sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Androginia - do passado aos tempos atuais (I)


Androginia 

Conceito Geral

Androginia refere-se a dois conceitos: a mistura de características femininas e masculinas em um único ser, ou uma forma de descrever algo que não é nem masculino nem feminino.
Pessoa que se sente com uma combinação de características culturais quer masculinas (andro) quer femininas (gyne). Isto quer dizer que uma pessoa andrógina identifica-se e define-se como tendo níveis variáveis de sentimentos e traços comportamentais que são quer masculinos quer femininos.

Conceito humano

O andrógino é aquele(a) que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos. Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência.
Andróginos que prezam por sua androginia normalmente utilizam de adereços femininos, no caso de homens, ou masculinos, no caso de mulheres, para ressaltar a dualidade. Dado isso, tende-se a pressupor que os andróginos sejam invariavelmente homossexuais ou bissexuais, o que não é verdade, uma vez que a androginia ou é um caráter do comportamento e da aparência individual de uma pessoa ou mesmo sua condição sexual e psicológica, nada tendo a ver com a orientação sexual (ou identificação sexual), ou seja a atração erótica por determinado parceiro. Desse modo, pessoas andróginas podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais, assexuais, ou, ainda, pansexuais.

Do passado aos tempos atuais

Esta série concentrará um esforço para realitivizar costumes antigos e tendências atuais em nossas sociedades. Por que plural? Porque é muito diferente cá e lá, norte e sul, leste e oeste.
O crescimento vertiginoso das uniões entre seres do mesmo sexo – homens e mulheres – deve e pode ser explicado dentro da evolução pela qual passa a consciência e o corpo humano. Androginia, como você leu, traz um conceito elaborado há milhares de anos. Mas o ser humano andou para a frente, o sexo foi banalizado, foi parar nas telas do cinema, foi vendido como show, do mesmo modo que o ato de fumar deixou de ser uma cerimônia sagrada. O fumo foi misturado à química e embalado para vender nos balcões dos bares. Do mesmo modo que embriagar-se era um exercício sagrado para recepcionar os espíritos conselheiros. A bebida modificada, industrializada, foi envazada para ser vendida e consumida publicamente sem nenhuma cerimônia. Atrás das bebidas embriagantes vieram os alicinógenos mais pesados.
E o ser humano foi dando passos e mais passos num rumo que nos afasta dos deuses que presidiam as cerimônias sagradas do passado. Isso teria de dar no que deu.
Não, leitor, eu não estou condenando, nem elogiando nada. Estou relativizando.
Veremos mais adiante, mas é preciso colocar alguma coisa agora, que nos rituais sagrados dos tempos antigos o sexo aparecia como sinal de renovação da vida. Cada sacerdote transava apenas com a sua parceira. Era comum o uso de máscaras (com cabeças de animais representando os aspectos relacionados ao ritual/deus que estava sendo realizado), o que mais tarde foi dar origem ao Baile de Máscaras  e posteriormente ainda os Bailes de Carnaval. Estas sacerdotisas eram chamadas de Meretrizes, nome que mais tarde foi deturpado pela Igreja Católica e carimbado na testa das prostitutas.
Lá na noite dos tempos praticar sexo era algo sagrado, ainda encontrado em algumas tribos indígenas do Brasil, feito em público, como fazem os animais. Houve uma repressão, sexo virou coisa ruim e depois voltou, como voltou e você sabe. E neste caminhar pelos séculos, pelos milênios, estamos chegando ao tempo do homem e da mulher preferirem a troca sexual não com o sexo oposto e, portanto, distante dos princípios sagrados da antiga vida, do Hieros Gamos, o casamento sagrado, a cópula de uma divindade masculina com uma divindade feminina ou de um homem com uma mulher, muitas vezes com um significado simbólico e geralmente realizados na Primavera. É um antigo ritual em que os participantes acreditavam que podiam ganhar profunda experiência religiosa ou um intercâmbio de conhecimentos através da relação sexual, com direito a êxtase, ensaio físico do êxtase espiritual. Esta cerimônia foi, muitas vezes, feita pelo monarca da religião dominante em público, copulando com sua esposa.

Estamos no limiar de nova era e certamente como no passado, sujeitos a mudanças brutais no comportamento da humanidade. É com este objetivo que falaremos de Androginia.

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