A Androginia e a Psicologia
A Psicologia de Jung é impecável quando trata das diferenciações entre homem e mulher. Trás o assunto com desenvoltura e apresenta uma visão revolucionária da condição psíquica do homem e da mulher dentro da tradicional forma de sua abordagem por arquétipos. Ele toma os dois grandes princípios, de (Logos) Mater Coelestis (Mulher) e de (Eros) Phallos (Homem) que, pelo entendimento pacífico da Psicologia agem sobre os princípios espirituais e indiretamente sobre os princípios sexuais da psique masculina e feminina, respectivamente, e dá um show de conhecimento. Afirma que Logos rege o espiritual no homem e o sexual na mulher, enquanto Eros rege o espiritual na mulher e o sexual no homem, erguendo o véu de que ambos os sexos têm um princípio orientado por Logos e outro por Eros, indicando, assim, que existe uma dualidade em cada sexo: nunca é só uma coisa; sempre haverá a manifestação dual.
Vamos examinar agora as implicações psicológicas práticas desses arranjos, segundo Jung. A mentalidade masculina sofre atuação direta da Mater Coelestis, feminina, a Deusa-Logos; o princípio de Phallos, o Deus-Eros, tende a agir sobre a psique masculina a partir do nível inconsciente. No curso da formação de seu ego, o homem identifica-se com a mente, com a lei e a ordem, com a individualidade extrovertida consciente; em resumo, com as simbolizações e manifestações do Logos. Consequentemente, o elemento Eros – fertilidade, sexualidade, romance, mistério - todas as diversas facetas do Phallos subterrâneo recuam para o Hades (governante do mundo dos mortos) do inconsciente masculino. O deus fálico, por ser inconsciente, é percebido pelo homem somente através de projeção. Assim, o homem projeta seu lado obscuro, erótico, sobre a mulher, a quem então teme e ao mesmo tempo deseja, precisamente por temer e desejar seu próprio Eros inconsciente. Aqui reside a verdadeira razão para a distorcida visão há muito sustentada, segundo a qual as mulheres são perigosas sedutoras, que desencaminham os homens como criaturas cheias de uma sexualidade misteriosa e ameaçadora, ao mesmo tempo intimidadoras e atraentes à psique masculina.
A mulher surge como feiticeira, tentadora, Eva – a cúmplice voluntária da serpente maléfica da história da Gênese -; entre outras figuras similares, revelam-se todas como projeções do Eros inconsciente da psique masculina.
Ao descrever a condição da psique feminina, Jung afirma que a espiritualidade da mulher é mais terrestre, porque se move na direção do menor. Pode-se depreender daí que a psique consciente da mulher, por voltar-se exteriormente para o mundo, ou orientar-se para a diferenciação, pode relacionar-se livremente com inúmeras tarefas extrovertidas, porém normalmente sem atribuir-lhes significado consciente. Assim, a psique feminina funciona frequentemente na base da famosa “intuição feminina”, ou seja, ela faz as coisas certas, embora sem saber por quê.
Pode-se dizer, então, que a psique masculina tende a captar sentido exterior ou consciente mais prontamente do que a feminina; esta sente menos necessidade da lógica concreta e da racionalização consciente exigida pelo homem com tanta freqüência, não apenas devido às pressões sociais, mas devido à sua falta de desenvolvimento intuitivo. A ausência de um senso intuitivo natural leva os homens a recorrer constantemente às funções analíticas da razão, ao passo que as mulheres em geral obtêm resultados práticos excelentes na vida exclusivamente por meio da inclinação intuitiva. É no domínio de Eros, incluindo a sexualidade, que o senso de sentido da psique feminina manifesta-se. É a isso que Jung se refere ao chamar a sexualidade da mulher de mais celestial do que a do homem: “céu” denotando mais uma vez a Mater Coelestis, o Deus-Logos. Pode-se dizer, com leve exagero, que a sexualidade feminina tem os olhos abertos para o significado, enquanto a masculina é cega.
Mas, a cartada ainda mais extraordinária de Jung se dá no encontro dos dois sexos, não como adversários, não como oponentes, pois esta não é a razão pela qual os dois sexos existem. Ele fala de uma androginia, definida como soma capaz de fazer dos dois um, e cria uma escala ascendente para definir quatro estágios evolutivos das uniões ou conexões.
Vamos examinar agora as implicações psicológicas práticas desses arranjos, segundo Jung. A mentalidade masculina sofre atuação direta da Mater Coelestis, feminina, a Deusa-Logos; o princípio de Phallos, o Deus-Eros, tende a agir sobre a psique masculina a partir do nível inconsciente. No curso da formação de seu ego, o homem identifica-se com a mente, com a lei e a ordem, com a individualidade extrovertida consciente; em resumo, com as simbolizações e manifestações do Logos. Consequentemente, o elemento Eros – fertilidade, sexualidade, romance, mistério - todas as diversas facetas do Phallos subterrâneo recuam para o Hades (governante do mundo dos mortos) do inconsciente masculino. O deus fálico, por ser inconsciente, é percebido pelo homem somente através de projeção. Assim, o homem projeta seu lado obscuro, erótico, sobre a mulher, a quem então teme e ao mesmo tempo deseja, precisamente por temer e desejar seu próprio Eros inconsciente. Aqui reside a verdadeira razão para a distorcida visão há muito sustentada, segundo a qual as mulheres são perigosas sedutoras, que desencaminham os homens como criaturas cheias de uma sexualidade misteriosa e ameaçadora, ao mesmo tempo intimidadoras e atraentes à psique masculina.
A mulher surge como feiticeira, tentadora, Eva – a cúmplice voluntária da serpente maléfica da história da Gênese -; entre outras figuras similares, revelam-se todas como projeções do Eros inconsciente da psique masculina.
Ao descrever a condição da psique feminina, Jung afirma que a espiritualidade da mulher é mais terrestre, porque se move na direção do menor. Pode-se depreender daí que a psique consciente da mulher, por voltar-se exteriormente para o mundo, ou orientar-se para a diferenciação, pode relacionar-se livremente com inúmeras tarefas extrovertidas, porém normalmente sem atribuir-lhes significado consciente. Assim, a psique feminina funciona frequentemente na base da famosa “intuição feminina”, ou seja, ela faz as coisas certas, embora sem saber por quê.
Pode-se dizer, então, que a psique masculina tende a captar sentido exterior ou consciente mais prontamente do que a feminina; esta sente menos necessidade da lógica concreta e da racionalização consciente exigida pelo homem com tanta freqüência, não apenas devido às pressões sociais, mas devido à sua falta de desenvolvimento intuitivo. A ausência de um senso intuitivo natural leva os homens a recorrer constantemente às funções analíticas da razão, ao passo que as mulheres em geral obtêm resultados práticos excelentes na vida exclusivamente por meio da inclinação intuitiva. É no domínio de Eros, incluindo a sexualidade, que o senso de sentido da psique feminina manifesta-se. É a isso que Jung se refere ao chamar a sexualidade da mulher de mais celestial do que a do homem: “céu” denotando mais uma vez a Mater Coelestis, o Deus-Logos. Pode-se dizer, com leve exagero, que a sexualidade feminina tem os olhos abertos para o significado, enquanto a masculina é cega.
Mas, a cartada ainda mais extraordinária de Jung se dá no encontro dos dois sexos, não como adversários, não como oponentes, pois esta não é a razão pela qual os dois sexos existem. Ele fala de uma androginia, definida como soma capaz de fazer dos dois um, e cria uma escala ascendente para definir quatro estágios evolutivos das uniões ou conexões.
1. O primeiro, e rudimentar (chamado de pornéia), é o estado auto-erótico e narcisista no qual a libido é essencialmente auto gratificante e não produtiva para a dupla. Resulta da íntima identificação do ego com o inconsciente.
2. O segundo (chamado de eros), e já um pouco evoluído, coloca a força da emoção e a personalização do objeto amoroso em jogo. Trata-se da sexualidade ligada com a emoção e vinculada a uma admiração forte pelo parceiro.
3. O terceiro (chamado de filos) reserva uma intensificação em termos de projeção, o chamado amor romântico sustentado por valores.
4. O quarto estágio a caminho da androginia definida por Jung, é o casamento místico, em geral conhecido sob o nome clássico de Hieros Gamos – com a conotação de união sagrada ou androginia.
Sua plena realização se dá com a transformação dos parceiros em andróginos espirituais, na qual os opostos são unidos pela alquimia do amor e como o Evangelho de Tomé descreve: “o macho e a fêmea tornaram-se um só”, sem derrapar para a visão politizada e mal concebida de uma sociedade unissexual.
Sua plena realização se dá com a transformação dos parceiros em andróginos espirituais, na qual os opostos são unidos pela alquimia do amor e como o Evangelho de Tomé descreve: “o macho e a fêmea tornaram-se um só”, sem derrapar para a visão politizada e mal concebida de uma sociedade unissexual.
Embora esses patriarcas da Psicologia, como são Freud e Jung, tenham lidado com a homossexualidade, em nenhum momento tiveram tempo para analisá-la ou a homossexualidade já era entendida como coisa normal. Mas, a produção técnica desses patriarcas leva em conta o que a natureza cobra como princípios: o masculino (um) e o feminino (dois) se unem para gerar o terceiro; e assim a vida ganha movimento.
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