Teses
Para que o leitor possa discernir melhor o que significa uma experiência de vida no corpo, há a necessidade de entender a relação entre o espírito (inteligência) e a matéria (corpo) passando pela mente (instrumental).
Em primeiríssimo lugar tome-se o espírito por fator positivo, masculino, pai, e o corpo por fator negativo, feminino, mãe. A mente deve ser tomada por fator neutro, instrumental, conciliador, administrador, ativo. E se pudermos levar esta compreensão um pouquinho mais além, podemos também tomar a mente por fator determinante do resultado a obter pelas relações espírito-corpo-ação.
O fator masculino é objetivo, paterno, focado nas metas, direto, intransigente, com o olhar lá na frente, enquanto o fator feminino é subjetivo, materno, acolhedor, cuidador, transigente, com o olhar no aqui e agora. A mente deve fazer a conciliação entre os dois outros fatores para que disso haja um resultado, uma ação, melhor possível.
Por que melhor possível? Porque a trajetória de toda a vida, observada ao longo de milhares de anos, demonstra uma rota de melhoria constante, constante evolução aprimorada. Tudo quando se comporte de forma contrária a esta lei natural sempre será tomada como oposição à vida e sujeito às conseqüências.
Assim como a casa onde moramos deve ser entendida como o útero que nos acolhe para uma convivência social, seja de um único ser, seja de um casal ou de uma família, também o corpo humano deve ser entendido como a casa do espírito, lugar de convivência individual tão importante quanto a um santuário destinado a dar abrigo a uma divindade.
O espírito, pai, não se realizará se não contar com a participação do corpo, mãe, para, juntos, gerarem “filhos”, isto é, resultados dessa união, produtos dessa conjunção ou fusão: as ações.
O sopro de vida, pelo que se deduz, vem ao corpo para animar a vida, para ganhar ação concreta, para gerar um resultado que influa na história de muito longo prazo daquele fator que não perece com a morte e que prosseguirá sua existência num futuro útero, renascendo sequencialmente, como as sementes, que também descem ao ventre da terra para gerar um novo ser e melhorar-se.
Os mistérios da existência não acabam aqui, não estão disponíveis para descoberta das mentes sem capacidade para pensar a grandeza do todo.
A grande ventura do ser humano é estar aberto à descoberta, nunca fechando a porta a nenhuma hipótese. De milímetro em milímetro chegaremos ao metro, ao quilômetro, nossa destinação maior: conhecer para contribuir com o todo. Sempre que ao conhecermos mais nos tornamos maiores adversários da vida, enterramos a possibilidade do avanço.
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