terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um Novo Mundo Está Nascendo (VI)


028. Ninguém quer buscar a saída

O labirinto parece sempre mais profundo e ninguém está buscando a saída e sim buscando tirar proveito do caos. Os políticos ganham com isso, os empresários ganham com isso, os pastores e padres ganham com isso, os poderes constituídos se justificam com isso, apesar da inércia, da incompetência, da omissão e da corrupção proporcionada por este modelo de má gestão da vida.
O (verdadeiro) problema (já que as verdades são relativas, também o problema é relativo), repetindo, o relativo problema é que muitos membros dos setores que poderiam representar a solução não têm tempo ou são demasiado preguiçosos para escavar os fundamentos dessas questões.
Muito frequentemente, em vez de remendar as fissuras e defeitos na estrutura do carrão moderno (referido lá atrás), a atenção é dada à pintura, ao estofado, aos tapetes, aos opcionais como GPS, alarme, som, equipamentos sempre mais sofisticados e computadorizados.
Os recursos e dispositivos tecnológicos são componentes destinados à dominação das massas com a promessa de que a viagem será mais confortável e mais “exuberante”, enfim, para que os reféns sejam sempre mais generosos e referendem a permanência desse modelo de má gestão da humanidade. A viagem confortável e exuberante terminará no precipício. Mas, que foi um barato, isso foi!!! Dirão os precipitados.
Pára um pouco o carrão, estaciona aí sob a sombra e permita que se diga algo. Estes comentários não são implicâncias de um escritor em oposição ao que temos estabelecido como cultura? São constatações de que o carro desgovernou e ninguém tem uma proposta, umazinha só, para evitar o vôo despenhadeiro abaixo? O que você acha? Será que você, leitor, também é um implicante?
Os perigos para este tipo de deslumbramento com a queda são descritos na parábola de Jesus sobre o homem que construiu sua casa sobre a areia: “Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda” (Novo Testamento, Mateus 7:27).
Ninguém quer ir além das alterações cosméticas. O essencial não se discute.
Não esqueça, leitor, de que estamos ainda falando do setor que mais foi impactado, o da fé. Mas, pode incluir a Filosofia, a Economia, a Ecologia... o que mais?
Com tantas cabeças que se dizem brilhantes, o que há de errado que os entendidos não entendem nada? Precisamos erguer o carrão, iluminar suas entranhas, retirar a sujeira, ver tudo o que faltou (aquilo a que os estudiosos chamam de suposições ou pressupostos) e descobrir onde está o desvio, o engodo, a ilusão, a safadeza das proposições, enxergar as rachaduras na estrutura do modelo, a causa que levou o carrão para fora da estrada e está descendo a ribanceira para estatelar-se no rochedo lá embaixo.
Temos de chegar até às raízes, refazer o projeto, melhor dizendo, reencontrar o mapa perdido.
Apesar da complexidade do assunto, vou tentar torná-lo simples ao confrontar os discursos e as práticas religiosas com a realidade do novo paradigma científico para, então, mostrar que eles estão defasados, que eles são a parte mais antiga, mais velha, mais ultrapassada da sociedade. É lá que a reforma precisa começar. Os pensamentos deturpados que atingem também a Filosofia, a Economia, a Ecologia, etc., saem da mente com os defeitos próprios da cosmovisão e cosmovisão furada por encrencas de visão religiosa, é a casa que se construiu sobre a areia movediça.
Quais são os pensamentos-chaves do pós-modernismo?
1. “Não Existem Absolutos Morais
·   “Não existe certo ou errado”
·   “A moral é relativa”
2. “Não Existem Absolutos”
·   “Não existe verdade absoluta”
·   “A verdade é relativa”
Em outras palavras, quando as pessoas perguntam: “O que é o pós-modernismo?” você pode simplesmente responder que é uma cosmovisão – uma forma de pensamento – que diz: “Não existem absolutos morais” e “Não existem verdades absolutas”.
A primeira declaração tem a ver com a ética ou moral. A segunda refere-se a verdade ou ensinamentos / doutrinas. Estes dois pilares do pós-modernismo são as teses que se chocam contra as portas das igrejas, até conseguem adentrar os templos, mas não dá, lá estão os “livros sagrados” abertos a anunciar que pecados são pecados, que virtudes são virtudes e que o inferno está esperando os pecadores, enquanto o céu está esperando os virtuosos.
Não se pode tripudiar e chamar os “livros sagrados” de ultrapassados. O problema é que ninguém quer reconhecer que os profetas de 2012 são outros e que ninguém os escuta como escuta o profeta antigo. E se os dois estão errados? Alguém já pensou nisso?
Nossa cultura contemporânea pós-moderna tem procurado cortar a perna ética da santidade bíblica, mas não apresenta uma alternativa que consiga preencher o vazio que se abre na mente e na alma dos homens. A ausência de valores morais absolutos (sem uma base objetiva de certo ou errado) se reflete num problema muito maior: a perda da verdade objetiva.
Parece ter havido um interesse relevante em calar os profetas que tanto falaram no interior do Velho Testamento. Calaram também os evangelistas e alguns profetas que tanto profetizaram e tanto narraram no interior do Novo Testamento. Mas, não foi só. Buda sumiu de cena como o último patrono de uma doutrina que se decompôs. Maomé não fez sucessor e o que ele ensinou dá para enxergar na história daquele povo islamita. Jesus morreu e não foi ressuscitado pela Igreja Romana. O que há? Foram proibidas as sucessões? Foram vetadas as reproduções virtuosas? Podem crer que foram. Foi aberta a temporada viciosa. Os manipuladores da verdade relativa acharam que poderiam estacionar numa verdade definitiva e “caíram da estrada, rolaram barranco abaixo” e o retorno ao leito do caminho é difícil, confuso, dolorido.
Quem vai ensinar os judeus, cristãos, budistas e islâmicos que aquelas verdades nas quais alicerçaram suas tradições religiosas eram verdades temporárias? E, portanto, relativas! Valiam para aquela quadra de tempo. Será?
Enquanto as igrejas sobreviventes, de um lado, teimam em manter abertos os “livros sagrados”, dados como a última palavra e, de outro, o pós-modernismo continuar a desmentir a história para responder aos desafios de sua doutrina, começando por relativizar a verdade (doutrinas / ensinos), não haverá avanço: também está relativizada a moral (ética) e o resultado é o caos. Faltou dizer onde está o novo caminho. A espiritualidade que é uma promessa de religação demora a ser considerada.
Mesmo que seja uma verdade relativa, esta verdade tem de ser dita, posta, clara e mansamente para preencher o vazio que se fez. Ainda tem mais o que dizer nas próximas postagens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário