Amor, o cardápio deste século (em sete estágios)
Pode-se enumerar ligações e situações amorosas entre companheiros e amantes, entre pais e filhos, entre colegas e amigos (geralmente chamadas de amizade sem deixar de ser amor), entre mestre e aluno ou terapeuta e cliente, como também podemos citar o amor próprio e o amor incondicional ou amor espiritual de muitas formas. Para melhor compreensão da profundidade, forma e objetivo do amor entre os seres, ofereço a ele sete estágios:
1. Amor neutro – é a forma do amor promessa, do amor dúvida, a forma doentia ou do não amor, muitas vezes do desamor, da revolta, do não sentimento dessa vibração inerente ao bem, encontrada nas pessoas desajustadas, carentes, dominadoras, facínoras, nas mentes profundamente atingidas por deturpações, corrompidas, dirigidas para um egoísmo doentio e insensível a qualquer reconciliação com os conteúdos da piedade, da solidariedade, da caridade, da doação, da tolerância. Esse é um estágio em que o ser se oferece para ser educado, domado, construído... Este estágio exaspera-se numa sociedade em que as crianças são abandonadas, muitas vezes, dentro do próprio lar e muitas vezes entregues a pessoas maldosas, capazes de maus tratos e torturas.
2. Pornéia – é a forma de amor centrado no prazer carnal, às vezes confundido com paixão e, na realidade, atração sexual exasperada, nunca satisfeita, um pouco bastante por conta do instinto. Encontramos o desenrolar de pornéia em homens, mulheres e homossexuais, cuja busca pela realização se concentra mais na busca do que no encontro, embora possa se transformar, com freqüência, noutro dos estágios aqui apresentados e não raro podendo descambar para a pedofilia e outras deturpações. Homossexuais abusados, agressivos do ponto de vista de escandalizar por palavras e comportamentos são típicos habitantes do estágio pornéia com resquícios do estágio de amor neutro.
3. Filos – é a forma de amor centrada na segurança: relacionamento certo, seguro, possível, estável, duradouro. O amante neste estágio sabe que é um ser separado da coisa que ama, mas se conecta a ela de uma forma um tanto quanto doentia no que a relação tem de dependência. A ênfase deste relacionamento é geralmente material. A atenção está no conforto, na estabilidade, na segurança, no carro novo, numa casa maior, num emprego melhor, nos clubes e hotéis mais agradáveis, na próxima viagem, etc. Uma das principais razões para filos são as necessidades de um pelo outro, no que o outro encerra. Os cônjuges, cujo casamento já passou pelo estágio pornéia podem evoluir para filos, até que a morte os separe e também podem evoluir para outros estágios.
4. Eros – é a forma centrada nos relacionamentos intensos de ordem física e emocional. A forma Eros percorre os hormônios, as glândulas e os órgãos, afetando as emoções de forma excêntrica. Esse amor manipula os campos ansiosos, elétricos e magnéticos. É a chamada “paixão” pela pessoa que projetamos como ideal. Os parceiros, de forma recíproca, projetam suas fantasias e expectativas. A mulher projeta nele a sua masculinidade; o homem projeta nela a sua feminilidade. Geralmente pouco dura. Alta intensidade, baixa durabilidade, é a sua marca registrada deste estágio. Porém tanto quanto a forma Pornéia, esta tem todas as condições de evoluir para outros estágios.
5. Ágape – é a forma que, apesar de sugerir um banquete, é oposta aos fenômenos do prazer carnal, da paixão e da resignação encontrados em pornéia, eros e filos. Ágape é amor além da carne, além do afeto, além do diálogo, além das dependências físicas, emocionais e intelectuais, podendo ser a soma de todos ou de vários desses fatores, mas não algo incondicional. Ágape tem suas condições, apesar de ser uma forma rara de amar: é um amor centrado um tanto na renúncia dos próprios interesses em consideração ao ser amado ou seres amados. É voltar-se ao outro, aos outros, segundo algumas necessidades a serem preenchidas na recíproca. É o ato de dar sem representar sacrifício, como uma escolha voluntária do coração. Não é amor exclusivo, mas é um relacionamento único. Mães e pais, avôs e avós, cônjuges, pessoas que se doam continuamente podem viver ágape e sentirem-se realizados.
6. Transcendental – é a forma parcialmente alimentada por alguns ou por todos os estágios anteriores, mas sempre nivelando por cima. Só é possível explicá-la convenientemente quando experimentada entre uma mãe e seu filho e naqueles casos mais acentuados de total devoção, crença, fé e incondicional entrega ao ser amado ou seres amados não só mediante o corpo físico, a mente, a alma, o coração, mas mediante todo o conjunto. É claro que nem todas as mães e nem todos os filhos se enquadram neste perfil. Esta é uma situação apenas compreendida por quem tenha a competência de se projetar para além do mundo das formas e encontrar ali, quem sabe, algumas ou todas as respostas para os mistérios da criação.
7. Espiritual – é uma interpretação novíssima, inédita, para explicar a colimação das experiências transcorridas nos estágios inferiores. Neste estágio devem ser zeradas as sensações que possam conter referências de muito forte impacto positivo e negativo. O estágio do Amor Espiritual não é apenas onde são encontradas aquelas pessoas que aprendemos chamar de “anjos que não têm asas” e nem aquelas pessoas que não têm sexo. As características principais dos ocupantes deste estágio são sublimadas por um amor que não trai, não se obriga por razões legais e extrapola as razões morais, nada fica devendo, nada cobra, dá antes de pedir e se realiza nos êxtases proporcionados pela incondicionalidade das situações. No Amor Espiritual também é encontrada a satisfação, o prazer, o êxtase, porém com outras significações e sem os riscos da decepção, da amargura, da traição, da rejeição. Por vibrar em campos menos densos, permite que sejam evitados os equívocos e funciona como remédio de cura das frustrações trazidas das fases anteriores. A pessoa que tenha tido experiências, mesmo as mais significativas, como as que são sugeridas pelos rituais de cunho tântrico, ou que possa estar trazendo delas algumas marcas insuperáveis quanto a perdas e decepções, será curada no estágio do Amor Espiritual. Nela encontrará a compensação, o prêmio, a consolação, o rearranjo final para o conhecimento profundo do amor. Nela, deixam de figurar como focos das relações: (a) o orgasmo, pura e simplesmente, que precisa estar superado; (b) as estimulações de regiões eróticas, agora já superadas por outras sensações; (c) os espasmos ou contrações físicas destinadas a trazer grande satisfação aos conjuntivos, mas, que nesta fase já estão superados pela evolução havida; (d) as frustrações ou rejeições trazidas como recordações das fases anteriores; (e) a traição unilateral ou recíproca vivenciada, superada ou não e suscetível de cura no processo evolutivo; (f) a incompatibilidade de gênios vivenciada e superada ou não; (g) a monotonia conjugal ou relacional, idem, superada ou não e também parte do processo evolutivo. O estágio do Amor Espiritual é a sublimação de tudo o que o amor pode proporcionar pela via das vibrações, mediante a utilização, sim, das energias através dos nadis e dos chakras, mas com efeito além do plano material, ampliado por percepções extáticas reproduzidas além das regiões erógenas e nervosas, com resposta no corpo astral. Para experimentar e desenvolver o Amor Espiritual, é necessário ao casal energias compatíveis; deverão assegurar entre eles, antes de tudo, uma grande identificação espiritual, a maior confiança psicológica recíproca e estarem dispostos a doações extremas, durante as quais, pode acontecer, de um só dos dois ser compensado. É quando ocorre uma maior sensibilidade ou receptividade por parte maior de um deles. Mas, o constante avançar e a cooperação extrema há de levar, como tudo aquilo que se ensaia com denodo, os dois a muitos finais felizes. E não se pode falar de Amor Espiritual apenas no nível de casais. Ele pode ser experimentado e desenvolvido em grupos.
É isso mesmo que você entendeu. O amor, antes de ser um elo físico, elementar, de atração química e física, extensivo aos animais e não apenas com fins reprodutivos, de prazer ou de preservação das espécies, é uma composição de fundo energético, do mesmo modo que a repulsão é a manifestação de sua negação.
No amor, tanto a atração e a entrega podem estar associadas à química do corpo quanto a algo não conhecido e não explicado. E pode-se aplicar o caminho inverso para explicar o definhamento das relações e a separação entre os amantes. Importa notar que novos pares se formam. Isso é a lógica. Não só no mundo dos racionais. E novamente voltamos às duas dimensões (química e espiritual) para lembrar que na morte de um dos parceiros novamente vivemos comportamentos extraordinários, também fora dos padrões, diferente, mas análogo à paixão.
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