quinta-feira, 19 de julho de 2012

É polêmico, mas...


009.Jesus ressuscitou, sem dúvida

Ainda há muito o que esclarecer nestes terrenos minados onde imperam as paixões religiosas e vicejam os dogmas. Quando os analistas propõem abordar (1) a gravidez de Maria, (2) o período em que Jesus ficou ausente dos evangelhos, (3) a sua possível ligação conjugal com Madalena e (4) o que aconteceu após a crucificação, geralmente a discussão pega fogo.
Sabe onde está a causa da confusão? Está no ato impensado da Igreja de Roma ao inventar um milagre para revestir a passagem de Jesus pelo corpo, tirando dele a condição humana e assim elevá-lo à condição de Deus. Veja que o budismo colocou Sidartha Gautama à testa daquela religião e nunca afirmou que ele é um Deus e nem que nasceu de um arcanjo. Os muçulmanos colocaram Maomé à frente de sua religião e nunca disseram que ele é um Deus e nem que ele tenha nascido de forma diferente de como nasceram todos os homens do mundo. E assim é com outras religiões.
A Igreja comete algumas infantilidades e depois se vê aos apuros para manter aquela balela. O próprio Evangelho Sagrado, que ela dá como palavra vinda de Deus, deixa claríssimo que Jesus é filho de José. Está lá em Mateus. Todo o primeiro capítulo é dedicado a trabalhar a árvore genealógica de Jesus: 15 Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. 16 Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.
Nesse particular, os estrategistas romanos parecem ter pirado. Aliás, não se poderia esperar outra coisa de quem já exigia que o Imperador fosse respeitado como um deus. Se os evangelistas disseram que um arcanjo veio a Maria para dizer-lhe que ela seria mãe de alguém muito especial, isto é, um messias, para Roma bastava acrescentar que a gravidez não se deu entre ela e seu esposo, mas entre ela e o Espírito Santo, porque Deus queria, diretamente, ser pai desse menino. Mas, João Batista também foi anunciado pelo mesmo arcanjo e nasceu, sem divergência, de Zacarias e Isabel. O que houve de diferente entre um e outro caso? Nada.
O que houve que foi Herodes matou João Batista e Roma matou Jesus. Os dois estavam incomodando os poderosos. E o que houve, também, é que 300 anos depois de executar o incômodo réu, o poder romano foi buscá-lo para ídolo religioso. Inventou que ele não nasceu de José e nem morreu na cruz, pois voltou ao corpo e subiu aos céus no próprio corpo.
A igreja de Roma parecia precisar dizer isso para que o seu deus fosse antropológico, figura de imperador de carne e osso, sentado no trono, a exigir dos servos as reverências que o imperador deles exigia e se não fosse atendido sacrificava os insurretos.
Isso permeou a história da Igreja até o século XVIII. Não se tem conta do número de pessoas executadas por desobedecerem ao imperador ocupante do trono do hoje pequeno império com sede no Vaticano.
Vamos raciocinar com maturidade e grandeza para admitir que sendo filho de José e de Maria aquele líder maravilhoso, aquele espírito super hiper iluminado dispensa qualificações e arranjos de que não necessita para ser o maior exemplo de humanismo que tivemos.
Deus não precisaria inventar malabarismo nenhum para mudar o que Ele mesmo preside: um universo biológico em que os mamíferos nascem da conjunção, maravilhosa conjunção, das sementes do macho e da fêmea, aliás dentro de uma programação em que o código genético cabe inteiro dentro daquelas minúsculas, daquelas microscópicas sementinhas.
Dizer e exigir que aceitemos que Ele nasceu da sementinha do Espírito Santo que, ao que se sabe, nem masculino é, e que Ele subiu aos céus na posse do corpo, é negar toda a possibilidade do Espírito, enterrar a parte mais forte da pregação de Jesus; é chamar para essa igreja todo o desprezo da comunidade científica, como de fato, irremediavelmente, chamou.
Isso não existe, nunca existiu e não existirá, isso é história para crianças. A menos que a igreja também admita que um disco voador tenha vindo buscar o Mestre para levá-lo a outro planeta onde Ele passou a morar, repetindo o causo contado a respeito da ascensão de Elias, através de um carro de fogo.
Então, meus caros leitores, a temática da ressurreição ou ressuscitação volta ao debate. Ela não sairá do debate enquanto a Igreja não rever sua posição. Os católicos e todos os demais credos cristãos derivados da Igreja Romana, ficarão cobrando isso ou debandando em direção de outras confiáveis filosofias religiosas.
Ressurreição, como vimos nas teses de artigo anterior, é reencarnação, ressurgir entre os vivos. Não foi o caso de Jesus e sim de Lázaro. Ressuscitação é morrer e voltar ao mesmo corpo. È uma hipótese admissível, pois não se lhe quebraram as pernas como fizeram com os dois outros crucificados no mesmo ato.
Bem, e se admitida a hipótese de que ressuscitou, resta, para análise, o que fez Jesus depois que os evangelhos param de falar sobre Ele.
Este tema, ao lado do outros, que é a sua adolescência, permanecem em aberto.

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