quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento (IX)


A Era dos Talentos (Segunda parte) 

Acredito e você pode acreditar também que algumas pessoas possam ser donas de talentos sem os identificar pela simples razão de que foram educadas para receber ao invés de dar. Aquele ser que possua uma boa e constante leitura e que tenha vivido alguns anos em constante observação terá tido a oportunidade de ver “nascer” em pessoas talentos que já jamais eram esperados. É o que se poderia chamar de talentos tardios? Não! Talentos não revelados pela triste maneira como somos educados. Infelizmente somos educados para obedecer, trabalhar e esperar a morte para ser feliz.
Felizmente em algumas instituições despertaram os caçadores de talentos e eles não se destinam apenas às passarelas da moda, aos palcos de teatro, tevê ou show. Estamos oficialmente atrás de talentos nas artes, sim, mas também em todas as demais funções que o ser humano seja chamado a exercer.
Na postagem passada, damos um toque na existência do Método Maksuri e agora você vai saber o que faz este método. O método Maksuri é composto por diversas ferramentas para identificar, organizar, alinhar e maximizar os talentos inatos das pessoas e organizações. A primeira consiste em um mapeamento on-line, um aplicativo na internet que através de quatro questionários apresenta o perfil da pessoa em gráficos e textos, com seus talentos, competências, profissões, especialidades, cargos e funções em que pode se destacar mais. Este mapeamento é único no mercado, pois os existentes em geral são superficiais. Alguns se baseiam em testes obsoletos ou fazem perguntas de respostas tipo “sim” ou “não”. Outros identificam as competências sem levar em conta os talentos inatos que a pessoa traz. Lógico que são melhores do que aqueles que apenas consideram o currículo. A avaliação por competências, por exemplo, é um excelente método. Mas para obtermos os melhores resultados precisamos ir além dos conhecimentos e comportamentos. Devemos adentrar o essencial de cada pessoa: seus talentos naturais e sua visão de futuro. Disso trata a Gestão de Talentos.
Um assunto tão importante quanto este precisa de um estudo profundo da natureza de cada pessoa, seja adolescente, adulto ou de terceira idade. Por isso, complementando o mapeamento on-line, o método dispõe de consultoria individual e treinamentos. A consultoria inclui entrevistas, dinâmicas, pesquisas de campo, planejamento de vida e supervisão de metas. Os treinamentos aplicam dinâmicas de grupo para aprofundar os relacionamentos interpessoais, superar desafios e conquistar metas através da sinergia dos talentos da equipe.
Este método tem apoiado centenas de pessoas no Brasil e em outros países, com muito sucesso. Nas empresas o método é usado para formar o verdadeiro Banco de Talentos, termo que tem sido erroneamente utilizado em casos em que o correto seria dizer “Banco de Currículos” ou “Banco de Competências”. O Banco de Talentos permite ver a realidade do potencial humano da empresa e criar as estratégias para aproveitá-lo ao máximo. 
Antecipando o futuro, Mauro Press afirma que chegará o tempo em que os pais e professores saberão identificar os talentos das crianças e adolescentes e orientá-los construtivamente para o seu florescimento. As universidades darão uma preparação individualizada e as empresas serão formadas por líderes e colaboradores talentosos, felizes e prósperos.
Mauro explica que “Vários experimentos comprovam que uma pessoa apresenta um desempenho de excelência quando ela adquire conhecimentos, técnicas e experiência baseados nos seus principais potenciais naturais, que poderão vir a ser talentos. Frente a um mercado global em que a competitividade e a exigência aumentam assustadoramente, a gestão de talentos é a principal solução de sobrevivência para muitas empresas. Com as aquisições, fusões e remanejamentos constantes, hoje em dia não se pode mais falar de “fazer carreira” em alguma empresa ou de “ter um emprego seguro graças a um diploma”. Estes são outros tempos e a capacidade de gerir seus talentos e o curso de sua vida é o que conta. A tendência é cada vez mais reduzir as estruturas físicas, terceirizar e trabalhar em casa em tempo integral ou parcial. A substituição do fator humano pelo tecnológico, incluindo a robotização, está levando de forma crescente a uma situação em que os trabalhos disponíveis exigem talento, criatividade e empreendedorismo”.
E agrega: “É lógico que para ter sucesso não basta ter o talento. É preciso lapidar esse diamante e fazê-lo brilhar, o que exige definir aonde se quer chegar (uma visão apaixonada), ter disciplina, um plano estratégico, contatos certos, o apoio de um líder e uma equipe, e persistir até conseguir”.
Mauro conta que viveu em si mesmo o conflito da dúvida profissional e os diferentes percalços de quem busca até encontrar sua missão. “Eu sentia medo de mudar. Tantos anos de faculdade, pós-graduação e experiência profissional para depois mudar de rumo! Tive que enfrentar a realidade de que não estava satisfeito e meu ser queria outro destino. Mas logo que dei os primeiros passos na gestão de talentos, me senti melhor comigo mesmo e o Universo conspirou a favor”.
“Tudo depende de começarmos agora, não depois, e por nós mesmos. Um diretor ou gerente não conseguirá transformação em seus colaboradores se não for exemplo do que diz. Coerência está na ordem do dia. Antigas tribos indígenas alcançaram grande desenvolvimento graças ao modo como geriam seus talentos. Para criar o método Maksuri investiguei tanto as técnicas modernas quantos as ancestrais”, conclui Mauro. 
Mauro Press é médico com pós-graduação em Psicologia Junguiana e consultor especialista em Gestão de Talentos. Criador do método Maksuri.
Para finalizar esta série não poderia faltar uma palavra às nossas pobres escolas de primeiro, segundo e terceiro graus: o método de nivelar todo mundo dentro de um gabarito pobremente elaborado é a maneira mais genial de praticar o homicídio aos talentos. Tantos mestres educadores já deixaram sua marca nos métodos educacionais e a cada dia as nossas escolas vão ficando mais pobres e empobrecendo com elas o intelecto e a alma de nossos jovens e adultos. Que pena!
Fim da série.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento (VIII)


A Era dos Talentos (Primeira parte) 

Mas, não se disse tudo sobre talentos e dificilmente se dirá, tamanha é a extensão deste tema. Em dois tomos iremos aproveitar uma escrita de Débora Duarte, Sócia-diretora da Maksuri Gestão de Talentos:
Chegou o tempo em que o talento transformado em competência de excelência é o principal diferencial para se destacar profissionalmente e viver uma vida feliz e próspera. O método Maksuri de Gestão de Talentos prepara as pessoas e organizações para aproveitarem essa grande oportunidade e formar equipes de alto desempenho. 
De acordo com Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, estamos no início da “Era dos Talentos”. Força física, dinheiro, tecnologia e informação já ficaram obsoletas como fator decisivo para o sucesso de qualquer empreendimento. Até mesmo o controle de qualidade e a atenção ao cliente já são considerados requisitos “normais” para as empresas. O maior diferencial competitivo atualmente (e nos próximos anos) é o talento humano e sua capacidade de inovar!
Mas o que são os talentos? Como descobri-los, despertá-los e desenvolvê-los ao máximo? Todo mundo tem ou só alguns privilegiados?
Segundo o médico e consultor em Gestão de Talentos, Mauro Press, “Existem centenas de tipos de talentos já classificados e, ao que parece, todo mundo tem, apesar da maioria o desperdiçar. São capacidades inatas para manifestar paixão e facilidade no desempenho de determinadas atividades, atitudes e comportamentos. Os talentos são ativados por certos ambientes, temas e circunstâncias favoráveis. Quando se desenvolvem através do conhecimento, técnica e experiência se convertem em talentos de alto desempenho, produzindo excelência, plenitude e inovação.”
Portanto, a gestão dos talentos inatos é o grande diferencial competitivo e sustentável atualmente. Passamos a maior parte do nosso tempo útil no trabalho. Imagine passar esse tempo como se carregasse um grande peso nas costas!
A organização Gallup investigou durante 40 anos dois milhões de funcionários das 101 maiores companhias do mundo, em 63 países, e descobriu que apenas 20% deles afirmaram estar desenvolvendo seus principais talentos inatos. O que dizer então das empresas que não são reconhecidas como as maiores?
O novo paradigma do trabalho é multifocal e altamente desafiante: o trabalho precisa ter significado, produzir motivação e prazer (como se fosse seu maior hobby), gerar prosperidade, fortalecer a auto-estima, produzir reconhecimento autêntico, sinergia com os talentos das outras pessoas da equipe, equilibrar realização pessoal e profissional, ser uma oportunidade de fazer amizades, usar a criatividade, servir à organização, à humanidade, à natureza, etc. Enfim, como aprendizagem contínua e missão de vida!
Segundo dados da pesquisa “As 150 melhores empresas para se trabalhar”, os fatores que mais motivam os colaboradores hoje em dia não é o salário ou os benefícios, mas sim a oportunidade e as condições de fazer dia a dia o que lhes apaixona, aprendendo constantemente e servindo a uma causa nobre. O papel dos líderes passa a ser o de servir sua equipe para atingir esse estado de alta motivação. O desenvolvimento dos talentos em concordância com uma visão de futuro apaixonante é a base da Era dos Talentos. Drucker tem razão! 
Mauro desenvolveu o método Maksuri de Gestão de Talentos, uma proposta de vanguarda que mostra de forma prática como identificar e desenvolver os talentos individuais e organizacionais e formar equipes de alto desempenho. Depois de estudar medicina cursou pós-graduação em Psicologia Junguiana e recebeu treinamento em liderança e desenvolvimento pessoal na organização internacional Condor Blanco durante quatorze anos. Descobriu que sua missão é apoiar a formar uma nova profissão no mercado: a de consultor e gestor de talentos.
Mauro esclarece: “Quando uma pessoa descobre seus principais talentos e os relaciona com seus valores, competências, áreas e temas de interesse, aplicações práticas preferidas e a visão de futuro que mais lhe apaixona, está a ponto de fazer o que poucos fazem: escrever e concretizar seu projeto de carreira e de vida, o qual deve abarcar diversas áreas: profissional, diversão, familiar, educativa, espiritual, ambiental, etc. Então ficará bem mais fácil liderar sua própria vida e influenciar positivamente sua equipe, a empresa onde trabalha, seus fornecedores, clientes, familiares, amigos e a sociedade. Como diz meu mentor, o escritor, xamã e coach Suryavan Solar, um líder é quem influencia positivamente o mundo ao seu redor, especialmente frente às adversidades.”
A auto-gestão de talentos não é apenas para estudantes e profissionais liberais. As organizações buscam pessoas com espírito de líder, capazes de tomar iniciativa e dirigir responsavelmente sua carreira e sua vida. Buscam executivos capazes de formar equipes com gente assim, e desenvolve-las com a sinergia das fortalezas. Cada projeto individual deve se alinhar com a proposta da organização. Claro que os métodos massivos são mais fáceis e rápidos, porém não oferecem os resultados desejados. Os melhores métodos são individualizados.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento? (VII)


O que é o talento?

A Fundação Talento (Portugal) fala a seguir:
Nem tudo o que se aprende e constrói na Fundação Talento nasce nos eventos físicos, a prova disso foi a conversa virtual que se produziu na véspera do evento em Haia.

A pergunta que nasceu no habitual Forum "Fundação Talento em Haia" foi - o que é o talento?

É uma pergunta fantástica, é aquela que deveríamos fazer todos os dias. Respeitando obviamente a definição que cada pessoas terá. Aqui fica a minha, aquela que me acompanhará na cruzada de tornar essa a primeira pergunta que qualquer ser humano faça a qualquer outro ser humano - qual é o teu talento?

Para mim talento é uma habilidade inata (não adquirida nesta vida) e intrínseca (está dentro de nós) a cada um de nós (todos temos, como a inteligência - pode ser mais ou menos, mas todos temos). É um comportamento observável (quer por nós quer pelos que nos rodeiam) e que produz valor em qualquer circunstancia (independentemente da carreira) e qualquer momento da vida (o talento não escolhe idades, nem envelhece).

Se quisermos ser mais rigorosos o talento é muitas vezes medido por competencias. Isto acaba por ser algo fatal porque a etimologia permite a confusão entre ter uma competência (uma habilidade) e ser-se competente (fazer algo bem). Enquanto que a primeira é uma predisposição, a segunda é treinada.

O talento dá-nos sinais físicos da sua utilização. O talento torna-nos leves quando o usamos, a alguns faz brilhar os olhos, a outros transpirar das mãos. Se observarmos bem o nosso dia-a-dia, seremos capazes de perceber o que é que fazemos para que nos aconteçam estes fenômenos.

É aí que as pessoas se confundem. Aliás o próprio dicionário confunde as pessoas.

O TALENTO NÃO É OBRIGATORIAMENTE O QUE FAZEMOS, APENAS OS QUE CONSEGUIRAM ENCONTRAR A SUA VOCAÇÃO PODERÃO CONFUNDIR AS DUAS COISAS.
Para ilustrar - O Fernando Pessoa era contabilista, mas não era esse o seu talento!
A experiência (quando aplicada numa vocação) é útil para desenvolver o talento, mas não é ela que cria o talento (apenas o desenvolve). (se quisermos a experiência é uma tia do talento, mas não as sua mãe).

O TALENTO NÃO ESCOLHE IDADES, NEM ENVELHECE!
O Beethoven compôs aos oito anos e o Einstein não ficou menos talentoso com a idade.

O TALENTO NÃO ESCOLHE CLASSES SOCIAIS, NEM GEOGRAFIAS.
O talento é a coisa mais democrática no mundo, todos os povos têm. A sua distribuição é seguramente proporcional à quantidade de pessoas numa geografia, contudo o valor do talento já não é tão linear. Despende da amplitude da utilização ou consumo da nossa escolha de aplicação. Na pirâmide de Mazlow, percebemos que o impacto de um cantor que decide cantar na sua freguesia é menor do que a de um tenor como o Pavarotti (que cantou para o mundo).
Para encerrar e ajudar a Fundação Talento a concluir conceitos e definições para o TALENTO: talento é um espiritual trazido de vivências anteriores. Talento não se aprende. Aperfeiçoa-se. É como a alma, que vai ganhando talentos à medida que conseguimos tirar lições de nossas vivências.

domingo, 28 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento? (VI)


Afinal, o que é talento?

Como nós andamos pra frente nestes últimos tempos. Vou falar de mercado de trabalho, de relações capital-trabalho. Ao dar uma folheada pelos jornais é muito fácil encontrar artigos e ofertas de trabalho fazendo alusão a talentos. E lembro de um estudo que ajudei fazer (2002) para uma Cooperativa de Trabalho identificando as diferentes fases das relações do empregador com o trabalhador. Identificamos sete fases como se lê abaixo:
  • A escravidão = fase pré-animal;
  • A empresa colônia penal = fase animal;
  • A empresa capitalista = fase humana;
  • A empresa conquista de aliados = fase social (oferta do lazer semanal);
  • A empresa usa do conhecimento = fase intelectual (oferta de cursos, MBA);
  • A empresa quer a apreensão da energia = fase psíquica (o empregado comprometido);
  • A empresa descobre o homem = fase emocional (inteligência emocional).

Nestes apenas dez anos que se passaram desde aquele estudo, tenho a impressão de que, pelo menos, duas outras novas fases já tenham ficado para trás. Hoje só se fala em contratar talentos. E talento é um dom espiritual. No mínimo, as empresas estão contratando espíritos.
Cíntia Bortotto é uma consultora para Recursos Humanos. Encontrei um comentário seu na Internet:
26/03/2012
Com o mercado de trabalho aquecido, é muito importante para as empresas manterem talentos em seus quadros
Numa época em que o mercado de trabalho está aquecido, é muito vantajoso para as empresas conseguirem manter em seus quadros talentos. Muito se tem falado disso no âmbito da gestão de pessoas. Mas afinal, o que é um talento?
Talento é tudo aquilo que se faz bem e sem esforço. Em geral, a pessoa caracterizada como um ‘talento' mostra habilidade ou capacidade natural para realizar determinada atividade ou tarefa. Talentos são desejáveis por todas as empresas, porque desempenham muito bem, agregam valor ao negócio e ainda podem crescer trazendo consigo a história e a cultura da organização. Eles são os futuros líderes.
Mas como reter seus talentos? A seguir, seguem algumas dicas para ajudar os gestores a manterem seus talentos.
1. A alta gestão da empresa deve investir na comunicação e deixar muito clara a visão de para onde o negócio está indo e porquê.
2. Outro ponto é oferecer boas condições de trabalho: ambiente limpo, organizado e cuidado para com o funcionário.
3. Fornecer feedback constante é muito importante.
4. Promover um bom ambiente de trabalho, estimulando a cooperação e as amizades também é fundamental.
5. É preciso estruturar e oferecer programas de desenvolvimento para os gestores e potenciais gestores, com encontros mensais ou bimestrais para elucidar os principais conteúdos de gestão.
6. A empresa precisa fazer com que a remuneração seja pelo menos compatível com o mercado, nunca abaixo.
7. Fomentar a possibilidade de flexibilidade de horário é outro ponto que ajuda na retenção dos talentos.
8. Também é importante estruturar políticas de RH e uma estrutura de cargos e salários que permita que o colaborador perceba a possibilidade de crescimento.
9. Trabalhar o ambiente organizacional e a figura do líder para que seja um gestor de pessoas e consiga inspirar e tirar o que há de melhor de dentro de cada colaborador também é um ponto a se trabalhar.
10. Institua um programa de mentoring, o processo que determina um mentor para cada talento. O mentor pode ajudar o talento a entender melhor as relações organizacionais, interdepartamentais, além de oferecer feedback e favorecer a exposição para seu mentorado.
11. Promova a qualidade de vida. Este é um ponto reverenciado pelos jovens talentos, que querem ser bem sucedidos, mas não abrem mão de outros aspectos da vida.
12. Mostre que a empresa é séria e estável, por mais que se adeque às mudanças do mundo. Empresas com uma cultura ‘do medo' tendem a afugentar os talentos.
Siga sempre confiante e boa sorte!

sábado, 27 de outubro de 2012

De onde Provém o Talento (V)


O que é Talento ? (segunda parte)

A hora e a vez do Brasil

E a orquestra ia passeando pelo mundo, ao som das melhores valsas vienenses, clássicos de filmes norte-americanos, música escocesa, francesa, inglesa, tangos, rumbas, só sucessos internacionais. Até que, como não poderia deixar de ser, foi anunciada na telinha uma ‘sinfonia brasileira’. Lenita – para quem não a conhece minha mulher – e eu ficamos na expectativa das músicas brasileiras que eles iriam tocar.
Primeira e única mancada da tal orquestra: começou a ‘sinfonia brasileira’ com ‘La Bamba’ que, com absoluta certeza, brasileira não é. Como sabemos, ‘La Bamba’ é do cancioneiro popular mexicano e de domínio público.
Mas, tudo bem...
Depois, veio a ‘Aquarela do Brasil’, de Ary Barroso, o que era de se esperar. Lenita já falava de ‘Garota de Ipanema’, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e outros hits tupiniquins. E eu jurando que a orquestra iria terminar a apresentação, apoteoticamente, com ‘Cidade Maravilhosa’, de André Filho. Aí, veio a primeira surpresa: a terceira música do pot-pourri foi ‘Tico-tico no fubá’, de Zequinha de Abreu.
A quarta e última, outra surpresa, foi ‘Madureira Chorou’, da autoria da dupla Carvalhinho e Júlio Monteiro, acompanhada de um apito de escola de samba, tocado por uma mulher com pinta de austríaca, mas com um talento para nenhum mestre de bateria do grupo especial da Marquês de Sapucaí botar defeito. Isso mesmo, ‘Madureira Chorou’, com a "austríaca" arrebentando no apito, lembrando-me até do falecido Mestre André, da ‘Bateria Nota Dez’ de Padre Miguel.
E o show da orquestra terminando, a platéia em delírio aplaudindo de pé, feliz da vida, e os créditos passando rapidamente pelo vídeo ao som do pranto de saudade em homenagem à vedete de Madureira. O maestro se chama André Rieu, que vocês, com certeza, conhecem...

Por quem chorou Madureira

É aqui que entra Zaquia Jorge. No final dos anos de 1950, eu tinha uns 15 anos. Sempre que passava pelo bairro de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, um local de comércio forte, espichava os olhos para a fachada do ‘Teatro de Revista Madureira’, que ficava em frente à estação ferroviária do bairro. Na fachada, eram exibidas várias fotos das vedetes em trajes ditos, então, sumários. Além de bela e talentosa atriz, Zaquia era a dona do teatro e vedete do então chamado teatro rebolado. Usava uns maiôs inteiros cavados, um verdadeiro escândalo na época, mas que, se hoje usássemos o mesmo pano, daria para fazer uns quatro biquínis para as senhoras mais distintas da nossa sociedade.
No dia 22 de abril de 1957, uma fatídica segunda-feira, tradicional dia de folga dos artistas de teatro, Zaquia foi à praia da Barra da Tijuca, então selvagem e deserta, para um banho de mar. Nesse dia, aos 32 anos, Zaquia Jorge, uma belíssima e talentosa morena de sangue árabe, morreu afogada. Mudaram o nome do teatro para ‘Teatro Zaquia Jorge’, que tempos depois fechou as portas, decerto, sentindo a falta da grande estrela.
Era Joel de Almeida quem cantava ‘Madureira Chorou’, batucando em seu chapéu de palha dura esse samba exaltação, esse panegírico post-mortem de Carvalhinho e Júlio Monteiro, lançado para o carnaval de 1958, homenageando a bela Zaquia.
Não me lembrava de Joel de Almeida, tampouco da dupla de compositores. Foram os meus amigos Hamiltom Couto – com ‘m’ mesmo – e José Luiz Aromatis, ambos de Nova Ipanema (Barra da Tijuca – Rio), que gostam e entendem muito da verdadeira música popular brasileira, que encontraram os nomes deles em seus alfarrábios.

O talento faz a diferença

Estas histórias têm tudo a ver com a força irresistível do talento para quebrar barreiras tidas como intransponíveis. Você, por certo, se lembrará de outras, tão inspiradoras quanto estas que lhes contei.
Fechando a matéria, para mim, têm talento aqueles que conseguem, pela força de suas obras, serem eternamente lembrados mundo afora. Os que foram aqui citados acreditaram no próprio talento e conseguiram.
Embora tenhamos muitos talentos para exemplificar, como indiscutivelmente o do maestro André Rieu ou de outros que já são saudade, como Zaquia Jorge, não se pode deixar de relembrar do talento de Sammy Davis Jr., que tinha tudo para dar errado e deu muitíssimo certo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento (IV)


O que é Talento ? (primeira parte)

Não se pode ou não se deve falar de talento sem citar nomes de seres talentosos. Já citamos Jesus, Pitágoras, Gengis Kahn e outros. Mas, existem talentosos menos famosos aí na sua rua, no seu condomínio. Talento nem sempre é sinônimo de fama. Em busca de exemplos de pessoas talentosas para aproveitar aqui nestas crônicas, encontrei João Carlos Lopes dos Santos falando de “Duas histórias”, que gostei muito e aproveito, com a devida vênia do autor. Ele diz:
Talento não se define, não se explica, testifica-se, detecta-se. Contudo, não podemos fugir dos ditames da teoria: talento é aptidão natural ou habilidade adquirida. Talento me sugere inteligência e cultura excepcionais. Vou lhes contar duas histórias que definem talento.
Tinha tudo para dar errado
O talento em questão nasceu e morreu em Nova York – EUA (1925-1990). Durante o maior tempo de sua vida, conviveu com uma segregação racial absurda e cruel, quando em todos os lugares públicos dos Estados Unidos da América se liam avisos que ali, aqui e acolá era proibida a entrada de negros.
Esse talento nasceu pobre, feio, esmirrado e, depois, ficou caolho - perdeu o olho esquerdo num desastre de automóvel. Mesmo com esses atributos, foi considerado por muito tempo o ‘Rei do Show Business Mundial’. Foi amigo de presidentes, de governadores e de outras autoridades. Idolatrado pelo público e por colegas de profissão, entre eles Frank Sinatra, que era seu fã de carteirinha. Foi reconhecido mundialmente, apenas, pelo seu TALENTO.
Cantor, ator, sapateador, humorista, imitador, músico, um showman na verdadeira expressão da palavra.
Trabalhou com sucesso em todos os palcos: rádio, teatro, cinema e televisão. Como cantor, vendeu milhões de discos nos quatro cantos do mundo. Costumava iniciar os seus shows – cada dia, um diferente – imitando um personagem qualquer da vida pública norte-americana ou internacional que, naquele dia, estivesse em evidência nas páginas dos jornais. Não se repetia. Como músico, era comum durante o show tocar todos os instrumentos da banda. Era a personificação do talento.
Era o Sammy Davis Jr. É lógico, você já tinha matado a charada...
Uma orquestra diferente
Já de Zaquia Jorge (o outro talento), acredito que você nunca tenha ouvido falar. São poucos aqueles que a conheceram. Vamos, então, à segunda história: a de Zaquia. Durante os dias de carnaval de 2001, estava assistindo na TV uma apresentação de uma fantástica orquestra. Não sabia nada sobre ela, tampouco de seu regente. Agora, sei e lhes darei uma dica lá no final da crônica.
Chamou-me à atenção o fato de que a orquestra era composta de um número inusual de mulheres, tocando de tudo, de trompete à gaita de fole... O público extasiado – não sabia de que nacionalidade era –, de pé, aplaudia demoradamente a cada música. O teatro era enorme, coisa de primeiro mundo. O público totalmente descontraído, casais dançavam nos corredores e junto ao palco. Desfilavam músicas mundialmente conhecidas.
Indefectivelmente, a orquestra ia de um país para outro. Tudo milimetricamente perfeito. Naquela orquestra, quem tocava apito, pandeiro, cuíca ou qualquer outro instrumento exótico, com certeza deveria ser pós-graduado no local de sua origem. A respeito disso, mais adiante, conto a história de uma "austríaca" e seu apito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento? (III)


Dons espirituais

Quanto tempo é necessário para uma mente humana desenvolver-se, incorporar o que aprendeu, transformar o que aprendeu em sabedoria e então demonstrar isso numa escala acima da média dos seus contemporâneos? Isso tem como resultado o show de talento, a amostra do que um mestre experimentado faz de sua capacidade, seja a costureira, seja o pintor, seja o atleta, seja o consertador de relógios ou qualquer dos ícones que serão citados a seguir.
A resposta para a pergunta que ficou bailando: ninguém sabe quanto tempo é necessário. Existem crianças nascendo no Brasil e falando inglês fluente já aos 3 anos de idade. Há um prodígio médico num dos países orientais que aos 14 anos, sem ter frequentado um só dia de aula de medicina que faz cirurgias ensinando adultos médicos em curso de pós-graduação cirúrgia.
Não é herança genética. Busquemos outra explicação para os fenômenos. A mais plausível é a espiritual, a reencarnação.

Está bem provado, este dom verdadeiro…
Virgílio, o tal da ENEIDA o imortal aedo,
Foi de origem modesta, filho d’um moleiro!

Rousseau, poeta, francês de grande enredo,
Autor d’O Contrato Social de que foi herdeiro,
Nada mesmo, nada mais, filho d’um sapateiro,
Este bardo lírico, começou muito cedo!

Pitágoras o eterno filosofo, foi…atleta
Representava em público em ruas e praças,
Como normal saltimbanco, com arte seleta!

Moliére, era filho d’um tapeceiro pobre;
Horácio, filho d’uns escravos de posses escassas,
Shakespeare, d’um carniceiro pouco nobre!

Este poema diz um pouco. Há mais para ser dito.

Jesus Cristo, talvez, possa ser apresentado como o ícone dos talentos destes últimos 20 séculos, claro, sem esquecer outros de brilho não tão intenso: Hermes, Homero, Gengis Kahn, Bethoven, Einstein, Chico Xavier, cada um naquilo que muito bem puderam demonstrar.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento (II)


Aplicações

Talento não é capacidade mental instalada, apenas. Talento é aptidão aplicada, capacidade realizadora, demonstrada. Talento e vocação ou dom. É também o nome que se dá a habilidades artísticas ou a outra forma de expressá-lo. Assim, afirma-se que tal pessoa tem talento para a música, teatro, oratória, mediunidade, culinária, talento para ensinar ou lidar com crianças e adultos, por exemplo.
As mais antigas conotações de talento como a habilidade humana parece ter sua origem em uma escritura bíblica, no Capítulo 25 de MAteus, na qual Jesus Cristo, que era um talentoso extraordinário em várias áreas, contou uma parábola aos seus discípulos.
Segundo a parábola, algumas pessoas receberam valores diferentes de seu senhor, e sem que soubessem que isso iria acontecer, foram chamadas a prestar contas algum tempo depois. As que receberam quantidades maiores de talentos, trabalharam com eles, gerando lucro. A que recebeu apenas um talento, com medo do rigor de seu senhor, preferiu enterrá-lo para entregar tal e qual lhe foi confiado, sendo severamente repreendida no dia da prestação de contas. Segundo a parábola, mesmo os que recebem poucos talentos têm o dever de fazê-los prosperar e produzir outros. Pois a parábola compara as riquezas entregues aos servos aos dons que recebemos ou desenvovemos com a missão de fazer frutificar esses dons para o desenvolvimento do Reino de Deus.
Atualmente, usa-se o termo talento para designar habilidades inatas das pessoas, ou capacidade natural para realizar determinadas atividades. Um outro significado do termo é a habilidade extraordinária que algumas pessoas têm para realizar suas atividades diárias, ao ponto de merecerem honra especial. Talvez pudéssemos dividir os dons de alta dose, talentos extraordinários e os dons menores, talentos ordinários. O que, no final, nada muda, pois a quem muito se dá tudo se pede e quem pouco se dá muito se pede.
Estudiosos atuais afirmam que mesmo as habilidades consideradas inatas podem ser desenvolvidas caso haja motivação e com a aplicação de técnicas apropriadas. Assim, qualquer pessoa está, por exemplo, potencialmente apta a aprender música, desde que tenha vontade e use as técnicas apropriadas ao estudo de música.
O talento, como veremos na próxima postagem não é hereditário e não se transmite através da genética, o que apenas reforça a tese de sua origem espiritual.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

De Onde Provém o Talento? (I)


Conceituações

Antes de responder, diretamente, a pergunta-título da série, é necessário conceituar: o que seja TALENTO: grande e brilhante inteligência, espírito ilustrado e inteligente, grande capacidade; o que seria a INTELIGÊNCIA? Faculdade de entender, abstrair, pensar, raciocinar e interpretar com facilidade e compreensão; conhecimento profundo; o que seria FACULDADE? Poder de efetuar uma ação física ou mental, função inerente ao espírito; o que seria PENSAMENTO? Ato do espírito ou operação da inteligência, da imaginação; o que seria IMAGINAÇÃO? Ação do imã, imantação, criação de um conteúdo fora do mundo material.
Depois dessas conceituações, podemos concluir que o talento é um poder que emana do espírito e se manifesta através da inteligência via mente. Mas, é pouco.
Então vamos aprofundar.
Dentre todos os seres humanos existem os superdotados, também chamados de virtuoses, prodígios e também definidos como portadores de manifestações do mundo espiritual, sobre-humano e noutras vezes deles se diz possuírem presença de espírito.
Essas criaturas-gênios se manifestam na música, no canto, na matemática, nas ciências, na capacidade de memória e em outros setores das artes, esportes e outras genialidades. Ao se submeterem a testes, fica evidente que não aprenderam aquilo que fazem com maestria acima da explicação racional. Se não aprenderam, trata-se, pois, de algo inato, um dom.
E o dom, o que seria? Apesar das variantes aplicáveis a partir desta palavra, o dom a que nos estamos referindo é “a dádiva divina” que se faz presente em algumas pessoas, novamente remetendo ao discernimento de que está fora do aprendizado obtido no mundo manipulado pelas pessoas.
Como interpretar um processo destes senão através da reencarnação, ou seja, de vidas passadas ou de algo que permita à mente atual trazer à tona arquivos, sabedorias, capacidades, que não foram desenvolvidas nesta vida? Seriam conteúdos de outra mente ou de outro tempo que reunindo aquelas experiências ou que tenha desenvolvido aquele aprendizado?
A história está repleta de talentosos prodígios de difícil explicação se não for possível recorrer à teoria de vidas passadas, pois, do contrário, teríamos de enveredar pela seara do milagre, da sorte, do destino, da intervenção direta de Deus na mente de algumas pessoas. Nada demais senão se retirasse do talentoso todo o seu mérito intrínseco. Por este último raciocínio, o talentoso não teria mérito algum, pois seria o preposto de um poder que lhe outorga o talento que gera o mérito.
O que se propõe é que não se retire a presença de Deus, que é o geômetra de tudo, inclusive, evidentemente, dos espíritos e da permissão para que eles executem experiências na carne ou fora dela, algo que cientificamente explica a sua ação no mundo material. Sem o concurso de uma mente e corpo material, o espírito não teria como atuar no mundo material. Certo? Se isso é correto, os prodígios ou são Deus atuando nos homens ou são fragmentos divinos (espíritos) atuando na matéria, com maior ou com menor experiência e capacidade inata de fazer isto ou aquilo de forma mais ou menos assombrosa segundo capacidades adquiridas em outras experiências. Ao usar a expressão assombro, estamos de volta ao tema que envolve o que fica acima da capacidade humana de explicar, por isso o assombro, coisa das almas, do mundo encantado onde a mente humana parece não alcançar. E, de fato, ainda não alcança, não foi treinada, foi embotada para não alcançar tanto. Mas já avança rapidamente para isso. Este comentário e sua aceitação sem escândalos, é uma prova disso.
Bem-vindos os virtuoses, os prodígios. O mundo está carente deles.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (X)


Mistérios

Alphonse Louis Constant ou Eliphas Levi foi um grande Iniciado da Alta Magia. Mais conhecido pelo pseudônimo, chegou a ser o chefe supremo dos Adeptos e Magos na Europa, em 1856. Líder do Grande Domo da Europa, ao qual pertenceram o dr. Paschal Beverly Randolph, Jules du Potet e o lorde Bulwer-Lytton (este último, autor de importantíssimas obras de ocultismo, como Zanoni e Vril a Raça Futura).
Eliphas Levi é considerado, no mundo da magia branca, como um dos precursores do renascimento do atual interesse por todos os temas fantásticos que, antes de seu tempo rendiam condenações e execuções.
O VM Samael Aun Weor – da conhecida organização Fraternidade Branca Universal, conhecia muito profundamente as obras deste grande mestre da Magia.
Uma das experiências pessoais de Samael com esse mestre da Loja Branca, no mundo astral, está relatada a seguir, mostrando a todo o mundo esotérico que tanto Samael quanto Eliphas Levi são grandes mestres cabalísticos e da magia.
Tratando-se de projeções do Eidolon e viagens suprassensíveis fora do corpo físico, temos muito a dizer.
Nos instantes em que escrevo estes trechos vêm à minha memória acontecimentos extraordinários, maravilhosos.
Repassando velhas crônicas de minha longa existência, com o ânimo de clérigo e de cela, surge Eliphas Levi.
Uma noite qualquer, fora da forma densa, andei por aí invocando a Alma daquele falecido que em vida se chamara: abade Alphonse Louis Constant (Eliphas Levi).
É óbvio que o encontrei sentado ante um velho escritório, no salão augusto de um antigo palácio.
Com muita cortesia se levantou de sua cadeira para atender respeitosamente às minhas saudações.
¾ Venho pedir-vos um grande serviço – disse. Quero que me deis uma chave para sair instantaneamente em corpo astral cada vez que o necessitar.¾ Com muito prazer – respondeu o abade –, porém, antes quero que me você me traga amanhã mesmo a seguinte lição: O que é o mais monstruoso que existe sobre a terra?¾ Dai-me a chave agora mesmo, por favor…¾ Não! Traga-me a lição e com muito prazer lhe darei a chave.
O problema que o abade havia delineado resultou convertido em um verdadeiro quebra-cabeças, pois são tantas as coisas monstruosas que existem no mundo, que francamente eu já não achava solução.
Andei por todas as ruas da cidade observando, tratando de descobrir o mais monstruoso e quando cria havê-lo achado, então surgia algo pior. De pronto, um raio de luz iluminou meu entendimento.
Ah, dei-me conta, já entendo. O mais monstruoso tem que ser de acordo com a Lei das Analogias dos Contrários, o antípoda do mais glorioso…
Bom, porém, o que é o mais glorioso que existe sobre a dolorosa face deste afligido?
Veio, então, a meu translúcido a montanha das caveiras, o Gólgota das amarguras e o Grande Kabir Jesus, agonizante em uma cruz por Amor a toda a humanidade doente…
Então, exclamei: “O Amor é o mais grandioso que existe sobre a terra! Eureka! Eureka! Eureka! Agora descobri o segredo: o Ódio é a antítese do mais grandioso”.
Resultava evidente a solução do complexo problema. Agora, é indubitável que eu devia me pôr novamente em contato com Eliphas Levi.
Projetar outra vez o Eidolon foi para mim questão de rotina, pois é claro que nasci com essa preciosa faculdade.
Se eu buscava uma chave especial, fazia-o não tanto por minha insignificante pessoa que nada vale, senão por muitas outras pessoas que anelam o desdobramento consciente e positivo.
Viajando com o Eidolon ou Duplo Mágico, muito longe do corpo físico, andei por diversos países europeus buscando o abade. Mas, este, por nenhuma parte aparecia.
De pronto, em forma muito inusitada, senti um chamado telepático e penetrei em uma luxuosa mansão. Ali estava o abade, mas…
Ó, surpresa! Maravilha! O que é isto? Eliphas convertido em criança e metido em seu berço? Um caso verdadeiramente insólito, não é verdade?
Com muita veneração, muito quietamente me acerquei ao bebê dizendo:
¾ Mestre, trago a lição. O mais monstruoso que existe sobre a terra é o Ódio. Agora, quero que cumprais o que me prometestes. Dai-me a chave…
Porém, ante meu assombro, aquele menino calava enquanto eu me desesperava sem compreender que “o Silêncio é a eloqüência da Sabedoria”.
De vez em quando eu o tomava nos braços desesperado, suplicando-lhe, mas tudo em vão. Aquela criatura parecia a esfinge do silêncio.
Quanto tempo durou isto? Não o sei! Na Eternidade não existe o tempo e o passado e o futuro se irmanam dentro de um eterno agora.
Por fim, sentindo-me defraudado, deixei o pimpolho no seu berço e saí muito triste daquela casa vetusta e ensolarada.
Passaram-se os dias, os meses e os anos e eu continuava sentindo-me defraudado, sentia como se o abade não tivesse cumprido sua palavra empenhada com tanta solenidade. Mas um dia qualquer veio a mim a luz.
Recordei então aquela frase do Cabir Jesus: “Deixai que venham as crianças a mim, porque delas é o Reino dos Céus”.
Ah, já entendo, eu disse a mim mesmo. É urgente e indispensável reconquistar a infância perdida na mente e no coração. “Até que não sejais como crianças, não podereis entrar no Reino dos Céus”.
Esse retorno, esse regresso ao ponto de partida original, não é possível sem antes haver morrido em si mesmo: a Essência, a Consciência, está desafortunadamente engarrafada em todos esses agregados psíquicos que em seu conjunto tenebroso constituem o tenebroso Ego.
Só aniquilando tais agregados esquerdos e sombrios a Essência pode despertar em estado de inocência primigênia.
Quando todos os elementos subconscientes hajam sido aniquilados a poeira cósmica, a Essência é liberada. Então, reconquistamos a perdida infância.
Novalis disse: “A Consciência é a própria Essência do homem em completa transformação, o Ser Primitivo Celeste”.
Resulta palmário e manifesto que quando a Consciência desperta, o problema do desdobramento voluntário deixa de existir.
Depois de ter compreendido a fundo todos esses processos da humana psiquê, o abade nos mundos superiores me fez entrega da parte segunda da Chave Régia.
Certamente, esta foi uma série de mântricos sons com os quais se pode realizar em forma consciente e positiva a projeção do Eidolon.
O que é isso? Mistério!
Quer penetrar nele? Dedica-te aos estudos.

domingo, 21 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (IX)


Eliphas Levi

Dentre os estudiosos que nos trouxeram conteúdos do longínquo passado, tempo em que viveram grandes pensadores de civilizações marcantes para serem reativadas num tempo não tão distante, está Eliphas Levi. Mas, não pense que este filósofo é tão antigo quanto os conteúdos que resgata. Eliphas Lévi era seu pseudômino. O nome de baptismo era Alphonse Louis Constant, nascido em 1810 e falecido em 1875. Foi foi um escritor e ocultista francês de notável trajetória. Chegou a ser ordenado padre, mas as suas ligações com a maçonaria e suas publicações consideradas ofdensivas à instituição que servia o levaram para à prisão e à perda dos direitos canônicos. Deixando a prisão, realizou pequenos trabalhos, principalmente pinturas de quadros, murais e colaborações jornalísticas. Mesmo com esses contratempos de sua vida material não deixou jamais de enriquecer seus conhecimentos e aperfeiçoar sua erudição. Teve como mestres grandes magos alquimistas que o iniciaram no esoterismo.
Em  1845, aos trinta e cinco anos de idade, escreveu sua primeira obra ocultista com o nome: O livro das Lágrimas do Cristo Consolador.
Com esta primeira obra desenhou a segunda, em 1854, através do livro Dogma e Ritual da Alta Magia, aquela que é a representação mais conhecida de um suposto Baphomet atribuído como ídolo dos cavaleiros templários.
O livro mais famoso, porém, foi “A chave dos grandes mistérios”, segundo ele capaz de esclarecer não todos os mistérios, mas de levar-nos mais alto e mais longe nas profundezas infinitas. Esta publicação é uma luz ou uma loucura, uma mistificação ou um monumento, dependendo do lado em que a polêmica se estabeleça.
Teve sua circulação vetada pela Igreja, o que, por si só aumenta sua importância.

sábado, 20 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (VIII)


Pensadores

Para ficar melhor de governar em seu império de sombras, o rei Lúcifer fracionou o pensamento, dividiu as religiões, mentiu, ocultou, assumiu identidades falsas...
Longe de respeitar aqueles que falaram as verdades possíveis ao tempo e lugar em que estávamos, sacrificamos os seus autores. Perdemos a oportunidade de acrescentar; suprimimos. Civilizações de intenso brilho foram desaparecendo, bibliotecas inteiras foram incendiadas, outras obras foram adulteradas. Perdemos o bonde que nos levaria à próxima estação e à pé por entre uma densa e escura floresta com rochedos e escarpas, no escuro, a caminhada ficou árdua. Quantos já desistiram...
Mas, era isso que rei queria. Deixa pra mim. Eu sou o seu senhor e guia. Obedeça, não questione, siga-ma e “nada” te faltará. Isso mesmo. O nada nunca faltará. O tudo é que faltará. Jamais estabeleceremos, em filosofia, os caracteres imutáveis dessa verdade, que é, em ciência, realidade, em julgamento, razão e, em moral, justiça. Enfim, não faremos conhecer estas leis da natureza cujo equilíbrio é o sustento e mostraremos o quanto são vãs as fantasias de nossa imaginação diante das realidades fecundas do movimento e da vida. Convidaremos também os grandes poetas do futuro para refazerem a divina comédia, não mais de acordo com os sonhos do homem, mas segundo as matemáticas do verdadeiro rei.
Por que preocupar-se com mistérios de outros mundos, forças ocultas, revelações estranhas, doenças misteriosas, faculdades excepcionais, espíritos, aparições, paradoxos mágicos, arcanos herméticos?
Isso é coisa de loucos.
Diremos tudo e explicaremos tudo. Quem pois nos deu esse poder? Não podemos revelá-lo a nossos leitores.
Mas, existe um alfabeto oculto e sagrado que os hebreus atribuem a Henoch, os egípcios a Tot ou a Mercúrio e Trismegistos, os gregos a Cadmo e a Palamédio. Esse alfabeto, conhecido pelos pitagóricos, compõe-se de idéias absolutas ligadas a signos e a números. Para época era assim que a mente humana conseguia compreender.
E esta doutrina, por suas combinações, através das matemáticas do pensamento, revela parte da ciência que o rei diz conhecer, mas esconde. Salomão havia representado esse alfabeto por setenta e dois nomes escritos em trinta e seis talismãs. É o que os iniciados do Oriente denominam ainda de as pequenas chaves ou clavículas de Salomão. Essas chaves são descritas e seu uso é explicado num livro cujo dogma tradicional remonta ao patriarca Abraão, é o Sepher Yétsirah, e, com a inteligência do Sepher Yétsirah, penetra-se o sentido oculto do Zohar, o grande livro dogmático da Cabala dos hebreus. As clavículas de Salomão, esquecidas com o tempo e que se dizia estarem perdidas, nós as encontramos, e abrimos sem dificuldade todas as portas dos antigos santuários, onde a verdade absoluta parecia dormir, sempre jovem e sempre bela, como aquela princesa de um conto infantil que espera durante um século de sono o esposo que deve despertá-la.
Isso é só um diagrama para indicar que podemos acender uma vela na escuridão.O que aqui está sendo resgatado é só uma réstia de luz, da luz que se encontra no outro lado da parede escura.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (VII)


Revelações

Enredados no emaranhado das notícias imprecisas sobre nós mesmos e sobre Deus, criamos mitos, alimentamos lendas. Que pobreza precisar iludir-se com mitos, crer em lendas, não é mesmo?
E dizem que para bem aprender é preciso esquecer várias vezes. O mundo seguiu esse método. Tudo o que se questiona em nossos dias havia sido resolvido pelos antigos; anteriores aos nossos anais, suas soluções escritas em hieróglifos não tinham mais sentido para nós; um homem (Eliphas Levi) reencontrou sua chave, abriu as necrópoles da ciência antiga e deu a seu século todo um mundo de teoremas esquecidos, de sínteses simples e sublimes como a natureza, irradiando sempre unidade e multiplicando-se como números, com proporções tão exatas quanto o conhecimento demonstra e revela o desconhecido.
Mas, compreender essa ciência não é ver Deus. Deus não está para ser visto, nem para aparecer como miragem sobre uma montanha ou uma árvore. Todos que escreveram sobre Ele ao terminar sua obra, terão acreditado tê-lo demonstrado. E não o fizeram. Nem mesmo sabe quem são eles próprios. E acham que viram Deus, falaram com Ele.
Depois de haver visto Deus, o hierofante terá dito: Virai-vos e, na sombra que projetais na presença desse sol das inteligências, ela (a sombra) fará aparecer o diabo, o fantasma negro que vedes quando não olhais para Deus é quando acreditais ter preenchido o céu com vossa soberba, porque os vapores das trevas costumam crescer demais.
Concordar a ciência com a revelação como sugere a ordem religiosa, a razão unida à fé, demonstrar em filosofia os princípios absolutos que conciliam todas as antinomias, revelar enfim o equilíbrio universal das forças naturais, tal é a tripla finalidade de quem busca não dividir para reinar.
O homem está sendo esperado na porta que fica no Oriente (de onde vem a luz), onde anjos guardiões o aguardam com espadas flamejantes à mão. Mas o infeliz não olha para a luz, olha para a sombra e segue no rumo Oeste. Lenda não, palavra divina ou não, este trechinho ilustra a despedida de Adão e Eva do Éden. Queiram ou não queiram os teólogos, deístas ou teístas, ateus ou agnósticos, esta metáfora registra o momento em que o pequeno cérebro do homem primitivo entendeu que podia pensar. “Então vá, desenvolva-te, cresça e apareça por teus méritos e nós te receberemos com abóbada de espadas flamejantes para saudar tua vitória”. O problema é que no meio do caminho com luzes parciais, o soberbo outorgou-se poderes que não tem e começou a lutar contra Deus. Pior ainda, entendeu que ganhou a luta e se fez rei. Arranjou adeptos, tem feito um governo horroroso, com o foco apontado para as sombras. Seus fantasmas se tornam cada dia maiores e mais exigentes. Querem maior dose de alimento. Aonde isso vai parar?
Todos sabemos!!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mistérios da Existência (VI)


Pensadores

Grandes pensadores em todos os tempos estiveram divididos entre teístas, deístas, ateus, agnósticos, gnósticos e ocultistas. Os primeiros se alinham ao pensamento das religiões judaico-cristãs, isto é, a crença num Deus pessoal. São os mesmos que se colocam contra a ciência desde quando houve a ruptura e teve início da Inquisição. Os deístas aceitam colocar a presença de um Deus no Universo, porém destituído de atributos morais e intelectuais e que poderá ou não haver influído na criação do Universo. Os ateus não aceitam o concurso de Deus para nada. Mais recentemente surgiu a categoria agnóstica: posição daqueles que só aceitam como objetivamente verdadeira a proposição que tenha evidência lógica satisfatória e também a existência de uma ordem de realidade incognoscível. Os gnósticos são ecléticos ao admitir as diferentes visões de mundo e por tentarem explicar o cosmos através do conhecimento sobre ele.Bem próximos da gnose temos os ocultistas que apenas diferem quanto ao modo: trabalham com os segredos sagrados tomados como conhecimento das leis cósmicas.  
Dentre alguns gigantes do pensamento gnóstico e ocultista, com grande repercussão na cultura ocidental, podemos anotar Hermes (que talvez não seja uma só pessoa), Pitágoras e mais recentemente, Elifas Levi. Da sua cátedra ou doutrina, se aprende que os espíritos humanos têm a vertigem do mistério. O mistério é o abismo que atrai, sem cessar, nossa curiosidade inquieta por suas formidáveis profundezas. O maior mistério do infinito é a existência daquele para quem nada é mistério que, convenhamos está fora do alcance da mente humana.
Quem tenha estudado um mínimo de cibernética já sabe que uma mente é incapaz de mensurar-se a si mesma; é necessário outra mente de maior capacidade para mensurar esta. Ao querer entender Deus a mente humana estará na contramão da lógica. Mas, há, sim, uma competência ao alcance da mente humana: conhecer-se (ela própria) além dos cerca de 10% que conhece. Ao querer compreender o infinito, que é essencialmente incompreensível, como já sugerimos, comete o impasse para o qual não tem saída e estagna.
O homem antes da invenção dos barcos, olhava para o mar como algo infinito e intransponível. Mas não ficou na praia apenas contemplando; foi em busca da jangada, da canoa, do barco, do navio, e singrou os mares e compreendeu que o mar não é infinito. De certa forma vem fazendo o mesmo com toda a evolução das formas de mobilidade terrestre, chegando ao avião. E já chegou às naves espaciais. Demorará a singrar o universo, mas guardadas as proporções fomos longe demais para fora e quase nada para dentro.
O homem dispõe de um universo imenso instalado em seu íntimo e nele não navega, não caminha, não voa.. Ele próprio é o mistério infinito para si mesmo e externamente insondável enquanto não se dispuser a compreender que o cemitério não é a sua última morada, ou seja, ele é, ao que tudo indica, esse absurdo por excelência, em que acreditava Tertuliano. Necessariamente absurdo, uma vez que a razão deve renunciar para sempre a atingi-lo; necessariamente crível, uma vez que a ciência e a razão, longe de demonstrar que não existe, são fatalmente levadas a deixar acreditar que existe, e a adorá-lo de olhos fechados. É que esse absurdo é a fonte infinita da razão. É a luz brota eternamente das trevas eternas. Todo o mistério é essa densa escuridão que devemos aceitar atravessar para chegar na extremidade iluminada.
A ciência, essa Babel do espírito, pode torcer e sobrepor suas espirais subindo sempre; ela poderá fazer oscilar a Terra, mas, na marcha que vai nunca tocará o céu.
Deus é o que aprenderemos eternamente a conhecer. É, por conseguinte, o que nunca saberemos.
O domínio do mistério é um campo aberto às conquistas da inteligência. Pode-se andar nele com audácia, nunca se reduzirá sua extensão, mudar-se-á somente de horizontes. Todo saber é o sonho do impossível, mas ai de quem não ousa aprender tudo e não sabe que, para saber alguma coisa, é preciso resignar-se a estudar sempre como alguém que nada sabe!