041. Em busca da fonte matriz
Dizia Aristóteles: não é mesmo verossímil que tudo sempre se passe de maneira verossímil. O inverossímil aconteceu. Ele atesta que, após séculos de fúria iconoclástica voltada contra todas as crenças do passado e os valores de outras civilizações, a opinião letrada do Ocidente enfim se cansou de ser arrogante; mas, em vez de um arrependimento sincero, está encenando diante de nós um arremedo de conversão, que deixa à mostra todas as marcas do fingimento histeriforme.
Estonteada pela visão súbita de suas próprias culpas, a opinião letrada do Ocidente abjurou de toda precaução crítica como quem repele um vício do passado; e entregou-se, inerme e crédula, ao culto do primeiro ídolo que lhe ofereceu uma promessa de alívio. Ela pensa ou finge pensar que esse ídolo é o seu salvador. Na verdade é a sua Nêmesis.
Mas não é só ela que está enganada. Os profetas do engano também se enganam (aqui não é mais só a figura de Capra): eles imaginam trazer ao mundo a sabedoria, quando trazem o obscurecimento e a confusão. Imaginam trazer uma nova profecia ou insistem na coisa velha, embolorada, quando trazem o cumprimento de uma velha maldição.
Não se pode encerrar estas considerações sobre o profeta da Nova Era (Capra) e outros de outras eras, sem fazer, também, uma profecia: nos séculos vindouros, quando puderem encarar o nosso tempo com alguma objetividade, o fenômeno da Nova Era será considerado um escândalo que depõe contra a inteligência humana.
É forçoso que venha o escândalo. Nada se pode fazer para evitá-lo. Nem mesmo sugerir, como sugeriu Jesus, que se amarre ao seu portador uma pesada pedra, para jogá-lo ao fundo do mar. Pois, como diria o hexagrama 36, ele já está no fundo. Tudo o que se pode fazer é deixar à posteridade, se vier a ter notícia destas páginas, um testemunho pessoal destes tempos obscuros: Nem todos, nem todos acreditaram nos falsos profetas.
Onde estará a fonte matriz? Estamos em busca dela.
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