sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um Novo Mundo Está Nascendo (IX)


031. Espiritualidade criativa e redescoberta
Que virada, hein? Os templos outrora lotados estão ficando vazios enquanto as pessoas se ligam ao Sagrado à beira do mar, nas florestas, nas cachoeiras, nas montanhas, nas cavernas, nos santuários, nos seus próprios lares, onde montam um cantinho sagrado e oram e meditam. A música passou a fazer parte da fé, não daquele jeito antigo, barroco, orfeônico, coralista ou clássico, hoje o recado dado é ritmado no rock, na valsa, no samba, no axé...
Livros de auto-ajuda e análise filosófica são lidos e relidos.
Filmes épicos e temáticos passam ser motivo de rodas de debates. Costumes litúrgicos mais antigos e expressões ecléticas de espiritualidade são revividos com o objetivo de fazer com que a reunião das pessoas reflita os gostos da comunidade interessada. Razões que levaram os povos à guerra, hoje são consideradas circunstâncias e a história escrita pelos vencedores é balela política, justificativa para o crime.
Os praticantes da fé emergente estão felizes em tomar elementos de adoração de uma ampla variedade de tradições históricas, incluindo os temas xamânicos, dos celtas, dos inkas, dos guaranis, dos ianomâmis e de seitas africanas. A partir dessas e de outras tradições religiosas os grupos da fé emergente tomam, adaptam e misturam diversas práticas tradicionais históricas, incluindo liturgia, tambores, incensos, mandalas, ícones, totens, direção espiritual, o labirinto, e lectio divina. Não se pode chamar isso de igreja, mas há quem a denomine de igreja do “Futuro Antigo”.
E não será, nunca, uma igreja, porque não tem estruturas estatutárias, não possui templo, não tem sacerdotes, não recolhe dízimo, não faz batizados e sim iniciações.
Uma das forças sociais fundamentais nos países ocidentais pós-industriais é o surgimento de novas/velhas formas de misticismo. Este aumento na espiritualidade parece ser impulsionado pelos efeitos do consumismo, da globalização e dos avanços na tecnologia da informação. Portanto, a fé emergente está operando em um novo contexto da espiritualidade pós-moderna, com tudo o que a modernidade deixou de lado.
Que virada hein? Ela capitaliza sobre as mudanças sociais, partindo da situação em que a maioria era considerada materialista/ateu (uma posição moderna), para o fato de que muitas pessoas agora acreditam e estão à procura de algo mais espiritual (visão pós-moderna). Isto tem sido caracterizado como uma grande mudança, da religião para a espiritualidade. Até mesmo o “turismo espiritual” passou a fazer parte dos movimentos, com visitas aos locais sagrados das diversas correntes de fé, peregrinações, contemplações e as formas contemplativas de oração, adorações multissensoriais simbólicas, narração de histórias e muitos outros jeitos. Isto tem exigido mais uma vez uma mudança de foco, uma vez que a maioria das pessoas sem igreja e fora de alguma igreja está buscando “algo que funciona”, ao invés de algo que seja “verdadeiro”.
Não há dúvida de que a teologia e a cosmovisão emergente estão agora sendo promovidas ativamente e vão marcar um tempo novo para as igrejas. Ou elas se adaptam ou virarão museus. Os evangélicos e pentecostais, que só acreditam naquilo que o seu pastor diz, e ainda levam seus recursos financeiros para engordar a conta dos corretores de deus, cairão no maior vazio existencial de que se tem notícia, pois ainda estão lá no ano 900 antes de Cristo esperando que o profeta lhes diga o que vale para o ano 2012 depois de Cristo. Não marcharam, como marchou grande parte da humanidade, experimentando, excluindo, investigando e descobrindo novas ofertas de conteúdos associados ao Sagrado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário