terça-feira, 2 de outubro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (V)

 

As Vestais, os Castos


Além dos cultos solar e lunar, existiam também as Vestais (sacerdos vestalis) que eram as sacerdotisas da deusa Vesta e encarregadas de manter aceso o Fogo Sagrado de Vesta, informação que está associada ao Kundaliní, mas era simbolizado por piras acesas dentro dos templos. Este fogo era o santuário mais importante de cada cidade romana e deixar uma chama destas apagar era passível de pena de morte. Caso uma chama se apagasse, os sacerdotes precisavam acender uma tocha em um templo vestal em uma cidade próxima e trazer este fogo sagrado até o altar. Se você pensou em “tocha olímpica”, acertou. Esta é a origem da tocha. E não tem como não relacioná-la à Kundaliní.
A origem sagrada deste fogo remonta ao fogo que Prometeu roubou dos deuses e que lhe custou o castigo eterno. Não apenas porque Prometeu roubou o fogo, ele também tornou profano algo sagrado, como nós tornamos profanos o fumo, o álcool, o sexo...  
Outra correlação interessante para quem não saiba: Prometeu é citado pelo poeta Ascilus e Hesíodo como “o Portador da Luz”, cujo nome em grego é Phosporos. Talvez você não reconheça o nome dele em grego, mas em latim eu tenho certeza que você conhece: “Lúcifer – A Estrela da Manhã, o Portador da Luz”. Surpreso?
Bem, como você pode sintetizar no que vem lendo, tanta coisa sagrada acabou profana, não sem antes sofrer excomunhão pela Igreja. Nada tem de absurdo elevar o sexo entre duas pessoas ao patamar sagrado, pois dessa união nascem as crianças. É ou não é sagrado? Já não se pode dizer a mesma do sexo no prostíbulo, onde a relação se dá mediante pagamento e não raro se transforma em perigosas doenças sexualmente transmitidas.
Nada deve ter de absurdo num ritual indígena em que o pajé acende seu cachimbo como incentivo à sua viagem astral. Já não se pode dizer o mesmo do consumo de cigarros que se transformam em perigosas doenças da boca, garganta, pulmões e estômago.
Nada deve ter de absurdo num ritual em que o sacerdote ingere uma bebida fermentada para facilitar sua interação com os deuses. Já não se pode dizer a mesma coisa dos milhares de litros de bebidas alcoólicas vendidas para gerar lucro ao fabricante e para embriagar e complicar a vida e a saúde de milhões de pessoas.
Hoje quando vocês vêem aqueles atletas carregando garbosamente a tocha olímpica, que simboliza aquela festa das nações de quase todo o planeta, pode estar associando esta prática ao culto à Kundaliní, por sua vez associada ao chakra Fundamental, profundamente ligado ao sexo, ao prazer, ao êxtase. E que não pode ser dissociado de Lúcifer. Bacana, não?
Sua resposta certamente não será “sim” e é compreensível. Nós fomos ensinados que Lúcifer é o diabo e que o diabo é o adversário de Deus. Mas, isso quem sugeriu foi a Igreja, seus papas, cardeais, bispos e padres. Lúcifer tem uma história muito próxima do que conhecemos sobre Adão e Eva. Por extensão pode ser a história de todos nós. Nos fizemos adversários de Deus e agora andamos correndo atrás do prejuízo para provar que podemos ser seus aliados.
Voltando às Vestais. As Vestais tinham de ser virgens, pois a energia e os chakras delas – se dizia – vibram e podem ser trabalhados de maneira diferente. Os ocultistas chamam isto de Chastitas, de onde vem a palavra castidade. Na Ordem Rosacruz chamam estas meninas de columbas (que é o nome latino da pomba) e elas são responsáveis por algumas das partes mais bonitas da ritualística. Os maçons também trouxeram esta simbologia para dentro de seus rituais colocando o símbolo da pomba na jóia dos seus diáconos.
A Chastitas não precisa envolver a falta de sexo. É diferente do que novamente a Igreja ensinou. Aliás ela se desenvolve nas sacerdotisas e sacerdotes que escolhem este caminho, que é a virtude do Àgape, ou amor pela humanidade. O iniciado Platão foi um dos que mais estudou este tipo de ritualística, de onde se originou o termo “amor platônico”.
Sócrates estudou este processo e desenvolveu o chamado Chastitas Pederastia, que é uma relação de amor casto entre um jovem e um adulto do mesmo sexo (normalmente um guerreiro mais velho e o aprendiz de soldado, especialmente nos exércitos gregos). Mas este “amor” a que ele estava se referindo não era o amor homoerótico (que inclui sexo), mas sim o amor fraternal de um Mestre de Guilda para com o Aprendiz. Para tentar traçar um paralelo, pode-se pensar na relação entre Batman e Robin, entre Merlin e Arthur, entre o professor e o aluno, entre o terapeuta e o paciente.
A Igreja deturpou a palavra “pederasta” como sinônimo pejorativo para o que mais recentemente se dá o nome de bicha, viado, homossexual. Disto seguem aquelas lendas absurdas que os soldados gregos eram gays. Também foi uma das acusações mentirosas que a Inquisição usou contra os Templários, já que esta tradição da pederastia se estendeu para o conceito de Cavaleiro/escudeiro ou Mestre/aprendiz.
E se porventura tenha sido verdadeiro? Hoje somos levados a aceitar a diversidade sexual e somos ameaçados com a lei quando a discriminamos. Como será o futuro da sociedade em que um maior número de homens com homens e mulheres com mulheres coabitem como parceiros conjugais?
Mas, não podemos perder de vista que a Castidade – na Antiguidade –funcionou através de uma alquimia diferente, transformando o que seria o desejo carnal e sexual em uma energia espiritual através do desenvolvimento dos chakras superiores e do controle dos chakras inferiores. Exemplos deste tipo de iluminação incluem os monges budistas, monges shaolins, os padres da Igreja, algumas santas e outros eremitas da literatura religiosa e ocultista.
A Igreja Católica tentou copiar estes preceitos de monges nos padres, mas esqueceu de avisá-los que isso precisa ser treinado. O resultado disto são pessoas que “fazem votos de castidade”, mas não sabem exatamente o que estão fazendo e não acreditam em chakras. Frequentemente encontramos padres patrocinando escândalos de pederastia e pedofilia. E com isso ficam todos complexados e cheios de necessidades carnais, naturais de todos os homens, não raro sendo apontados como desajustados. E, de fato, muitos são. Não se pode conter a natureza, ela extravasa. Nesta relação do mestre/aprendiz tem origem histórica os coroinhas das igrejas. O problema é levar isso para o lado jocoso ou para o preconceito, como também ocorre.
Nas próximas postagens retomarei a Androginia vivida pelas pessoas comuns, isto é, eu e você, que não somos deuses e nem monarcas para encerrar a série mostrando o quanto de importante foi e é a dimensão sexual humana.

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