quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Um Novo Mundo Está Nascendo (VII)


029. Orientar-se em meio à ventania

Os desvios de consciência, os prejuízos de crescimento causados por esta brutal ditadura sobre a crença perpetrada sobre a humanidade principalmente ocidental em mais de 2.500 anos da história mais recente, deixa marcas profundas na alma das pessoas. Juntamente com a crise da ética, também existe uma crise sobre a verdade. Já mudamos de uma visão que diz: “Não existem absolutos morais” para uma que diz: “Não existem coisas absolutas.” De “Não existe moralidade” para “Não existe verdade absoluta.” De “a moralidade é relativa” para “A verdade é relativa”. A primeira declaração tem a ver com ética ou moral. A segunda refere-se à verdade ou ensinamentos / doutrinas. Deixe-me explicar isso:
É difícil proclamar o perdão dos pecados para pessoas que acreditam que, uma vez que a moralidade é relativa, não possuem pecados a serem perdoados. É difícil testemunhar a verdade a pessoas que acreditam que a verdade é relativa (“Jesus funciona para você; cristais funcionam para mim”).
Em 1991 (ano em que o muro de Berlim veio abaixo), uma pesquisa esclarecedora revelou que entre dois terços e três quartos dos americanos acreditavam que a verdade é relativa. Especificamente, 66% dos americanos acreditavam que “não existe tal coisa como verdade absoluta”. Entre os jovens adultos, o percentual é ainda maior: 72% das pessoas entre 18 e 25 não acredita que existem absolutos.
Vamos pensar sobre as implicações. Primeiro, essa pesquisa foi realizada há 20 anos. Os jovens que estavam naquele momento entre 18-25 estão agora com perto de 50 anos. Eles hoje são professores, mestres, jornalistas, advogados, médicos, políticos, pastores, etc. Seus filhos agora estão com cerca de 20 anos de idade e estão nas faculdades. E assim, por todas as vidas destas crianças, elas foram ensinadas que “não existe tal coisa como verdade absoluta.” A verdade é relativa. E tem mais: como tudo o que vem dos Estados Unidos é chique, acrescenta aos 80 milhões de jovens estadunidenses mais 200 milhões de jovens americanos das 3 Américas.
O que George Barna achou “mais desanimador” a respeito dos resultados da pesquisa foi que a maioria dos cristãos americanos também acredita que a verdade é relativa: “Mesmo que a maioria dos cristãos nascidos de novo (53%) e adultos associados a igrejas evangélicas (53%) concordem com o sentimento [“não existe tal coisa como verdade absoluta”], inesperadamente, entre os grupos de pessoas mais ardentemente favoráveis a este ponto de vista estão os protestantes [liberais] (73%)”.
Então, não são apenas os não-cristãos que acreditam que a verdade é relativa. Mesmo os cristãos compartilham da mesma opinião que “não existe verdade absoluta”.
Novamente, vamos analisar isso um pouco mais. Descrer na verdade é auto-contraditório. Crer em algo significa que este algo é verdadeiro. Assim, quando uma pessoa diz, “eu acredito que não existe verdade absoluta”, essa afirmação é intrinsecamente um disparate sem sentido. A própria afirmação – “não existe verdade absoluta” – é uma verdade absoluta. E se essa afirmação é verdadeira, então ela em si mesma não é verdade.
E, no entanto, muitos não pensam seriamente nas implicações do que estão dizendo. Ou as pessoas são ignorantes ou simplesmente estão confusas. Mas essa é, precisamente, outra marca do pós-modernismo: Acreditar em idéias mutuamente inconsistente.
Iremos encontrar dez implicações ou conseqüências para o vazio espiritual que experimentamos. São elas:
1. Inconsistência. No pós-modernismo:
  • Você pode ser um cristão e não acreditar que Jesus é o Filho de Deus.
  • Você pode acreditar em Cristo e Buda, ao mesmo tempo.
  • Você pode ser um protestante e não acreditar que a Bíblia é a regra inspirada e confiável da fé.
  • Você pode ser um adventista e não acreditar em uma segunda vinda literal, visível e audível.
  • Você pode ser um adventista do sétimo dia e não acreditar que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo; daí adventista do sétimo dia. Hoje, é possível afirmar ser um bom adventista e acreditar na evolução naturalista (Darwin).
2. Pluralismo de Crenças. Enquanto os modernistas argumentavam de diversas maneiras que o cristianismo não era verdade, dificilmente ouvimos esta objeção atualmente. As críticas comuns hoje em dia são que: “Os cristãos acham que possuem a única verdade”. As reivindicações do Cristianismo não são negadas; elas são rejeitadas porque pretendem ser verdadeiras. Aqueles que acreditam que “não existem absolutos” descartarão aqueles que rejeitam o relativismo como sendo “intolerantes”, como uma tentativa de forçar suas crenças sobre outras pessoas.
3. Hermenêutica da Suspeita. Nenhum texto histórico (por exemplo, a Bíblia) pode ser absolutamente verdadeiro. Devemos nos aproximar do texto, não para descobrir o que ele significa objetivamente, mas para desmascarar o que está escondido. Chamamos isso de “hermenêutica da suspeita”.
A hermenêutica da suspeita vê cada texto como uma criação política, normalmente concebida para funcionar como uma propaganda do status quo, local e para aquele momento. Fora desse objetivo, tempo e lugar o texto bíblico é inócuo. E os exemplos dessas discrepâncias são vários: a Bíblia versus os Evangelhos Gnósticos; os “Textos Perdidos da Bíblia” e O Código Da Vinci; entre outros.
“Não acredite em qualquer texto”. Em vez disso, “interrogue o texto” para descobrir a sua agenda política ou sexual oculta. Por exemplo, não devemos aceitar humildemente, mas em vez disso devemos interrogar tudo que venha revestido da aura de verdade absoluta.
4. Revisionismo na História (Desconstrucionismo). Como não existe nenhuma verdade objetiva, a história não é um registro de fatos objetivos. Eles são simplesmente os pontos de vista de quem os escreveu para alcançar seus objetivos políticos. No mínimo, é isso, de acordo com os pós-modernistas, quanto aos chamados fatos da História. Eles são, ao contrário, “uma série de metáforas” e só talvez possam ser encarados como subsídios à construção da verdade relativa.
Uma vez que não existe nenhuma verdade objetiva, a história deve ser re-escrita de acordo com as necessidades de um grupo específico: a história Eurocêntrica, a história Afrocêntrica, a história feminista, a história dos gays e lésbicas, etc., do mesmo modo que temos a história Bancocêntrica, a história Químicocêntrica e tantas outras.
5. Educação e Busca da Verdade. Uma vez que todas as reivindicações de verdade são suspeitas é preciso “desconstruir” tudo aquilo que pretendemos ser verdade. Supõe-se que as universidades deveriam ser dedicadas ao cultivo da verdade. Agora, uma vez que a verdade não existe mais, qual é a finalidade da busca do conhecimento intelectual? Muito simples: Temos de redefinir todo o sistema de ensino.
No passado íamos à Universidade para buscar a verdade. No mundo pós-moderno de hoje, não é mais “o que é verdadeiro”, mas “o que funciona”.
6. Religião ou Desejo? No passado – tanto na era moderna quanto na e pré-moderna – a religião envolvia um conjunto de crenças sobre o que é real que: “Existe um Deus ou não há Deus”; “Jesus foi o Filho encarnado de Deus ou Ele era apenas mais um ser humano”; “os milagres aconteceram ou não aconteceram”; “existe um lugar como o céu ou o inferno, ou eles não existem”; “o Dia do Senhor é ou não é o Sábado do sétimo dia” e muitas outras.
As “verdades” ensinadas nos levaram a discordar e a lutar entre nós. E hoje, porém, em nosso mundo pós-moderno, a religião não é vista como um conjunto de crenças sobre o que é real e o que não é. Pelo contrário, a religião é vista como uma preferência, uma escolha. Acreditamos naquilo que gostamos. Acreditamos no que queremos acreditar. Como Gene Edward Veith resumiu melhor: “Escute o modo como as pessoas discutem religião: eu gosto muito dessa igreja”, dirão. A preferência parece não estar no conteúdo, mas na forma. Lá dentro daquele templo eu me divirto, me distraio, não me incomodo, oro, choro, rio, danço, canto. “Eu realmente gosto daquele ambiente”. Outros se ligam a determinados pregadores porque eles insistem que Cristo veio levar consigo os nossos pecados. Zerou nossas culpas. “Isso me alivia. Ele é um cara legal”, tanto quanto parece ser “legal” comprar a lealdade do guarda para não ser multado.
Em suma, religião não é mais uma questão do que é verdadeiro, mas o que eu gosto e o que eu quero. Isso explica por que as seitas estão atraindo muitas pessoas inteligentes. Aqueles que são muito sofisticados para acreditar nos relatos simples do Evangelho estão abraçando todos os tipos de ensinos estranhos, simplesmente porque gostam deles. Gostar de alguma coisa e querer que seja verdade são os únicos critérios para a crença.
7. Moralidade ou Desejo. Para os pós-modernistas, moralidade, como a religião, é uma questão de desejo. O que eu quero e o que eu escolho não somente é verdade (para mim), mas é correto (para mim). E uma vez que pessoas diferentes querem e desejam coisas diferentes, isso significa que a verdade e a moral são relativas, adaptáveis, moldáveis.
Ainda mais: “Eu tenho o direito aos meus desejos.” Por outro lado, “ninguém tem o direito” de criticar os meus desejos e minhas escolhas. Os pós-modernistas parecem sentir que têm o direito de não serem criticados por aquilo que estão fazendo. Querem não apenas licença, mas aprovação. Querem direitos e não deveres.
Por exemplo, o egoísmo, a promiscuidade imprudente e a realização de desejos sexuais ou luxuriais, os diferentes tipos de expressões sexuais são direitos que ninguém pode criticar – por mais grosseiros que possam ser.
8. Pecado. A tolerância é a virtude cardeal. O maior pecado no pós-modernismo é uma falta de tolerância – ser “intolerante”, “ter a mente estreita”, “pensar que você tem a única verdade”, e “tentar forçar seus valores aos outros”.
9. Deus, Deuses e Religiões Planejadas. As pessoas concebem seu(s) próprio(s) deus(es) e planejam suas próprias religiões. A este respeito, a nossa cultura contemporânea não é sem deus. Pelo contrário, ela está preenchida com muitos deuses. O Modernismo tentou livrar o mundo da religião. No entanto o pós-modernismo gera muitos outros deuses novos. Sem qualquer constrangimento pela objetividade, razão, moral, etc., essas novas religiões se inspiram em ramos do paganismo mais antigo e primitivo. Pessoas escolhem e apanham vários aspectos de religiões diferentes, de acordo com o que eles “gostam”. O pós-modernismo, em sua rejeição à verdade objetiva, tem claras afinidades com o hinduísmo e o budismo, que ensinam que o mundo externo é apenas uma ilusão concebida pela mente humana e que o eu é deus. Em outras palavras, os cristãos de hoje se encontram exatamente na posição dos antigos israelitas e da Igreja primitiva – ter de manter a sua fé em meio a vizinhos pagãos hostis. Eles enfrentam as mesmas ameaças e tentações para seguir as práticas, valores e crenças dos vizinhos pagãos.
10. Espiritualidade Sem Verdade. Modernistas não acreditavam que a Bíblia é verdadeira. Os pós-modernistas acabaram por completo com a categoria da verdade. Ao fazer isso, eles abriram uma caixa de Pandora da Nova Era religiosa: sincretismo e caos moral. O pós-modernismo considera que não existe verdade objetiva, que os valores morais são relativos, e que a realidade é construída socialmente por um conjunto de diversas comunidades. Estas crenças definitivamente excluem a religião, como o modernismo tendia a fazer. Mas as religiões e as teologias que eles promovem são muito diferentes, tanto da ortodoxia bíblica quanto do modernismo. Iremos em frente na próxima postagem.

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