quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Doutrinação dos Espíritos (V)


Alguns tipos de espíritos que se comunicam

José Queid Tufaile Huaixan

São diversos os tipos de Espíritos que se comunicam nas sessões práticas de Espiritismo. A lista que vamos apresentar a seguir, não é completa, mas oferece uma boa idéia a respeito das entidades comunicantes e de qual o procedimento que o doutrinador ou esclarecedor deve tomar junto de cada uma delas. A classificação foi feita pelo Dr. Umberto Ferreira (Goiânia, GO) em livro que trata do tema. (Como são 17, iremos dividir o texto em tomos para facilitar a leitura).
1.Espíritos sofredores (sofrimento físico) - O sofrimento dos Espíritos é de natureza moral. Entretanto o Espírito não se liberta da influência da matéria logo que chega ao Mundo Espiritual. Durante um tempo mais ou menos longo, dependendo do seu adiantamento, conserva impressões muito fortes da vida material. Se estava doente, continua com as mesmas dores, o mesmo mal-estar. Permanece condicionado à vida material com todas as suas necessidades e sensações.
O esclarecedor deve conduzir o diálogo como se estivesse socorrendo e orientando um encarnado, dizendo-lhe que ele irá receber o tratamento que vai aliviá-lo e, depois, curá-lo definitivamente. Caso ele responda que já fez vários tratamentos sem resultados, o esclarecedor pode afirmar que se trata de tratamento diferente dos outros e, sem dúvida, lhe trará o alívio desejado, porque será feito por equipe especializada.
Inicialmente, poderá sugerir ao Espírito que tome o medicamento a ser ministrado pela equipe de médicos e enfermeiros. Os Espíritos já têm tudo preparado, porque sabem, com antecedência, das necessidades dos Espíritos programados para se comunicarem.
O tempo necessário para a ministração do medicamento e o início dos efeitos pode ser bem curto. É equivalente ao tempo necessário para a ministração do recurso medicamentoso, porquanto os Espíritos estão numa dimensão em que a sucessão temporal não é como na Terra. Logo que o comunicante "ingere" o medicamento, o esclarecedor já pode começar a sugestionar a melhora, dizendo-lhe, por exemplo: - "O medicamento já está fazendo efeito. Você já está melhorando. A dor já está passando". Na maioria das vezes, ele confirma a melhora e demonstra muita alegria pelo alívio obtido. Em seguida, o esclarecedor pode convidá-lo a seguir com os membros da equipe para o local adequado à continuidade do tratamento.
Caso o Espírito peça alguma explicação sobre a sua situação, o esclarecedor, pode dizer-lhe que os demais membros da equipe lhe darão as explicações necessárias.
Em alguns casos, o Espírito não acusa qualquer melhora. Insiste que o novo tratamento não adiantou. Isto acontece com Espíritos que centralizam a mente na doença. São mais doentes da alma que do corpo. Neste caso, o esclarecedor pode explicar-lhes que a sua ajuda é indispensável. Que eles precisam mudar a atitude mental, mentalizando a melhora, ao invés de mentalizar a doença.
Em alguns casos, a queixa principal do Espírito é de sede intensa. Neste caso, o esclarecedor pode começar oferecendo-lhe água para beber. Da mesma forma, os Espíritos se encarregam de entregar-lhe a água. Aliviada a sede, o diálogo prosseguirá como no caso acima.
2.Espíritos sofredores (sofrimentos morais) - A maioria dos Espíritos que se comunicam em reuniões mediúnicas são sofredores. E o tipo de sofrimento que os infelicitam é de ordem moral e é exacerbado pela consciência culpada.
O esclarecedor deve ouvi-lo atentamente, procurando identificar a causa do sofrimento. Em seguida, deve explicar-lhe o que ele pode fazer para amenizar o próprio sofrimento.
É imprescindível falar-lhe acerca da importância da oração e da prática do bem como recursos para amenizar a sua dor.
É importante explicar-lhe que a autocondenação ou autoflagelação não resolve os seus problemas; ao contrário: agrava-os. O que mais pode ajudá-lo é o esforço para aprender, a prática do bem e a oração.
É oportuno falar-lhe acerca da Misericórdia Divina, que dá a todos oportunidade de reparar os erros cometidos e ampara e dá forças aos que se arrependem. Por fim, é recomendável convidá-lo a acompanhar a equipe numa prece em seu benefício.
3.Espíritos sofredores encarnados - O primeiro pensamento que vem à cabeça do esclarecedor é o de que se trata de alguém que já desencarnou e não sabe. Pode ser, mas pode se tratar de um encarnado que está com doença grave e sem esperança, que é conduzido à reunião mediúnica para ser esclarecido quanto à causa de tanto sofrimento. Isto acontece, com maior freqüência, quando o enfermo está com idéia fixa de suicídio. Entendendo as razões do seu sofrimento, pode se resignar e mudar de idéia.
Normalmente o médium psicofônico recebe algum tipo de aviso ou dica de que o Espírito que vai se comunicar é encarnado. Antes de dar a passividade, ele deve chamar o dirigente e preveni-lo quanto a esta possibilidade. Alertado, o dirigente, ficará muito atento, para conduzir o caso de forma adequada.
Às vezes, o médium psicofônico não percebe nada a este respeito, mas o esclarecedor recebe o alerta intuitivamente, ou poderá desconfiar, a partir das colocações iniciais do comunicante. Neste caso, é recomendável aguçar a intuição e a observação, para ter certeza. De qualquer modo, é prudente conduzir o diálogo com cuidado, escolhendo os argumentos que atendam às necessidades do Espírito, estando encarnado ou não. Depois de ter certeza, o esclarecedor poderá conduzir o raciocínio no sentido de levar o Espírito a se resignar com a prova ou expiação e a levar a sua vida terrena até o fim, sem pretender abreviá-la.
Os Espíritos não permitem a presença de Espírito encarnado numa reunião mediúnica sem razão justa. Na maioria das vezes, autorizam com o objetivo de mostrar a ele os motivos do seu sofrimento, que estão em existências anteriores. Na reunião mediúnica, será mais fácil para os Espíritos superiores reproduzirem cenas do seu passado, para que compreenda que não sofre sem razão justa. Os fluidos dos médiuns facilitam este tipo de trabalho.
Após retornar ao corpo, o encarnado não se lembra dos detalhes do que viu e ouviu, mas ficam fragmentos de lembranças, como se fosse um sonho, ou então impressões diferentes, uma esperança de melhora da situação e ainda mais confiança.
4.Espíritos desorientados - Muitos Espíritos não percebem que já desencarnaram. Sentem-se vivos, perambulam pela casa, pelo ambiente de trabalho e tentam conversar com os familiares e outras pessoas sem obter resposta.
O primeiro impulso do esclarecedor é o de dizer ao Espírito desta condição que a confusão se deve à sua desencarnação. Entretanto esta não é a forma mais adequada de começar. No decorrer do diálogo, o esclarecedor sondará as condições psicológicas do Espírito de saber ou não que já desencarnou. Neste exame, terá a ajuda dos bons Espíritos. Muitos desencarnados não têm condições de saber a verdade no momento da comunicação e se desequilibram se ficarem sabendo.
O esclarecedor deverá conduzir a conversação de forma muito natural, dizendo por exemplo: "Temos o prazer de conversar com você. Examine com calma o que está acontecendo. Seus familiares e amigos teriam algum motivo para não lhe darem atenção? Você já examinou a atitude deles, procurando sentir o que acontece no íntimo de cada um? Não notou alguma mudança em sua vida? Tudo está como antes? Não sentiu algum mal-estar? Consultou algum médico?" Após estes questionamentos, o esclarecedor deve aguardar o que o Espírito vai dizer. Os rumos da conversação dependerão da resposta do Espírito. Caso ele diga que estava doente, o esclarecedor poderá sugerir-lhe a continuidade do tratamento e sugerir-lhe outra equipe, que, naturalmente, é a espiritual. Em seguida, sugerirá que acompanhe os membros da equipe que aguardam este ponto do diálogo para se aproximarem.
Caso o Espírito afirme que continua sem entender e sem uma explicação para o que está acontecendo, o esclarecedor poderá convidá-lo a orarem juntos, para que Deus lhe mostre o que está se passando. Muitas vezes, durante a oração, os mentores espirituais, que sabem das condições psicológicas do comunicante, lhe mostram algum fato que o faz compreender que já desencarnou. Se isto não acontecer, obterá benefícios. Com muita freqüência, durante a prece, o Espírito costuma se asserenar e sentir sono. Neste caso, o esclarecedor poderá sugerir-lhe que acompanhe alguns membros da equipe (os Espíritos), que passarão a cuidar do seu caso, ajudando a esclarecer a situação.
Caso o Espírito responda que parece ter acontecido alguma coisa estranha ou diferente, o esclarecedor poderá perguntar: "O que você acha que seja?"
O Espírito poderá perguntar: "Será que eu morri?". Neste caso, o esclarecedor poderá confirmar, mas, para evitar qualquer choque para o comunicante, deve tomar o cuidado de dizer que ele não morreu; apenas passou para a vida espiritual, porquanto não existe morte do ser pensante. Ele apenas deixa a vestimenta carnal.
Após as perguntas iniciais, caso o Espírito permaneça confuso e desejando entender a sua situação e o esclarecedor, com a ajuda dos mentores, através da intuição, chegue à conclusão de que o desencarnado tem condições de saber que desencarnou, o esclarecedor deverá tomar o cuidado de não dizer logo de início; ao contrário, tomará o cuidado de conduzir o raciocínio do Espírito. Poderá perguntar-lhe se já pensou na morte algum dia. Qualquer que seja a resposta do Espírito, deverá esclarecer-lhe que não há morte, mas apenas passagem para a vida espiritual, que o Espírito conserva a sua individualidade, sua inteligência, seus sentimentos, o amor pelos entes queridos e, por isto, nem sempre percebe a passagem. Durante estas considerações, na maioria das vezes, o Espírito acaba concluindo que passou por este fenômeno, cabendo ao esclarecedor confirmar.

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