025. Como chegamos a esta realidade?
Progredir parece inevitável. E a humanidade vem andando por vezes devagar, por vezes muito rápida. Importa que neste início de século vivemos em um mundo pós-moderno. E tudo se mistura: moda, crença, comportamento, expectativa, prazer, dor. Estamos num tempo mais que moderno, pós-moderno. O que isso significa? Já fizemos referências a isso, mas é preciso repetir e entender como o pós-modernismo percebe a moral (ética) e a verdade (doutrinas/ensinos), universidade no meio.
Para entender o pós-moderno, devemos primeiro entender o moderno e o pré-moderno. Estes dois termos são descrições da maneira de pensar em diferentes eras da história humana ocidental.
1. Pré-moderno (ou medieval) – refere-se à história do mundo ocidental até o Iluminismo do século 17. Nesse período, praticamente todos acreditávamos no sobrenatural, em Deus (ou deuses), e sustentávamos que a vida neste mundo devia sua existência e significado a um mundo espiritual além dos sentidos. Quer pertencêssemos às culturas pagãs mitológicas ou seguíssemos os líderes do pensamento grego clássico, ou do cristianismo, em maioria absoluta, acreditávamos em algum tipo de Deus (ou deuses). Até os mestres intelectuais como Platão e Aristóteles, que rejeitavam a cosmovisão mitológica, acreditavam em alguns ideais transcendentes universais. Aristóteles, por exemplo, traçou todas as causas até uma Causa Primeira, a qual existe por si mesma, sem causa.
Por mais de 2.000 anos, a civilização ocidental acreditou nisso. Acreditávamos em um Deus (ou deuses), que era a causa de idéias universais transcendentes acerca da verdade e da moralidade. Esta foi a era pré-moderna.
2. Era Moderna – Por volta de 1700, a crença no sobrenatural foi seriamente comprometida, se não totalmente negada. Este foi o tempo do progresso científico, onde a ciência procurou explicar tudo com base na razão humana. Inicialmente, a era do Iluminismo não começou questionando a existência de Deus. Afirmava Sua existência, mas argumentava que não havia necessidade real para que Deus se envolvesse com sua criação. As divergências entre os criacionistas (Deus criou tudo como está e cuida de tudo on line) e os evolucionistas (a vida vêm de longe num processo de aprimoramento planejado, mas não sob o controle on line, imediato), levou à crise e deu lugar a uma mentalidade que questionava quaisquer ensinamentos ou práticas com base em uma crença em Deus ou no sobrenatural. A teimosia dos dois lados criou um fosso intransponível. Qualquer coisa que não pudesse ser provada ou explicada com base em causas naturais não podia ser verdade. Inclusive Deus.
Nesta base, as alegações da religião e do cristianismo foram rejeitadas como falsas – se não pudessem ser estabelecidas com base na ciência ou na razão humana. Por exemplo, a divindade de Cristo, a inspiração da Bíblia, a existência de satanás, anjos, etc. tudo estava em questão. O lado dissidente acreditava na existência da verdade e da moralidade, mas apenas nas verdades e na moralidade que pudessem ser estabelecidas empiricamente, isto é, experimentadas.
3. Era pós-moderna – Nova mudança brutal. Em algum momento entre 1960 e 1990, começa surgir uma nova cosmovisão já questionando a existência da verdade e da moralidade absolutas. Alguns vêem o modernismo terminando com a contracultura dos anos 1960 (Woodstock como ícone), quando os jovens começaram a questionar os frutos da civilização moderna. Os protestos estudantis contra a guerra do Vietnã, e as revoltas estudantis em Paris e de outras universidades na Europa, vieram para assinalar a mudança. A queda o Muro de Berlim, em 1991, também é tido como o ponto final do modernismo.
Independentemente do momento em que começou a era pós-moderna, a verdade é que até o final do século 20 a civilização ocidental tinha entrado em outra fase – uma fase que contesta a visão essencial do modernismo – e do pré-modernismo.
Veja bem, temos “adjetivo pós-moderno”, que se refere a um período de tempo e temos o “substantivo pós-modernismo”, que se refere a uma ideologia ou cosmovisão. Se a era moderna terminou, somos todos pós-modernos mesmo que rejeitemos os ideais do pós-modernismo.
De acordo com os pós-modernistas, o problema fundamental com o modernismo do Iluminismo é a sua crença de que existe uma coisa tal como verdade objetiva. Os pós-modernistas discordam veementemente deste conceito, acrescentando a Evolução sugerida por Darwin e a relatividade introduzida por Einstein. No próximo artigo falaremos mais.
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