segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (IV)

 

Cultos a rainhas e reis, deuses e deusas

 

Grécia e Roma

 

O culto a Ísis e Osíris migrou do Antigo Egito para a Grécia, onde Toth tornou-se Hermes e os mistérios de Osíris tornaram-se o culto a Dionísio (Dyonisus). Antes de mais nada, quem era Dionísio? Nascido de Zeus e Perséfone, Dionísio atraiu a fúria de Hera, que enviou os titãs para matá-lo. Zeus o protegeu enviando raios e trovões para despedaçar os titãs, mas quando conseguiu derrotá-los, sobrou apenas o coração de Dionísio. Zeus colocou seu coração no ventre de Semele, uma de suas sacerdotisas, que se tornou sua segunda mãe… portanto Dionísio era conhecido como o “nascido duas vezes”. Curioso não?
Novamente temos o culto à morte e ressurreição de Osíris na iniciação e os rituais que demonstravam claramente a vida após a morte. Interessante notar que Semele era uma sacerdotisa do culto a Zeus, e portanto uma virgem vestal. Vocês perceberão que ao longo da história, muitos iniciados nasceram de “virgens”, cujo termo possuía o significado real de “espiritualmente puro”, detalhe que também alcançou a Jesus. Mas, não é só. A título de curiosidade, Hórus, Rá, Zoroastro, Krishna, Platão, Apolônio, Pitágoras, Esculápio também nasceram de “virgens”.
Os cultos de Dionísio também eram conhecidos pelo nome de culto ao Deus Baco (Bacchus) e suas sacerdotisas iniciadas nos cultos lunares, que eram conhecidas como Menades ou Bacantes. O poeta Homero escreveu que elas “iam para as montanhas e realizavam estranhos rituais”. O culto começou na Grécia, mas sua popularidade cresceu a ponto de se tornar conhecida em Roma a partir de 200 a.C.
Registros famosos destes rituais de Bacchanalia foram escritos por uma sacerdotisa e poetisa chamada Sappho, cujo templo de Mytilene ficava na Ilha de Lesbos, por volta de 600 a.C. Estes textos retrataram alguns dos rituais envolvendo sexo mágico entre as iniciadas e uma série de poemas narrando o amor entre mulheres. Da perseguição religiosa, surgiram as palavras Safada e Lésbica (aludindo Sappho e Lesbos), com sentido depreciativo para a mulher.
Os cultos solares eram mais populares em cidades como Esparta, cujos exércitos voltados para o aperfeiçoamento do corpo e da mente usavam os treinamentos físicos desenvolvidos pelos Guardiões do Templo, incluindo muitos ritos de iniciação (especialmente um dos mais importantes, que é mostrado no filme “Os 300 de Esparta”, quando Leônidas precisa, quando jovem, enfrentar um período de tempo no deserto/montanha e matar um lobo com as próprias mãos, trazendo sua pele para comprovar o feito de coragem). Mais tarde falaremos novamente sobre capas vermelhas nos celtas.
Nos cultos de Dionísio, o Hieros Gamos também assumia a forma de relações sexuais entre os deuses, para a realização de diversas comemorações ou rituais. Vamos ao chamado “panteão Olímpico”: Zeus, Hera, Poseidon, Afrodite, Ares, Atenas, Hermes, Hefesto, Apolo, Ártemis, Demeter e Hestia. Exatamente 6 homens e 6 mulheres. Completando com Dionísio como sumo-sacerdote, estava preparado o Círculo Completo para o Hieros Gamos (como curiosidade, cada deus desses estava relacionado a um signo do zodíaco). Também relacionando com as Linhas de Ley (filamentos de maior energia planetária, espécie de nadis ou chakras planetários). O Monte Olimpo fica “coincidentemente” em um destes cruzamentos energéticos do planeta.
As reuniões destes grupos recebiam o nome de Orgion (palavra em grego que significa “ritual secreto”) e eram presididas pelo Orgiophanta. Da latinização surgiu a palavra Orgia, e nem é preciso dizer o que aconteceu com o significado desta palavra.
Em 180 a.C., o senado editou o “Senatus consultum de Bacchanalibus” estabelecendo regras claras para a realização destas festividades e ritos. Desnecessário dizer que os cultos secretos continuaram dentro das Ordens Secretas, porém na clandestinidade. Os Hieros Gamos continuaram ocorrendo adaptados para a latinização dos deuses envolvidos. As principais festas aconteciam nos Solstícios e Equinócios, especialmente o Sol Invictus (quem assistiu o filme “De Olhos bem fechados” pode ver um ritual de Hieros Gamos moderno, ocorrendo justamente no Natal/Dies Natalis Solis Invicti, quer dizer, uma pequena parte dele), festejado no Solstício de Verão (hemisfério norte) ou 23 de dezembro.
O culto Solar ganhou muita força em Roma, através do culto à Mithra, o Deus-Sol, El Gabal, Sol Invictus. O exército romano usava todos os símbolos do Templo Solar, inclusive a famosa “saudação à Mithra”, que mais tarde foi usada pelos exércitos de Hitler, um dos maiores ocultistas do século XX, como a saudação tradicional nazista, e também usada por Francis Bellamy para a saudação à bandeira americana (que foi substituída em 1942).

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