A Lei e a Evolução
Há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés; uma é invariável; a outra é apropriada aos costumes e ao caráter do povo e se modifica com o tempo.
A lei de Deus está formulada nos dois mandamentos iniciais e vale para todos os tempos e países, pois tem caráter divino. Todas as outras leis foram estabelecidas por Moisés, obrigado pelas circunstâncias a manter sob o rigor do temor o seu povo naturalmente turbulento e indisciplinado.
Abusos generalizados e preconceitos adquiridos na escravidão do Egito, exigiam de Moisés um pulso firme e a estratégia usada, por vezes, de anunciar ser obra de Deus os regulamentos que baixava.
Afinal, a autoridade dos líderes deveria repousar na outorga divina. Somente um Deus terrível poderia impressionar homens terríveis, ignorantes e acostumados a fazer justiça com as próprias mãos.
Precisamos acreditar que o mesmo Deus que outorgara mandamentos como “não matarás e não farás mal ao teu próximo” iria contradizer-se ao permitir a vingança. Jesus se anunciou como continuador da lei para que ela fosse cumprida, desenvolvida, levada ao verdadeiro sentido.
Toda a lei e os profetas do passado estão contidos nesta sentença: “Ama a Deus acima de todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”.
“O céu e a terra não passarão antes que tudo seja cumprido até um unido jota”. Todos os homens são filhos de Deus, sem distinção e objeto da mesma solicitude.
Mas, o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a sua palavra. Ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado sua vinda; sua autoridade decorria da natureza excepcional de seu Espírito e de sua missão divina; veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está sobre a Terra, mas no reino dos céus; ensinou-lhes o caminho que para lá conduz; ensinou-nos a reconciliar-nos com Deus; preveniu sobre a marcha das coisas futuras para o cumprimento dos destinos humanos. E não disse tudo. O povo não estava apto a ouvir tudo. Quando o espírito dos homens houvesse adquirido maturidade suficiente chegaria a oportunidade para tal.
A Ciência deveria contribuir mais poderosamente para a eclosão e o desenvolvimento das idéias; seria preciso, pois, dar à Ciência o tempo para progredir. É necessário que o ser humano desenvolva-se intelectual e moralmente, como se aprende o que está previsto na Lei do Progresso, que regula a evolução de todos os seres, encarnados ou desencarnados, e de todos os mundos do Universo. O Espírito só se depura com o tempo, pelas experiências que as reencarnações facultam.
"O homem tem que progredir incessantemente e não pode volver ao estado de infância. Desde que progride, é porque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar à sua primitiva condição seria negar a Lei do Progresso" (Livro dos Espíritos -questão 778].
"A lei do progresso não se aplica somente ao homem; é universal. Em todos os reinos da Natureza, uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todos os tempos. Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente".
O homem ascende a planos mais altos através do "trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor". "As reencarnações constituem, destarte, uma necessidade inelutável do progresso espiritual. Cada existência corpórea não comporta mais do que uma parcela de esforços determinados, após os quais a alma se encontra exausta. A morte representa, então, um repouso, uma etapa na longa rota da eternidade. Depois é a reencarnação novamente, a valer um como rejuvenescimento para o Espírito em marcha".
Paixões antigas, ignomínias. remorsos desaparecem. O esquecimento cria um novo ser, que se atira cheio de ardor e entusiasmo no percurso da nova estrada. Cada esforço redunda num progresso e cada progresso num poder sempre maior. Essas aquisições sucessivas vão alterando a alma nos inumeráveis degraus da perfeição.
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