014. Não foi fácil trazer Cristo à Terra
A investidura de um espírito superior num corpo humano é uma tarefa precedida de importantíssimas providências por parte da técnica divina, que toma conta de um assunto deste. Uma parte desse processo alguns setores da sociedade já conhece pela literatura disponível. A complexidade desse tema escapa à capacidade de compreensão de boa parte da sociedade humana. É aí que entra uma das tarefas reservadas ao Paráclito, como previsto em João 16, 5-14.
Em linhas gerais, explicam os mestres espirituais, uma encarnação desse gabarito ocorre diferentemente da encarnação de um espírito comum, como ocorre aos milhares em todo o planeta, todos os dias. Nesse caso especial são necessários: controle; clima espiritual; cuidados com o choque a ser causado ao espírito altamente purificado, que entra em contato com o plano material. São providências com o mais elevado cuidado. Os espíritos quotidianamente encarnados possuem de per si, uma irresistível atração ao plano material. Mas, esse não é o caso do espírito, da entidade que, em vida terrena, se chamou Jesus.
Os espíritos apegados à matéria e que voltam a ela, têm um campo propício à reencarnação. Com o espírito de Jesus não foi assim. Ele foi hóspede do planeta numa missão de sacrifício. E se a sua entrada na matéria não acontecesse com cuidados extremos, toda a missão, todo o plano secularmente anunciado pelos profetas, redundaria em fracasso.
Numa das comparações que os orientadores espirituais fazem para explicar-nos o (também) milagre da encarnação desse espírito superior, lemos que se trata de um esforço de auto-redução que lembra a espinhosa missão de se colocar um raio solar com três milhões de anos-luz de comprimento dentro de um vaso de barro. E nem por isso Jesus fugiu de todos os seus deveres como ser humano, integralmente físico e material, obedecendo às leis comuns da genética, da física, da biologia humana.
O que, de fato, precisou acontecer entre as demais providências destinadas a colocar aquele raio de sol dentro do vaso de barro, foi oferecer àquele espírito um corpo perfeito do ponto de vista anatômico-fisiológico, cujo sistema endócrino - chakras e sensores - funcionasse como cordões de luzes acesas até o mundo físico periférico de seu corpo, estabelecendo com o sistema nervoso a mais perfeita rede hipersensível entre o corpo, o cérebro e o espírito, com o mundo exterior.
Para quem crê, aceita este milagre (do latim milacru, derivada do sânscrito, com significado de maravilha), esta maravilha, que foi Jesus, colocado na terra e sua posterior crucificação, poderia até ser explicada não como “agressões” por Ele arremessadas contra as autoridades da época, mas sim como imprudência dos seus amigos mais chegados ao abandonarem-no sem defesa e sem testemunhas. Isso voltaria a ocorrer hoje, da mesma forma. O povo humilde, de qualquer parte do mundo, pressionado pelas ameaças, acossado pela mídia, intimidado pelo poder, abandonaria o ídolo, desistiria da utopia. Na verdade, tudo estava escrito. O plano divino cuidou até deste pormenor.
E ainda há mais um detalhe a considerar. Alguns dos seus colaboradores conheciam por antecipação este desfecho. Os familiares de Jesus continuaram a receber mensagens dos arcanjos encarregados de acompanhar a passagem do espírito Cristo no corpo de Joshua Bar Levi, nome verdadeiro do homem messias. José de Arimatéia foi um deles. Era tio, irmão de Maria. E homem poderoso. Possuía uma companhia de navegação e desempenhava a função de senador. Quando Pilatos, cheio de remorso, autorizou a retirada do corpo, lá estava José de Arimatéia. Liderou a dispersão popular e recolheu o corpo desfalecido de Jesus à tumba, que era de sua propriedade. Não foi uma, nem duas vezes, que Jesus repetiu: há necessidade que eu morra para salvar a todos.
Não fora assim, como explicar que um homem com dotes especiais como Ele, fruto de uma divina e superior encarnação, teria se deixado levar, escarnecer, torturar, matar? Em ocasiões anteriores Ele já havia escapado de inimigos e acusadores. O que ali aconteceu, foi, sem dúvida, o cumprimento das escrituras. Seria condenado não por um júri, mas por uma platéia de sacerdotes, intelectuais, membros do cordão de puxa-sacos do Imperador, integrantes da militância do partido agressivo (fariseu), braço armado da religião judaica, em conluio com o opressor romano. Foi crucificado e morto. Ao terceiro dia ressurgiu dos mortos e voltou para Deus, para o reino espiritual, rodeado por muitos espíritos eleitos, também superiores e auxiliares seus para a tarefa de retorno ao plano elevado da espiritualidade.
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