O diagnóstico do caos
Como é que começam os desentendimentos, as rusgas, as ofensas, as inimizades, as tragédias pessoais?
Em 100% dos casos pela comunicação imperfeita, pelo excesso de confiança, pelo abuso, pelo desrespeito, pela teimosia, pela falta de humildade e paciência, pela intolerância e pelo orgulho.
Então, se tivermos a capacidade de parar, esfriar a cabeça, reconsiderar, descer dos tamancos, reconhecer e acima de tudo, avaliar as conseqüências de um simples ato impensado, muitas vezes, estaremos controlando a situação, retornando ao local da besteira e, o que é melhor, estendendo a mão desarmada, abrindo a guarda e convidando o desafeto à reconciliação.
Quando fazemos isso, descarregamos de nosso organismo as pesadas energias do desamor, da desconfiança, da mágoa, do ódio, do remorso, da culpa, do orgulho ferido, e estaremos dando oportunidade a que ventos refrescantes do amor empurrem as nuvens pesadas da tempestade do mal.
Quase todos nós, em algum lugar de sua infância, adolescência ou vida adulta, aprendemos uma máxima que diz: “desaforo não se leva pra casa!”
Isso mesmo! Não se leva pra casa. Procura-se dissipar o desentendido para que não sejamos impregnados pela sensação de covardia, humilhação, indignação, destruição da auto-estima. Isso seria desastroso para o sistema de defesa e imunidade contra o ataque de doenças emocionais.
Mas, também não podemos levar pra casa a sensação de que exageramos na dose, rodamos a baiana e damos uma tremenda demonstração de prepotência, machismo, feminismo, intolerância, grossura, violência... Isso seria desastroso para o sistema de defesa e imunidade contra o ataque de doenças emocionais.
Mas, todos sabemos, que a coisa não fica só no plano da humilhação ou da exaltação. A semente do mal vai dar frutos. Todos nós iremos colher exatamente tudo quanto plantarmos. Na maior das vezes, em quantidade aumentada.
Você pode não plantar tudo o que lhe chega às mãos, mas colherá tudo aquilo que plantar.
Então, parece ser inteligente, mais que inteligente, divino, administrar as crises: bater na boca, contar até dez, mostrar a outra face da moeda, demonstrar grandeza não pela prepotência, nem pela violência. Claro, “desaforo não se leva pra casa”, mas não se leva pra casa também a dor moral do excesso, chamada de remorso, culpa, dor de consciência...
O bem é a energia que procede da Lei de Deus: luminosa, confortadora, sadia, benfazeja, construtora; o mal, é a energia viciada, impura, doente, estagnada, sombria, destruidora, contrária à Lei de Deus.
Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a Lei de Deus. Fazer o mal é infringir a Lei de Deus. Se somos criaturas divinas, somos Criaturas do Bem. O pensamento, a atitude e a ação que se espera de nós, é a reprodução do Bem, o efeito da Lei de Deus, o Bem.
Nascemos bons e amorosos, gente do bem. O mal nos é ensinado. Quem nos ensina o mal? A própria família, a escola, as nossas relações com as pessoas, a mídia, o cinema, a lei da rua.
Temos muitos mestres: pai, mãe, irmãos mais velhos, amigos, professores, líderes e governantes, intelectuais que produzem para a literatura, o cinema, a tevê, demais conteúdos de nossa cultura.
Crescemos acompanhando as barbaridades do mundo e aprendemos que as coisas se resolvem na porretada. Quando um país invade o outro despejando bombas em nome da segurança e da democracia, ensina-se às crianças que é possível obter o brinquedo que pertence ao outro, na porretada. Que é possível apagar do boletim uma nota negativa mandando balas contra o professor em plena sala de aula.
Afinal, foi assim que o homem branco tomou a terra dos índios. Foi e é assim que o homem branco costuma tomar as terras dos próprios homens brancos.
Todas as barbaridades que conhecemos têm um autor intelectual, um ou vários mentores. Coloca-se na programação mental das pessoas que agir assim é normal.
Essa normose é a doença que desencadeia o mal e a violência.
Que qualidade tem esses mestres?
Como se consolidou nossa personalidade?
Que atitude temos em relação ao dia a dia da vida?
O que, normalmente, fazemos de forma automática diante de um fato inusitado?
Como nos comportamos diante de um animalzinho silvestre?
O que nos vem à mente diante de um maltrapilho, mendigo e sujo?
O que nos vem à mente quando, andando no asfalto, encontramos um fusquinha ou uma Brasília andando mais devagar?
E qual é a expressão que temos quando alguém nos ultrapassa em alta velocidade?
São nessas horas que expomos o conteúdo de nossas mentes e almas.
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