segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um Novo Mundo Está Nascendo (V)


027. Como chegamos à incerteza sobre os absolutos morais

Nada cai dos céus – como ouvi de um agnóstico descrente da mão divina onipresente na boléia da vida – além de meteoritos, pois a chuva, o granizo e o cocô de passarinho não vêm dos céus, estão em terra e sobem lá em cima para depois de caírem.
Esta jocosa introdução ao capítulo cinco desta série serve apenas para tornar menos enfadonha a descrição dos precedentes que nos levaram ao que se denomina Paradigma Pós-moderno. Fomos buscar 10 condicionantes, a saber:
1. O Surgimento do Naturalismo no século 18. A cosmovisão naturalista ensina que o universo e todos os fenômenos nele existentes são produtos de leis naturais, tempo e oportunidade. Nesta cosmovisão essencialmente não há espaço para um Ser divino que prescreva absolutos morais (de acordo com a ética do utilitarismo, o nazismo, o marxismo, o fundamentalismo, etc.). A tudo se chega como resultado da construção cultural.
2. A Teoria da Evolução no século 19. Tomando como ponto de partida a teoria naturalista da evolução (Darwin), o mundo de hoje limita muito, se não nega totalmente a existência de realidades sobrenaturais – Deus, Satanás, anjos – e milagres. Acredita que a humanidade é inerentemente boa e capaz de melhorar, bastando-lhe apenas ter oportunidade – mais tempo evolutivo. A única coisa que é imutável e inalterável em todo o mundo são as leis físicas da natureza, e não a lei moral de Deus e, portanto, também não a lei dos Dez Mandamentos. Assim, “a descoberta de Darwin sobre o princípio da evolução fez soar o sino da morte dos valores religiosos e morais. Ele removeu a terra sob os pés da religião tradicional”, colocando assim em dúvida a própria idéia de absolutos morais que governassem as vidas humanas.
3. A Teoria da Relatividade em 1920. A descoberta da lei da relatividade na física (Einstein), a teoria de que não existem medidas absolutas de distância e tempo, foi confundida, a nível popular, com o relativismo das idéias e da moralidade. O historiador Paul Johnson escreve: “No início da década de 1920 a crença começou a circular, pela primeira vez em nível popular, de que não havia mais quaisquer absolutos: de tempo e espaço, do bem e do mal, do conhecimento, acima de tudo de valor. Equivocadamente, mas talvez inevitavelmente, a relatividade se confundiu com relativismo”.
4. A Influência do Humanismo Secular nos anos 1930 e 40. A popularização das idéias do humanismo secular, especialmente através das instituições de ensino, tem sido fundamental na divulgação da cosmovisão e da moralidade naturalista da Associação Humanista, conforme estabelecido nos “Manifestos Humanistas” de 1933 e 1973 desta associação.
Por exemplo, o terceiro princípio do manifesto de 1973 afirma que os valores morais não derivam de Deus, mas da experiência humana. Para os humanistas seculares, “a ética é autônoma e situacional”. A implicação desta declaração pode ser ilustrada chamando a atenção para a declaração do Manifesto Humanista II sobre a sexualidade humana. Condena as atitudes intolerantes, frequentemente cultivadas pelas religiões e culturas ortodoxas puritanas, que reprimem indevidamente a conduta sexual e reconhece o aborto, o divórcio e os comportamentos sexuais consensuais entre adultos.
5. O Impacto da Ética Situacional em 1960. O situacionismo ou ética situacional sustenta que a única moral absoluta é o “amor”. Ao decidir o que é moralmente certo ou errado em qualquer situação, deve-se perguntar: “qual é a coisa mais amorosa a fazer”. Joseph Fletcher, o pai da ética situacional e ganhador “Prêmio Humanista do Ano” de 1974 da Associação Humanista, escreve: “Tudo depende da situação... Em algumas situações o amor entre solteiros poderia ser infinitamente mais moral do que desamor entre casados. Mentir pode ser mais cristão do que dizer a verdade. Roubar poderia ser melhor do que respeitar a propriedade privada danosa. Nenhuma ação é certa ou errada em si mesma. Depende se ela fere ou ajuda as pessoas, se ela serve ou não ao propósito do amor – entendendo-se o amor como uma preocupação pessoal – naquela situação”.
6. Os Ensinamentos do Behaviorismo e da Sociobiologia nos anos 60 e 70. No passado, acreditava-se que os seres humanos tivessem liberdade de escolha ou de auto-determinação, e assim eles podiam ser responsabilizados por suas ações. No entanto, como resultado dos ensinamentos do behaviorismo (conjunto de teorias psicológicas que postulam o comportamento como o mais adequado objeto de resposta aos estímulos), e da sociobiologia, existe uma visão predominante hoje, de que atitudes e ações que no passado eram atribuídas à escolha humana ou ao livre-arbítrio, são agora em grande parte devido à influência dos aspectos culturais, sociais, psicológicos e fatores genéticos.
Uma implicação inconfundível do impacto do behaviorismo e da sociobiologia é o modo em que certas frases tornarem-se correntes – frases tais como “não é minha culpa...” ou “eu não tive escolha...” etc. Não é surpreendente que tenha se tornado muito na moda que as pessoas transfiram a responsabilidade de si e coloquem a culpa no ambiente, na criação, nos pais, nos governos ou na própria igreja. Às vezes até mesmo o “diabo” é culpado (“o diabo me fez fazer isso”), e alguns cristãos respondem que “foi o Espírito Santo quem me levou a fazer isso.” Na opinião de muitos, as ações morais dos seres humanos são todas dependentes de seu ambiente, das circunstâncias, ou código genético.
7. A Popularização do Culto ao Eu desde os anos 1970. Uma característica importante da cultura de hoje é a deificação de si mesmo. Com uma incerteza quanto à existência de realidades sobrenaturais e até mesmo a existência de um Deus transcendente, o “Eu” tem sido exaltado como o novo deus para muitas pessoas. Por conseguinte, o ser humano é visto como capaz de estabelecer suas próprias normas morais, uma receita certa para o relativismo na vida ética. O crédito para essa idolatria moderna vai não só para a difusão da filosofia da Nova Era e da cosmovisão pós-moderna, mas também para a antropologia da teologia liberal. Palavras como “auto-descoberta”, “auto-afirmação”, “auto-estima”, “auto-realização”, “auto-expressão,” e “auto-aceitação” podem refletir esse estado de espírito. John Shelby Spong, bispo Episcopal aposentado de Newark, oferece uma expressão liberal para essa cosmovisão, quando descarta a visão bíblica do mundo como “precientífica”. Ele escreve em seu best-seller de 1991: “Nós procuramos e encontramos significado e divindade, nem sempre tanto em um Deus externo, mas nas profundezas da nossa humanidade, no entanto, é divindade. Chegamos à aurora da compreensão de que Deus não pode estar separado de nós, mas sim dentro de nós”.
8. Dominância do Relativismo Moral na Cultura Contemporânea. Como resultado de tais teorias éticas como situacionismo, generalismo, antinomismo, etc., surgem “Não me julgue”, “Não julguem” e o mito da “tolerância”. Dentro da cristandade, visões diferentes sobre os absolutos morais. Hierarquização conflitante, absolutismo ou piramidalismo, o absolutismo desqualificado. Todas essas coisas levantam as seguintes questões: As leis morais de Deus são Dez Sugestões ou Dez Mandamentos? Mentir, roubar, matar, transgredir o sábado, cometer adultério, ou desobedecer a Deus podem ter justificativa?
9. A Rejeição dos Dez Mandamentos por Alguns Cristãos. Entre os cristãos há uma crescente convicção de que as Escrituras inspiradas não fornecem claramente normas morais identificáveis para a conduta das vidas humanas. Alguns cristãos evangélicos podem inadvertidamente ter contribuído para esta incerteza sobre os absolutos morais universais quando, em sua tentativa de negar a validade do sábado (sétimo dia), são forçados a ensinar que todos os Dez Mandamentos não são válidos para os crentes.
10. Sincretismo Religioso Pós 11 de Setembro. Uma busca por alguma ética global. Iniciado em 1993, com o Parlamento da Conferência das Religiões em Chicago, com 6.500 delegados presentes.
Implicações de todos esses pontos. Como resultado dos fatores acima (e, talvez, muitos mais), hoje muitos acreditam que “não existem valores morais absolutos". Para eles, “Não existe certo ou errado". “A moralidade é relativa”.
A ausência de valores morais absolutos (falta de base objetiva de certo ou errado), contudo, reflete um problema muito maior – ou seja, a perda da verdade objetiva – o segundo princípio do pós-modernismo. Continuaremos quebrando a cabeça nestas buscas.

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