Argumentos
De fato, ciência e religião entraram num dilema. E parece que não podem sair dele: ou há uma inteligência superior no Universo, uma inteligência de onde emanam numerosas inteligências limitadas, da mesma forma que a matéria tem objetividades limitadas porque emana da energia que, por sua vez, procede de um princípio superior – ou teremos de nos curvar à definitiva verdade lendária, isto é, a lenda de que a matéria e a energia, que compõem o cérebro humano fabricam a inteligência. Este o dilema da ciência.
O outro dilema: ou a vida humana tem verdadeiramente alguns milhões de anos sobre este planeta ou o principal profeta judaico-cristão é um contador de estórias que não fazem o menor sentido. Este o dilema das religiões.
E se assim ou assado for, não existirá na substância universal qualquer outra coisa capaz de produzir idéias, sentimentos, emoções, ou de resolver equações algébricas, criar partituras musicais, inventar máquinas sofisticadas e tantos outros assombros nascidos na mente, esta pequena massa de polpa gordurenta e fosfatada de que se compõem aquelas poucas centenas de gramas de tecido cinzento que carregamos dentro do crânio e que chamamos de cérebro.
Um dos grandes argumentos (a favor e contra) de quem se limita a ficar no plano (científico) bidimensional – matéria e energia – é o de que basta bater com a marreta na cabeça do homem mais inteligente do planeta e ele já não será o mesmo, passará a viver uma vida vegetativa.
“Vede, a inteligência e a alma do ser humano moram ali aonde a marretada atingiu e fez com que o espirituoso e eloqüente sábio se tornasse um idiota”.
É claro que a tese está completamente correta para quem se coloca no plano apenas bidimensional, em que a compreensão humana necessita da manifestação física para deduzir e convencer-se dessa realidade. Ocorre que do ponto de vista científico, fora da experimentação, os argumentos de razões contrárias não valem uns mais que os outros. Todos os argumentos têm de obedecer o mesmo critério.
Negar a alma porque ela não funciona mais quando a matéria que lhe serve às manifestações está doente ou ausente, seria como negar a existência do vapor porque a locomotiva já não anda. Ou por outra, seria negar o talento do violinista porque o violino está sem as cordas.
Também será válido contra argumentar tanto quanto reconhecer que nesta, como em muitas outras circunstâncias, a comparação não é razão.
E convenhamos: em ambiente de teimosia e arrogância a razão sempre está muito distante.
Mas, o que seria desta vida de buscas e descobertas se todos tivéssemos as mesmas deduções e concordássemos sempre com os mesmos pontos de vista?
Podemos ter provas da existência da alma? Certamente que sim. Será enfocado na próxima postagem.
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