quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Soluções existem

À beira do abismo

Era uma vez um reino chamado Causa&Efeito. Diz a lenda, que nele os súditos que contrariassem as leis eram levados para a beira de um abismo e obrigados a atravessá-lo para a outra margem para terem a chance de começar uma vida nova. Só o rei tinha o poder de evitar o salto e oferecer uma nova oportunidade, permitindo a travessia do abismo com a ajuda de um teleférico, um bondinho.
Numa manhã de sábado, de algum mês de um ano qualquer, sete pessoas se apresentaram ao rei, que se chamava Verdade Natural, para uma prestação de contas:

1.            O primeiro chorava a tragédia de haver construído sua casa na encosta do morro – queria uma vista bonita para o vale, para a baía. Numa chuvarada, o morro desabou, destruiu sua casa e sua família. Só sobrou ele e assim mesmo porque ele não estava em casa.
2.            O segundo chorava a tragédia de haver construído sua casa na barranca do rio, em terreno de mangue, muito barato. Na primeira enchente, a água destruiu sua casa e sua família. Só sobrou ele e assim mesmo porque saiu nadando e se salvou.
3.            O terceiro chorava a tragédia de um acidente de carro. Vinha pela estrada muito cheia de carros. Todos andando devagar. Ele tinha pressa. Resolveu ultrapassar, mas havia uma curva e vinham outros carros. Bateram quatro veículos, morreram seis pessoas e este perdera a família toda.
4.            O quarto estava infeliz porque passara a vida correndo atrás de conquistas. Achava que o mundo todo estava ao seu alcance e gastara todo o seu tempo correndo atrás de conquistas, sem tréguas. Arranjara um enfarto do miocárdio e um programa de vida limitadíssimo.
5.            O quinto estava muito agitado, transtornado. Julgara-se auto-suficiente e independente de tudo e de todos. Saíra pelo mundo deixando para trás a família e os amigos, até que uma violenta depressão causada pela solidão acabou por colocá-lo num sanatório.
6.            O sexto estava doente. Queixava-se de falta de sorte com a saúde. Passara a vida correndo atrás de médicos, hospitais e farmácias, gastando dinheiro e perdendo tempo e dinheiro.
7.            O sétimo era um personagem calmo e sereno, não demonstrava contrariedade, não falava, só observava à distância.
Disse o rei:
¾ Vocês são projetos de gente que não germinou, se germinou não cresceu e se cresceu não deu frutos. Preparem-se para saltar e atravessar o abismo!

¾ Por amor de Deus, majestade! - disseram em coro - Nós gostaríamos de merecer uma nova oportunidade!

¾ Vocês já tiveram a sua oportunidade e fracassaram. Ainda têm coragem de vir aqui se queixar, arrumar culpados, fabricar desculpas e inventar justificativas para seus recorrentes fracassos? Vamos!!! Pulem!!!

¾ Por Deus, majestade! Dê-nos uma segunda chance!

¾ Está bem! - disse o rei. Mas cada um vai gritar contra o abismo dizendo o que fará, como fará, durante esta nova chance. O que o eco responder, será decretado.

O primeiro, seu João da Costa Morro, e também o segundo, seu Manoel Ribeirinho, gritaram a toda voz dizendo “respeitaremos as leis da natureza”.

O terceiro, seu Pedro Canta Pirelli, gritou dizendo “respeitarei as leis do trânsito”.

O quarto, seu Napoleão Conquistador, prometeu “cuidar dos valores humanos”.

O quinto, seu Egon Eu Só, prometeu “viver no amor e na amizade com a família e com um punhado de amigos seletos”.

O sexto, seu Marco Acamado, não sabia o que gritar. Olhava para o rei com os olhos arregalados e refletia velozmente sobre o que haviam prometido os súditos que falaram antes.

¾ E então? - inquiriu o rei.

¾ Pois é! - disse Marco Acamado. Eu ouvi que a natureza e os homens têm leis que precisam ser respeitadas. Entendi que cada ato praticado traz suas conseqüências. O senhor não acha que os meus problemas são conseqüências da maneira como estruturei e tenho levado a minha vida?

¾ Isso é uma afirmação ou uma pergunta? - indagou o rei.

Nisso se ouve um barulho – uma moeda cai ao chão.

¾ Caiu a sua ficha, Sr. Marco Acamado!

O rei ainda teve tempo para dizer:

¾ Quem queira ser feliz, obriga-se a plantar sementes de felicidade!
¾ Quem queira ser alegre, obriga-se a plantar sementes de alegria!
¾ Quem queira ser saudável, obriga-se a plantar sementes de saúde!
¾ Quem queira ser feliz, alegre e saudável precisa aprender:

. a amar para ser amado;
. a deixar viver para poder viver;
. a evoluir e contribuir para a evolução do próximo;
. a dar afeto para receber afeto;
. a reservar um tempo para brincar, rir, promover o lazer e usufruir  alegria e  bom humor;
. a ter uma dieta balanceada;
. a fazer exercícios com freqüência diária e semanal;
. a ouvir boa música, cantar e dançar;
. a engajar-se em programas de interesse comunitário ou filantrópico;
. a procurar a natureza, a beleza e os ambientes saudáveis;
. a deixar um legado que o torne lembrado por muitos anos, ainda que seja um único filho bem educado;
. a ter fé e crença na espiritualidade, na divindade.

O sétimo personagem que lá estava era um voluntário de uma instituição de caridade e transformação. Ali estava representando todos os demais colegas seus. Foi até lá para dizer que os seus pares lidam com a solucionática, são aqueles que trabalham para incentivar a QUEDA DA FICHA!

E, após a queda da ficha, são aqueles que podem ajudar os súditos do rei a atravessar o abismo com a ajuda do teleférico!

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