A imaginação em um ambiente clínico
Por Jeanne Achterberg
O emprego da imaginação no ambiente psicoterapêutico tem uma história longa e rica, e continua em evidência. O trabalho foi amplamente revisto por Anees Sheikh e Charles Jordan, que citam 225 referências, dos primeiros escritos de Freud, Jung e das escolas européias às abordagens de terapeutas modernos. Esse artigo tão erudito merece ser lido integralmente.
As condições tratadas com sucesso pelos comportamentalistas, por meio da imaginação, são aquelas cuja origem se acredita esteja no comportamento ou nos problemas cognitivos. Entre elas estão fobias e ansiedades (medos de cobra, do sexo oposto, de altura, de espaços abertos, de falar em público, de injeção); depressões; condições relativas a hábitos, como obesidade, fumo, álcool e abuso de drogas; insônia; impotência; e "sintomas psicossomáticos".
Como assinalam Sheikh e Jordan, os clínicos estão mais interessados em descrever as aplicações da imaginação do que em realizar um trabalho experimental sólido, para validar "os pressupostos essenciais que subjazem a tais procedimentos". Por outro lado, os terapeutas comportamentalistas fizeram muitas pesquisas, porém negligenciaram a formulação de uma base teórica. Além disso, mostraram uma tendência de colocar a imagem fora do indivíduo, pressupondo que ela opera sobre o comportamento oculto, como outros princípios operam sobre o comportamento manifesto. É necessário um modelo que possa ser testado e demonstre a validade dos pressupostos comportamentalistas ou defina o papel da imagem sobre o comportamento de outro modo.
A cura pela imaginação como fenômeno cultural
Passamos agora a outra área em que a cura pela imaginação é descrita na linguagem do comportamento e no contexto dos sistemas sociais: ou seja, a ampla área das práticas não-médicas, culturais ou de cura popular. Os etno-psiquiatras têm se mostrado especialmente prolíficos ao delinear as razões pelas quais as práticas funcionam e freqüentemente estabelecem paralelos entre as técnicas do curador nativo e as suas próprias técnicas. Naturalmente, seu enfoque incide em aspectos mentais da doença e, como outros comportamentalistas, eles consideram a imaginação mais adequada às doenças imaginárias (não-físicas) ou como um mecanismo de tratamento. As "teorias psicanalíticas obsoletas e não-provadas... que introduziram tamanho obscurantismo nesta questão... serão cuidadosamente evitadas na discussão que se segue. (...)
Tendo em vista nossos objetivos, classificarei como curadores populares os xamãs, os curandeiros, os chamados bruxos, os benzedores e os pajés índios, bem como curadores religiosos contemporâneos ou que atuam no sentido da fé. No entanto, em qualquer contexto cultural, os títulos podem designar diferentes níveis.
O xamã é especialmente assinalado, ao longo da história, como possuidor da maior perícia em trabalhar com a imaginação.
Ao observarem o mecanismo da cura, os cientistas comportamentalistas e sociais, habitualmente, não reconhecem a diferença entre os curadores, e suas observações são razoavelmente aplicáveis a quem quer que use rituais de cura considerados desprovidos de propriedades medicinais ativas. Prossegue.
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