sábado, 20 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (VIII)


Pensadores

Para ficar melhor de governar em seu império de sombras, o rei Lúcifer fracionou o pensamento, dividiu as religiões, mentiu, ocultou, assumiu identidades falsas...
Longe de respeitar aqueles que falaram as verdades possíveis ao tempo e lugar em que estávamos, sacrificamos os seus autores. Perdemos a oportunidade de acrescentar; suprimimos. Civilizações de intenso brilho foram desaparecendo, bibliotecas inteiras foram incendiadas, outras obras foram adulteradas. Perdemos o bonde que nos levaria à próxima estação e à pé por entre uma densa e escura floresta com rochedos e escarpas, no escuro, a caminhada ficou árdua. Quantos já desistiram...
Mas, era isso que rei queria. Deixa pra mim. Eu sou o seu senhor e guia. Obedeça, não questione, siga-ma e “nada” te faltará. Isso mesmo. O nada nunca faltará. O tudo é que faltará. Jamais estabeleceremos, em filosofia, os caracteres imutáveis dessa verdade, que é, em ciência, realidade, em julgamento, razão e, em moral, justiça. Enfim, não faremos conhecer estas leis da natureza cujo equilíbrio é o sustento e mostraremos o quanto são vãs as fantasias de nossa imaginação diante das realidades fecundas do movimento e da vida. Convidaremos também os grandes poetas do futuro para refazerem a divina comédia, não mais de acordo com os sonhos do homem, mas segundo as matemáticas do verdadeiro rei.
Por que preocupar-se com mistérios de outros mundos, forças ocultas, revelações estranhas, doenças misteriosas, faculdades excepcionais, espíritos, aparições, paradoxos mágicos, arcanos herméticos?
Isso é coisa de loucos.
Diremos tudo e explicaremos tudo. Quem pois nos deu esse poder? Não podemos revelá-lo a nossos leitores.
Mas, existe um alfabeto oculto e sagrado que os hebreus atribuem a Henoch, os egípcios a Tot ou a Mercúrio e Trismegistos, os gregos a Cadmo e a Palamédio. Esse alfabeto, conhecido pelos pitagóricos, compõe-se de idéias absolutas ligadas a signos e a números. Para época era assim que a mente humana conseguia compreender.
E esta doutrina, por suas combinações, através das matemáticas do pensamento, revela parte da ciência que o rei diz conhecer, mas esconde. Salomão havia representado esse alfabeto por setenta e dois nomes escritos em trinta e seis talismãs. É o que os iniciados do Oriente denominam ainda de as pequenas chaves ou clavículas de Salomão. Essas chaves são descritas e seu uso é explicado num livro cujo dogma tradicional remonta ao patriarca Abraão, é o Sepher Yétsirah, e, com a inteligência do Sepher Yétsirah, penetra-se o sentido oculto do Zohar, o grande livro dogmático da Cabala dos hebreus. As clavículas de Salomão, esquecidas com o tempo e que se dizia estarem perdidas, nós as encontramos, e abrimos sem dificuldade todas as portas dos antigos santuários, onde a verdade absoluta parecia dormir, sempre jovem e sempre bela, como aquela princesa de um conto infantil que espera durante um século de sono o esposo que deve despertá-la.
Isso é só um diagrama para indicar que podemos acender uma vela na escuridão.O que aqui está sendo resgatado é só uma réstia de luz, da luz que se encontra no outro lado da parede escura.

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