sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (VII)


Revelações

Enredados no emaranhado das notícias imprecisas sobre nós mesmos e sobre Deus, criamos mitos, alimentamos lendas. Que pobreza precisar iludir-se com mitos, crer em lendas, não é mesmo?
E dizem que para bem aprender é preciso esquecer várias vezes. O mundo seguiu esse método. Tudo o que se questiona em nossos dias havia sido resolvido pelos antigos; anteriores aos nossos anais, suas soluções escritas em hieróglifos não tinham mais sentido para nós; um homem (Eliphas Levi) reencontrou sua chave, abriu as necrópoles da ciência antiga e deu a seu século todo um mundo de teoremas esquecidos, de sínteses simples e sublimes como a natureza, irradiando sempre unidade e multiplicando-se como números, com proporções tão exatas quanto o conhecimento demonstra e revela o desconhecido.
Mas, compreender essa ciência não é ver Deus. Deus não está para ser visto, nem para aparecer como miragem sobre uma montanha ou uma árvore. Todos que escreveram sobre Ele ao terminar sua obra, terão acreditado tê-lo demonstrado. E não o fizeram. Nem mesmo sabe quem são eles próprios. E acham que viram Deus, falaram com Ele.
Depois de haver visto Deus, o hierofante terá dito: Virai-vos e, na sombra que projetais na presença desse sol das inteligências, ela (a sombra) fará aparecer o diabo, o fantasma negro que vedes quando não olhais para Deus é quando acreditais ter preenchido o céu com vossa soberba, porque os vapores das trevas costumam crescer demais.
Concordar a ciência com a revelação como sugere a ordem religiosa, a razão unida à fé, demonstrar em filosofia os princípios absolutos que conciliam todas as antinomias, revelar enfim o equilíbrio universal das forças naturais, tal é a tripla finalidade de quem busca não dividir para reinar.
O homem está sendo esperado na porta que fica no Oriente (de onde vem a luz), onde anjos guardiões o aguardam com espadas flamejantes à mão. Mas o infeliz não olha para a luz, olha para a sombra e segue no rumo Oeste. Lenda não, palavra divina ou não, este trechinho ilustra a despedida de Adão e Eva do Éden. Queiram ou não queiram os teólogos, deístas ou teístas, ateus ou agnósticos, esta metáfora registra o momento em que o pequeno cérebro do homem primitivo entendeu que podia pensar. “Então vá, desenvolva-te, cresça e apareça por teus méritos e nós te receberemos com abóbada de espadas flamejantes para saudar tua vitória”. O problema é que no meio do caminho com luzes parciais, o soberbo outorgou-se poderes que não tem e começou a lutar contra Deus. Pior ainda, entendeu que ganhou a luta e se fez rei. Arranjou adeptos, tem feito um governo horroroso, com o foco apontado para as sombras. Seus fantasmas se tornam cada dia maiores e mais exigentes. Querem maior dose de alimento. Aonde isso vai parar?
Todos sabemos!!!

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