terça-feira, 9 de outubro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (XII)


Evolução sem amor dá no que deu

Esta reflexão quase conclusiva do andar humano pelas veredas da sua própria realização como ser ao longo dos tempos, passando ou não pelos estágios estudados no capítulo X desta série e evoluindo ou não por eles, trouxe, entre outras conseqüências, a banalização, a profanação, a jocosidade e a não satisfação sexual dentro do amor, cuja plenitude passa pelo afeto, pelo toque, pela massagem, pela interação energética e sobe para estágios em que corpos, mentes e espíritos se encontram num acoplamento o mais perfeito possível. Claro, em nossa história humana mais recente, o amor por inteiro esteve ausente. Fomos vítimas de tabus construídos não sabe para que e nisso um seio de mulher, que aprendemos a sugar para sobreviver, não podia ser mostrado nem mesmo ao seu esposo. A relação homem-mulher precisava se dar de luz apagada e, pasmem, os corpos cobertos por panos com orifícios por onde os órgãos se tocavam. Ver um corpo nu passou a ser escandaloso. E o escândalo é necessário, mas ai daquele que o provoca, está dito lá na cátedra de Jesus.
Homens e mulheres passaram a ver um no outro em seus corpos subtraídos dos olhos por ser pecaminoso, uma atração passional, sobre-humana, diabólica... As deusas do prazer trazidas das estórias egípcias, gregas e romanas foram parar no ideário humano como loucura inacessível, perigosa, desejável, sonhável. Sim, sim, o ser humano intimamente não era feliz com a relação a dois. Quantas mulheres nunca alcançaram o orgasmo porque seus parceiros não aprenderam a tocar seus pontos eróticos. E vice-versa.
Assim, castrados, podados, mutilados, viemos desembocar no alvorecer da queda dos tabus e liberação cinematográfica e televisiva trouxe os nus, as bundas e seios de fora, porém, agora, como mercadoria, em troca de sucesso e dinheiro. Essa coisa sagrada teve profundos maus tratos e caímos na profanação, em mais uma profanação. Nem é preciso prosseguir nesta abordagem. Você captou, pois, pois.
É isso. Somos uma civilização reprimida, como identificava Freud, à qual se condenou o sexo, da qual se escondeu o sexo, à qual se negou o sexo e para a qual o sexo se tornou paranóia e não prazer e realização. O resultado não poderia ser diferente. Tudo que é proibido e muito desejado dá nisso. Vocês já ouviram falar de uma tal de “Lei Seca”?
Os sacerdotes e as sacerdotisas, da Idade Média para cá, foram castrados. Dos sacerdotes e freiras católicos tirou-se o direito de terem um cônjuge e de serem pais e mães numa clara sugestão de que os auxiliares de Deus, os simpáticos a Deus têm de ser assexuados. Havia também outros motivos, mas o “recado” ensinava: sexo não pode, é impuro, Deus não quer. Claro, existe a outra faceta: a igreja não queria assumir os seus filhos. Isso só piora as coisas.
A represa estourou, o sexo foi parar nas telas do cinema, vendido como objeto profano, sugerindo a masturbação, o alcance do orgasmo não pelos sentimentos físicos, mas pela imaginação. Homens e mulheres profissionais do sexo ou do show sexual atendiam ao desejo paranóico de homens e mulheres desnudando-se em shows destinados a fazer homens e mulheres gozarem (?) sem contato com parceiros heterossexuais. A interrogação entre parêntesis faz todo sentido, pois o gozo verdadeiro vai, e deve ir, muito além da pobreza desses arremedos. A Internet vem completando o trabalho destinado a confinar os prazeres carnais a um processo que não sublima a troca entre amantes heterossexuais ou homossexuais. Abrimos a porta para o que hoje cresce assustadoramente. As estatísticas falam de 16% de homossexuais anotados pelos censos do IBGE. Esse é o número daqueles que assumem suas preferências pelo sexo praticado dentro do mesmo gênero. Mas certamente esse número é muito maior. Fracassamos nas relações heterossexuais não apenas na cama, também na mesa, no baile, em todos os lugares onde pares de sexo oposto deveriam compor a vida, segundo o que a própria vida ensina.
Tendência? Caminhos naturais da espécie?
Quem pode afirmar isso ou aquilo como resposta? Para isso não temos pesquisas! Por conveniência ou por medo do papa estacionamos em Freud! Quem pode afirmar positiva ou negativamente que a necessidade de drogar-se também não tenha fundo nas frustrações que também passam pela não realização sexual?
Perguntemos o que têm a dizer os inteligentes que enterraram o direito de amar profundamente incluindo o sexo? Sabiam eles o que estavam fazendo? Ou, quem sabe, fizeram mais isso, também, por outras razões nada educativas, nada evangelizadoras e muito desviadas de Deus? Perguntemos a quem, pelas mesmas escabrosas razões têm negado a Jesus o direito ao sexo, ao matrimônio e à paternidade!
Certamente, meus queridos leitores, o século XXI e os próximos nos reservam uma estrepitosa oportunidade para colocar os pingos nos is e retomar coisas sagradas que profanamos. Não duvidem. Abram-se aos novos tempos. E não se escandalizem tanto. Foi Jesus quem afirmou: “o escândalo é necessário; mas ai daquele que lhe dá origem”.  

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