A Crise do Homem
As organizações religiosas de quase todo o planeta se propõem preparar o homem (que para elas é impuro, pecador, indigno, presa fácil de Satã, réu) para apresentar-se a Deus (que para elas está no céu, distante, e só acessível no estado espiritual). Fica demonstrada a sua incapacidade de apresentar Deus aos homens. Essas doutrinas nos fazem criaturas inferiores, que precisam da misericórdia, da bênção, do batismo, da senha, da autorização e da condução do guia para adquirir o direito de encontrar o caminho, mesmo sem saber se seremos admitidos e aceitos.
Com isso, as religiões atiram a humanidade dentro dos currais dos líderes, maioria deles corruptos e impuros, no papel de condutores de homens na “guerra” do “bem” contra o “mal”. O que é bem, o que é mal para certas mentes?
O sentimento de inferioridade humano tem levado o povo a uma corrida por outros valores: dinheiro, brilho e gozo, por exemplo. Os valores da alma se turvam. Quem não pode gozar e brilhar porque lhe falta dinheiro, procura o caminho da corrupção oficial, da agiotagem, do tráfico de drogas, do latrocínio, do seqüestro, da prostituição, etc., o lado negro, as trevas do ser humano. Sempre que algo se torna caótico, para muitas doutrinas “isso é coisa do diabo”.
No desejo de preencher o vazio que o diabo “ocupava”, algumas instituições divulgam o quanto de dinheiro é possível guardar quando o diabo deixa de fazer parte do orçamento. Parece nada mudar porquanto o dinheiro continuará saindo da mão antes pecadora.
Mediante a falta do reconhecimento de que somos parcelas divinas – onde, evidentemente, o propalado diabo não pode habitar – nos tornamos, de um lado, reboques de perversas lideranças, de outro lado, nos tornamos ansiosos, violentos, satânicos. Aproveitando a verborragia em vigor nestes bolsões de exploração da boa fé, parece, mesmo, evidente que Satã influi.
É bom não esquecer que foi cultura derivada de Abraão que nos ensinou que Lúcifer foi banido do Céu porque queria ocupar o lugar de Deus. E uma vez tendo caído na Terra, exerce seu domínio sobre os homens (que perderam o status divino). A questão do poder aparece na dualidade do mal contra o bem. Deus é apresentado como algo poderoso, soberano, colérico. O diabo é apresentado como algo poderoso, ardiloso, permissivo.
Não se tem notícia de outra sociedade tão poderosamente violenta, intolerante, materialista e hipócrita, como a que foi educada com base na doutrina que tomou conta da Europa, África, Ásia e as Américas. Apesar dos esforços, o padrão dominante se impõe e tem a Escola e a Mídia como aliados.
Milhões, bilhões de pessoas acreditam no diabo, idealizam-no, percebem-no, dão vazão a sentimentos de pavor, terror, medo, temor, ansiedade, negação, por conta dessa idéia de que somos nulos diante de forças que vêm de fora: a felicidade vem de fora, a cura vem de fora, a sorte vem de fora, a doença tem um culpado, o fracasso tem um culpado, o vício tem um culpado...
(Episódio em 5 atos)
Reprimidos, por esses sentimentos de inferioridade, não valorizamos o ser. Preferimos o êxtase da droga ao êxtase transcendental da meditação.
Botando a culpa no diabo, no governo, no concorrente, no patrão, no empregado, nos nossos pais e até em nossos irmãos e colegas, nos anulamos entregues à impotência, ou reagimos de forma violenta e com prepotência.
Crendo que somos vazios, que tudo de bom ou de mau vem de fora, a cura que buscamos vem de fora. Cremos que o dinheiro é o poder, que ele tudo pode. E quando o dinheiro já não pode, cremos até mesmo que o curador será capaz de produzir um milagre com nossas dores: “Deus dirá uma só palavra e serei salvo, ainda que eu não seja digno que Ele entre em minha morada”.
A energia que renova a vida fica bloqueada. Não nos transformamos. Damos um jeitinho e nos arranjamos.
O ser humano se imagina uma máquina com centenas de outras máquinas a servir-lhe no prazer e na dor. Crê que trocando uma peça, o motor humano estará em ordem. Mergulhamos no empobrecimento espiritual.
O poderoso aliado de Deus, atolado em nossas carnes – o espírito – não é ouvido, não é reconhecido e não age, é boicotado. A nossa comunicação com o Deus, que não está no Céu, e sim em todos os lugares, e a comunicação com os nossos guias espirituais, se dá com o aval de nosso espírito. Essa necessidade transborda em nosso ser. Quando não atendida pelos processos da oração, da adoração, da contemplação, da meditação e da transcendência, ela se manifesta via Santo Daime, fumo, álcool, droga...
E mais: por não acreditar que somos um pedacinho de Deus dentro da natureza maior que também é divina, o homem também busca o excessivo desenvolvimento intelectual e quer substituir Deus, concorrer com Ele. Quem quis substituir Deus, tomar o seu lugar, foi o diabo. Não é isso que nos ensinaram?
O Cristo, que foi destituído de sua Igreja no século IV d.C. gastou o verbo e o exemplo: “Eu vim para libertar!” Uma libertação ampla, física, emocional, intelectual, moral, espiritual.
Uma vez desabrochada a liberdade na alma de um homem, de uma mulher, contra eles nada mais podem os demônios e os deuses (caixa baixa). Alcançado esse estágio, nós paramos de acreditar na fatalidade da má sorte, na prisão da pobreza, no castigo da dor, no atrapalho não sei de quem... Olhamos para dentro de nós e vemos Jesus como irmão – porque Ele tanto quanto nós, somos filhos de Deus. E decidimos parar de esperar que o governo faça ou pare de atrapalhar, que o médico cure ou desengane, que o líder conduza ou abra a porta da cadeia... Decidimos agir e melhorar a nossa missão, ampliá-la, dando uma grande contribuição à qualidade do mundo que temos e merecemos.
Quando vemos e fazemos assim, descobrimos que podemos trocar a fofoca pelo diálogo com futuros aliados; podemos trocar a novela ou o noticiário policial pela reunião de crescimento familiar; podemos trocar o papo furado, perigoso destruidor da auto-estima, pelo trabalho comunitário em favor de quem mais necessite.
E assim descobrimos que sempre é melhor:
· dar que pedir;
· carregar que ser carregado;
· servir que ser servido;
· iluminar que esbravejar contra as trevas;
· aprender que sofrer por ignorância;
· amar que mendigar ou comprar o amor;
· fazer amigos que se desviar dos inimigos que fazemos ou imaginamos;
· dormir em paz que enfrentar a insônia da culpa e do medo;
· perdoar que ser perdoado;
· calar que falar bobagens e mentiras;
· duvidar do experto;
· conhecer o hipócrita;
· ajudar o ingênuo e crédulo;
· trocar o “acho” pelo “sei”;
· fazer sucesso no lar que no bar;
· alegrar-se com o sucesso e não com a desgraça do próximo;
· ser o equilíbrio que reforçar as estatísticas do caos;
· ser a onda que se deixar levar por ela;
· fazer a diferença para melhor.
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