus e ainda fermenta uma longa espera pelo messias que não veio.
Os poucos cristãos judeus, pertencem à Igreja Ortodoxa, isto é, dissociada de Roma, com Papa próprio, com sede na Turquia.
        
Paz para a Galiléia

As divisões e o ódio entre as centenas de seitas, são notórios. Numa dessas ocasiões, em 1982, a situação evoluiu ao extremo de colocar os cristãos a serviço dos judeus contra os palestinos refugiados na Galiléia, terra onde Jesus viveu, trabalhou e pregou. Ali, ao Sul do Líbano, outrora Galiléia (de Nazaré, Tiro e Sidon), vivem 330 mil palestinos expulsos de onde viviam pela chegada dos judeus que ocuparam o Estado de Israel, criado por decreto da ONU em 1948. Os direitistas cristãos e o muçulmanos libaneses, que se odeiam e disputam posições políticas e territoriais, entraram em guerra nesse ano e, de parte a parte, partiram para o extermínio dos palestinos acampados, causando milhares de mortes. Os cristãos foram financiados por Israel, numa operação que se chamou “Paz para a Galiléia”.
E não é só. Israel também tem atacado periodicamente as cidades próximas de sua fronteira, visando alargar seu território. Faz isso sob qualquer pretexto, ocupa a área, bem ao estilo de Saddam no Kweit. Prospera, assim, a infantil doença da ilegitimidade, como nos referimos atrás.
Numa dessas incursões, o Serviço Secreto judeu invadiu o Centro de Estudos Palestinos da OLP - Organização pala a Libertação da Palestina, em Beirute, capital do Líbano, destruindo e carregando em caminhões, que seguiram para endereço ignorado, um acervo histórico fruto de 17 anos de trabalho de 80 pesquisadores da história e da cultura palestinas. Entre os documentos destruídos, muita coisa se relacionava com o próprio Messias, Jesus. O comandante dessa operação, Ariel Sharon, em 2001 ocupava o cargo de primeiro-ministro de Israel, prometendo negociar a paz com a Palestina. Houve paz? Haverá paz? 
          

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ali a cobra vai fumar


015. A terra natal de Joshua

Belém, Galiléia, Jerusalém, Palestina, tudo isso fica ao lado de Israel, no Oriente Médio. Queiramos ou não, o Oriente Médio é a encruzilhada de três continentes: África, Ásia e Europa, o que lhe dá uma importância particular em relação ao mundo. E desde muitos séculos. Para completar, é hoje a região detentora de uma das maiores riquezas energéticas do planeta, num contraste assombroso entre a superfície desértica arenosa e o subsolo pródigo em jazidas de petróleo. Um dia vai acabar, mas está lá.
Os contrastes também se reproduzem nos homens. Apesar de apresentar um dos mais altos índices de renda per capita do mundo, o Oriente Médio abriga no seu seio uma população com números desgraçadamente vergonhosos em termos de miséria e subdesenvolvimento.
As somas fabulosas da receita com a venda do petróleo, não são investidas no bem-estar dos habitantes locais; vão para as contas secretas dos bancos multinacionais, compram ações de poderosas empresas de outros continentes e financiam bacanais inacabados dos seus privilegiados detentores do poder político e econômico. Nem mesmo o seu único e principal produto econômico, o petróleo, é refinado localmente a fim de gerar empregos e melhorar o desempenho da economia; é enviado como produto primário para refino fora da região.
Em virtude de sua importância estratégica, ao menos enquanto o petróleo ocupe lugar de destaque como fonte energética, os países da região e seu povo continuarão alvos dos interesses de poderosos cartéis internacionais e submetidos às mais absurdas situações, inclusive pelos problemas culturais e religiosos de sua gente. E quando o petróleo deixar de ter importância, como será?
Berço das pioneiras civilizações urbanas do mundo e centro de fantásticas epopéias nascidas sob as luzes de Cartago, Babilônia, Bagdá, Jerusalém e Damasco, hoje a região não teria como resistir à décima parte do trabalho de um Messias idêntico a Jesus.
Os seus cerca de 140 milhões de habitantes, distribuídos entre Turquia, Síria, Líbano, Israel, Jordânia, Arábia Saudita, Iêmen Democrático, Iêmen, Omã, Catar, Bahrein, Kwait, Iraque, Irã e Afeganistão, são majoritariamente islâmicos, religião que a cada dia se torna a causa e o efeito dos principais problemas sociais e políticos dessa gente.
A particularidade desse povo nasce de sua primeira divisão, provocada pela referida aliança de Deus com um povo específico dentre os primos árabes, através de Abraão, que foi o povo hebreu nômade. Ao prometer-lhe uma terra onde, se quisesse e pudesse, poderia plantar raízes e organizar uma sociedade não itinerante, Deus Jeová assinalou o primeiro conflito social entre os primos árabes. Os hebreus passaram a não aceitar, desde 900 anos antes de Jesus para cá, a designação comum a todos. Por serem habitantes de Judá, passaram a autodenominar-se judeus.
É importante destacar que apesar de todos os envolvimentos da região com Jesus, não é a Jesus que eles seguem. Os judeus não o aceitam como o messias anunciando pelo Antigo Testamento. Desde o século III, seu Deus mudou de Javéh ou Jeová para Adonai (Senhor). Os árabes, mais numerosos, cerca de 500 milhões no mundo todo, seguem a Maomé, um ex-chefe de um bando armado, que se transformou em grande líder e seu profeta maior.
Os islamitas, como também são chamados os membros da religião fundamentalista maometana, transferem para a religião todas as questões ligadas ao governo, à economia, à política, à educação... A cada desentendimento mesmo em família, surge um novo dirigente espiritual, uma nova seita, um princípio de guerrilha. E se o desentendimento ocorre com os primos judeus, o barulho é maior ainda; o mundo todo se envolve na rusga, porque o mundo todo acolhe judeus e estes são solidários com os que ficaram em Israel.
O Oriente Médio viveu muitos séculos fechado em si mesmo e nada tem da cultura ocidental. Pelo contrário, é vítima dela.
No passado, através do Império dos Omíadas, foram os árabes que invadiram a Europa (de 714 a 1212 d.C.) e deixaram profundas marcas de sua etnia e cultura, principalmente na Ibéria e, por extensão na Ibero-América.
Tirando-se, porém, o brilho dessa época, os árabes não conseguem contabilizar outras conquistas políticas: eles foram sistematicamente invadidos por outros povos. Hoje a invasão não é vista, é mascarada. Quem detém o poder de abrir ou fechar as torneiras do petróleo árabe é, no fundo, também dono do país. E os donos das megaempresas multinacionais do Ocidente são, efetivamente, os invasores. O invasor contemporâneo nem sempre coloca os seus generais no solo invadido e no interior do palácio submetido. O invasor contemporâneo fica com a chave do cofre.
Assim, invadidos, invadindo-se mutuamente, enfraquecidos em sua identidade racial, política, religiosa e cultural pela prática do anticorporativismo, os habitantes da região natal de Jesus têm os olhos ou no passado ou no futuro. Para os muçulmanos, o progresso está atrás, mais de 1.400 anos atrás com Maomé. Para os judeus, o progresso está no futuro, com o messias que virá reinar em Jerusalém e dominar o mundo. É difícil, entre eles, encontrar uma atividade onde não se misture nacionalismo, racismo, religião, governo e forças militares ou para-militares.
O primeiro grande choque do mundo árabe com o ocidente, foi a campanha de Napoleão Bonaparte (século XVIII). O segundo foi com a Guerra do Golfo Pérsico (1991). Foi quando o triunfante e dinâmico mundo ocidental se bateu contra o imóvel, saudosista e prisioneiro do passado mundo muçulmano.
Por se tornar algo ocidental, o Xá do Irã foi acusado de “perder a alma” e alijado do poder. Em seu lugar assumiu o autêntico valorizador das tradições de seu povo, Aiatolá Khomeini, já sucedido por discípulos seus também autênticos. Uma grande virada está sendo aguardada ali.