sábado, 15 de setembro de 2012

A Doutrinação dos Espíritos (VII)


Terceira parte de “Tipos de Espíritos que se comunicam”

José Queid Tufaile Huaixan

9.Espíritos que não falam - Alguns Espíritos que passaram por profundas transformações psicológicas provocadas por fortes induções hipnóticas são condicionados a agir como verdadeiros animais. É o caso de zoantropia ou licantropia e outras condições. Neste estado, os Espíritos se convencem de que não dispõem da faculdade de falar. Em alguns casos, nem sequer tentam, como se a mente estivesse completamente bloqueada. O médium costuma captar os pensamentos do Espírito, mas não sente o impulso para falar. Como há silêncio no início da comunicação, pode haver certa demora no esclarecimento.
O médium pode prestar valiosa colaboração com a equipe, informando ao dirigente a situação do Espírito e que este não se sente em condições de falar.
Ao certificar-se de que se trata de Espírito nesta situação, o esclarecedor pode utilizar, ao mesmo tempo, o esclarecimento e a sugestão. Pode, por exemplo, dizer-lhe:
- "Você é um ser humano! Pensa e sente como qualquer pessoa. Não é um animal. Tanto é que entende o que lhe dizemos. Você consegue falar! Imagine-se com a forma humana e tente falar!". Após uma pequena pausa, se o Espírito demonstrar esforço para falar ou mesmo começar a falar, o esclarecedor pode prosseguir com o diálogo de acordo com o que o Espírito disser. Se, porém, o Espírito permanecer calado, o esclarecedor pode explicar que o seu tratamento prosseguirá num ambiente (ou hospital) especializado e que será conduzido pelos companheiros de equipe, no caso, os mensageiros de Deus.
10.Espíritos convidados - Freqüentemente, um Espírito se manifesta na reunião dizendo que veio a convite dos componentes da reunião, do dirigente em particular ou de algum Espírito.
O dirigente não deve dizer que não foi ele ou membros do grupo que fizeram o convite, porque pode ser ele mesmo, em encontro com o Espírito durante o sono, uma vez que os encarnados podem participar de atividades no Mundo Espiritual, enquanto o corpo repousa.
É preferível agir como se o convite tivesse sido feito realmente.
O Espírito costuma começar perguntando o motivo do convite, já que ele entende que quem convidou sabe as razões.
O esclarecedor não deve dizer que não sabe. Esta resposta pode assustar ou decepcionar o comunicante. Por outro lado, o dirigente não precisa preocupar-se com isto, porquanto os objetivos da presença do Espírito na reunião são sempre dois: esclarecê-lo acerca das leis que regem a vida dos Espíritos e de tocar a sua sensibilidade a fim de despertá-lo para o bem. O esclarecedor pode dizer-lhe, portanto, que a finalidade do encontro naquele momento e naquele ambiente é a de explicar-lhe, de forma mais adequada, como funcionam as leis de Deus que nos governam a vida. Em suas explicações, deve dar ênfase à evolução, reencarnação e lei de causa e efeito. Durante a sua exposição, o esclarecedor deve fazer pequenas pausas para permitir que o comunicante faça alguma pergunta ou se refira a sua situação. Se o fizer, o esclarecedor pode mudar o rumo da conversação no sentido de atender às reais necessidades do Espírito. Se nada disser e se o esclarecedor não tiver qualquer intuição das reais necessidades do comunicante, deve prosseguir com o esclarecimento até completar o raciocínio, recorrendo, em seguida, à prece, para tentar tocar a sua sensibilidade e despertá-lo para as realidades da vida espiritual.
11.Espíritos que se comprazem no mal - Entre os Espíritos que se manifestam nas reuniões, há aqueles pouco adiantados moralmente e que se comprazem no mal.
Por serem muito imperfeitos, afinizam-se com as coisas materiais e as sensações mais grosseiras e rejeitam os valores morais, as coisas mais elevadas e os ambientes onde se encontram os bons Espíritos. Também não se dispõem a renunciar aos prazeres inferiores para cuidar da própria evolução e não sentem nenhuma satisfação com a prática do bem.
O esclarecedor deve conduzir o diálogo com o objetivo de lançar algumas idéias na sua mente, argumentando que nenhum Espírito é eternamente mau e que todos um dia sentirão desejo de mudar os rumos de sua vida, passando a se conduzir de acordo com as leis de Deus. Vivendo afastado destas leis, poderão obter satisfações, mas nunca a felicidade real.
Mesmo sentindo prazer em permanecer na faixa vibratória em que se encontram, se pensarem no seu futuro, o melhor que podem fazer é renunciar ao mal e trilhar o caminho do bem.
O esclarecedor não pode esperar resultados altamente positivos no diálogo com esta categoria de Espíritos. Deve permanecer atento para não prolongar muito a argumentação e interrompê-la tão logo perceba que não está surtindo resultados. Quando isto acontece, o melhor que pode fazer é orar por eles e deixá-los aos cuidados dos mentores espirituais.
12.Espíritos que se julgam donos de propriedades - Há Espíritos que foram muito apegados a propriedades e bens materiais quando encarnados. De um modo geral, foram homens que não cultivaram qualquer atividade religiosa. Passaram a vida lutando pela aquisição de bens materiais e propriedades e pela sua preservação e não acharam tempo para cultivar outros valores.
Quase sempre, não percebem o momento da desencarnação e permanecem com a mente totalmente centralizada na vida material que levaram.
Permanecem em suas propriedades, sofrendo por vê-las administradas de forma diferente por seus familiares ou sendo invadidas por pessoas estranhas.
O esclarecedor deve explicar-lhes que os bens da Terra são empréstimos que Deus faz aos homens e que passam para outras mãos, quando desencarnam. Ninguém deve apegar-se aos bens da Terra. Ao contrário, precisam aprender a valorizar os bens espirituais, porque estes o Espírito leva consigo quando volta para o Mundo Espiritual.
O melhor para eles é esquecer os bens materiais e se integrarem na Vida Espiritual. Caso contrário, prolongarão os próprios sofrimentos, sem benefício para eles, nem para os seus entes que ficaram na Terra.
13.Espíritos que resistem a reencarnar-se - Estes Espíritos costumam resistir a reencarnar-se por não quererem perder a liberdade que gozam como Espíritos, por medo do sofrimento, ou receio de fracassarem na nova experiência na Terra.
Os mentores espirituais os trazem às reuniões mediúnicas para receberem estímulos dos encarnados, cujas sugestões eles podem aceitar por partirem de quem está conseguindo resistir às tentações da vida material.
Os encarnados que conseguem manter o equilíbrio, se encontram numa situação favorável ao diálogo capaz de encorajá-los a enfrentar uma nova existência na Terra.
O esclarecedor deve enfatizar o argumento de que a reencarnação é o único caminho para o efetivo progresso do Espírito. É através das lutas e dificuldades da existência que o Espírito desenvolve a inteligência e as qualidades morais. No Mundo Espiritual, ele pode progredir, mas necessita da experiência na carne para demonstrar que assimilou as lições e para sedimentá-las definitivamente.
O esclarecedor deve procurar mostrar-lhes que têm grande chance de serem bem sucedidos, desde que se preparem bem no Mundo Espiritual e procurem os ensinamentos evangélicos, porque, assim agindo, terão muita proteção contra as quedas e poderão aceitar melhor as orientações no sentido de seguir o caminho do bem.
14. Espíritos que são Católicos ou Evangélicos - Muitos católicos e evangélicos consolidam suas convicções da existência de Inferno, Céu e do juízo final e se julgam eleitos de Deus. Por isto desencarnam convictos de que irão diretamente para o Céu.
Muitos destes Espíritos ficam revoltados no Mundo Espiritual, porque não encontraram o céu como esperavam, ou por não terem sido recebidos pessoalmente por Jesus.
Não é conveniente dizer-lhes que estão num Centro Espírita, para não chocá-los. E preferível explicar-lhes que a conquista do Reino de Deus depende essencialmente da prática do bem e que eles poderão receber esclarecimentos mais detalhados com os padres (se católicos), ou com os pastores (se evangélicos). Os Espíritos organizam ambientes adequados para o estudo dos textos evangélicos com uma visão mais ampla, porém agem com cautela, para não chocar os que desencarnaram fiéis às orientações que receberam em suas igrejas.
Nas equipes de Espíritos que trabalham nas casas espíritas participam ex-padres e ex-pastores que estão preparados para dar as explicações de que os Espíritos necessitam, revelando a verdade de forma gradativa e sem chocá-los.
15.Espíritos que não aceitam o Cristianismo ou não acreditam em Deus - Alguns Espíritos que se comunicam nas reuniões foram espiritualistas, mas não cristãos, na última encarnação. No Mundo do Espiritual, conservam as suas convicções e alguns continuam rejeitando o Cristianismo. O esclarecedor deve respeitar-lhes os pontos de vista, evitando referir-se ao Cristianismo como o único ou o melhor caminho que leva a criatura a Deus. É preferível referir-se a Deus e às suas leis, sem particularizar esta ou aquela religião.
Muitos Espíritos que foram incrédulos quando encarnados continuam ateus no Mundo Espiritual. A tentativa de convencê-los com dez a quinze minutos de argumentação não costuma ser bem sucedida. Melhores resultados podem ser obtidos com o esforço para convencê-los a participar de estudos mais aprofundados sobre a questão, no Plano Espiritual, argumentando que, se não se pode pretender que eles se deixem convencer com alguns minutos de debate, também não podem eles esperar que adquiram nova convicção sobre o assunto sem estudo e pesquisa. É importante explicar-lhes que nossa crença firme não surgiu por acaso, mas sim de longos anos de estudo, observação, meditação e desenvolvimento da sensibilidade espiritual.

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