Introdução
José Queid Tufaile Huaixan
A técnica de doutrinação dos Espíritos difere muito de grupo para grupo. Pode-se mesmo afirmar, que cada doutrinador tem uma maneira própria de realizar este tipo de atividade. É evidente que todos são livres para realizar a instrução dos desencarnados conforme acharem conveniente, porém, existem algumas regras que precisam ser observadas.
Entre nós, espíritas, ainda existe muita confusão em torno de como se deve conversar com os desencarnados, quando se pretende instruí-los. Poucos estudos foram desenvolvidos em torno desse tema e alguns deles, incompletos, foram tomados como elemento de referência para as atividades mediúnicas de muitas pessoas. Produzidos em grupos familiares que lidavam com sessões experimentais, atendendo Espíritos sofredores, deixaram muito a desejar quando o assunto era o dia-a-dia da casa espírita.
Entre nós, espíritas, ainda existe muita confusão em torno de como se deve conversar com os desencarnados, quando se pretende instruí-los. Poucos estudos foram desenvolvidos em torno desse tema e alguns deles, incompletos, foram tomados como elemento de referência para as atividades mediúnicas de muitas pessoas. Produzidos em grupos familiares que lidavam com sessões experimentais, atendendo Espíritos sofredores, deixaram muito a desejar quando o assunto era o dia-a-dia da casa espírita.
Foram experiências válidas, não há dúvidas, mas ainda distantes da realidade do que se passa na intimidade do Centro Espírita, onde normalmente se lida com uma grande variedade de Espíritos desencarnados, tratando-se, evidentemente, dos mais variados tipos de problemas do ser. Temos sugerido aos dirigentes que deixem um pouco de lado os autores contemporâneos e orientem-se pela metodologia kardequiana. Depois de entrarem no conhecimento das atividades de Allan Kardec nessa área, poderão ter mais segurança em adotar esta ou aquela técnica, separando o joio do trigo. Nos trabalhos do Codificador existem preciosas instruções que facilitam o desempenho dessas atividades com real aproveitamento.
Temos visto que de, maneira geral, as pessoas tem um certo receio em lidar com os Espíritos na conversação íntima do trabalho de intercâmbio. As formas de tratar os desencarnados variam desde doutrinações esfuziantes, ou com excessiva mansidão até discursos maravilhosos, que mais servem aos brios do doutrinador do que para atender as verdadeiras necessidades do comunicante, pouco significando em termos espirituais.
O trabalho mediúnico da casa espírita precisa ser avaliado quanto à sua produtividade. Para isso, basta que se coloquem pessoas obsedadas sob os cuidados da equipe mediúnica, que se utilizando dos métodos de doutrinação, tentará realizar o processo desobsessivo. Se estiver trabalhando corretamente, a equipe conseguirá uma redução entre 50 e 60% dos sintomas presentes, sem dizer que em muitos desses casos, os pacientes ficarão totalmente curados. Se os assistidos continuarem na mesma situação em que se encontravam antes, o trabalho de doutrinação e orientação está sendo mal conduzido.
Métodos, sejam de doutrinação, de desenvolvimento mediúnico ou desobsessão devem ser regularmente analisados. Tudo deve ser anotado em papel e comparado racionalmente. Não há outra forma de avaliar resultados. E sem avaliações sinceras das atividades não há crescimento do trabalho.
O Livro dos Médiuns e alguns estudos do Codificador existentes na Revista Espírita oferecem subsídios importantes na arte de dialogar e instruir os Espíritos. Nesse trabalho, vamos relembrar alguns desses pontos e comentá-los como forma de estímulo à melhoria da doutrinação. Alguns autores espíritas costumam afirmar que o termo "doutrinar" não é correto, pois transmite a idéia de se violentar consciências. Este tipo de argumentação não faz sentido. Os homens de bem exercem uma influência salutar sobre os Espíritos sofredores, ignorantes ou maus. Através de preces e instruções convenientes ministradas, pode-se contribuir muito para melhorá-los espiritualmente.
O termo "doutrinação" é legitimamente kardequiano, significa "ensinar uma doutrina" e não há nada que o desabone. Até que se prove o contrário, a técnica de interrogar, dialogar e instruir um Espírito imperfeito chama-se "doutrinação". Entretanto quem tiver pruridos nesse sentido que utilize o termo que achar conveniente (educar, esclarecer etc), contanto que o resultado seja o auxílio ao irmão necessitado. Tudo uma questão de forma, claro.
Condições para a doutrinação
Um das condições fundamentais para o doutrinador ser bem sucedido no seu intento de orientar é que tenha razoável condição moral. Isso lhe dará condições para exercer certo domínio sobre os Espíritos comunicantes. Precisará ainda ter conhecimento da Doutrina Espírita, para saber discernir a verdade da impostura. Quanto maior for este conhecimento, menos sujeito ficará à ação de Espíritos enganadores, que pululam por toda parte.
O dirigente das sessões mediúnicas ou doutrinador precisa ser uma pessoa dotada de razoável bom senso e que tenha sua mente livre de fantasias. Assim, ele terá condições para melhor analisar a produtividade dos trabalhos práticos. Deverá evitar comparações entre as situações de sofrimento observadas em sessões práticas, com aquelas narradas na literatura mediúnica subsidiária. Tais posicionamentos produzem confusões e estimulam os médiuns ao animismo improdutivo. Muitos dirigentes tentam reproduzir as situações de sessões lidas em obras conhecidas, imitando os diálogos e até a atitude de pessoas conhecidas no meio. Isso gera uma expectativa desagradável, que leva muitos médiuns inexperientes à estagnação de suas faculdades, quando não entram em processos obsessivos por vezes longos e de difícil resolução.
Uma disciplina interna para o funcionamento das sessões será condição imprescindível ao equilíbrio dos trabalhos. Alguns acertos deverão ser feitos entre dirigente e médiuns com muita sinceridade, para que não ocorram situações desagradáveis, tal como a interrupção da conversa com os Espíritos comunicantes por interferência de algum participante encarnado ou não. É fundamental que exista um clima de confiança e respeito mútuo entre a equipe.
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