quinta-feira, 26 de julho de 2012

A transformação esperada

        
016. A crise íntima dos médio-orientais

Apesar de terem estado no centro das atenções do planeta nestes últimos 20 séculos, o povo do Oriente Médio padece os efeitos de uma birra histórica não suplantada. Abraão não podia ser pai e buscou a participação de uma escrava para gerar seu primogênito, a quem chamou de Ismael. Eis que Sara, sua esposa engravida e vem o filho antes desejado e não obtido, ao qual se deu o nome de Jacó. O bastardo foi desprezado. Deu causa, porém, ao povo árabe, enquanto Jacó deu causa ao povo israelita.
Na soma dos principais problemas da região, pesam bastante a falta de pensamento livre, de reflexão profunda, de análise objetiva, de olhar crítico sobre si e de respeito aos direitos humanos. A prática do perdão, ensinada por Jesus, nem se cogita. Tanto os seguidores de Adonai, como de Maomé caem na mesma cova. A ilegitimidade é a doença infantil da sua política de relacionamento dentro e fora de suas fronteiras. O profundo abismo que os separa do pluralismo secular ocidental, é a fé, que os faz diferentes, além da língua e da raça, mas também quanto à retórica, à lógica, à ética, às noções de verdade e liberdade, à honra, à confiança, à família, à amizade e à hospitalidade, itens que mais têm contribuído para desentendimentos do que para entendimentos.
Parece claro que foram esses os condimentos que os afastaram de Jesus.
O seu povo resume a sua existência a uma soma constante de amarguras político-econômicas, com frustrações coletivas e à prática de descarregar esse estado emocional contra inimigos que possivelmente se localizem dentro de suas próprias cabeças. Desta forma, há 2000 anos, Jesus foi encarado como um desses inimigos. Continua sendo hoje.
De um lado, o capitalismo promove a exaustão de seus poços de petróleo, sinalizando que quando secarem os poços ou quando o petróleo deixar de ser a principal fonte energética do planeta, a situação será ainda pior. Quem sabe? De outro, o socialismo associado ao nacionalismo não tem, tanto quanto o capitalismo, resolvido o problema da distribuição de renda, do subdesenvolvimento.
A dívida externa regional é maior que 300 bilhões de dólares.

A Palestina

Na condição de parcela do Oriente Médio, a Palestina é um território assombrosamente marcado pelo ódio tribal. A tribo hebraica odeia a tribo de Maomé, e a tribo árabe odeia a tribo de Adonai. Os judeus são considerados invasores. Os árabes sonham com a unidade islâmica. Os judeus querem aumentar as fronteiras e trazer do exílio alguns milhares de irmãos extraviados.
Israel aumentou em 50% o território originalmente oferecido pela Organização das Nações Unidas, em 1948, ao invadir áreas limítrofes. Nos territórios ocupados, os cidadãos existentes não judeus são mantidos como escravos ou, no mínimo, como cidadãos de segunda classe.
A ONU há mais de 30 anos vem censurando Israel pela prática de invasão de territórios alheios, tanto quanto censurou o Iraque pela invasão do Kweit, em 1991. Contra o primeiro não se aprovam boicotes comerciais e nem se determina a guerra. Contra o segundo, sim.
O que mudou entre uma e outra atitude da ONU, é que sobre o território do Kweit os Estados Unidos possuem enormes investimentos em captação de petróleo e nas áreas ocupadas por Israel existem apenas camponeses pobres e humildes.
Em torno de Jerusalém circulam menos cristãos que adeptos de Adonai e de Maomé. O templo construído e destruído, reconstruído e redestruído ainda simboliza a arca da aliança dos hebreus com Deus e ainda fermenta uma longa espera pelo messias que não veio.
Os poucos cristãos judeus, pertencem à Igreja Ortodoxa, isto é, dissociada de Roma, com Papa próprio, com sede na Turquia.
        
Paz para a Galiléia

As divisões e o ódio entre as centenas de seitas, são notórios. Numa dessas ocasiões, em 1982, a situação evoluiu ao extremo de colocar os cristãos a serviço dos judeus contra os palestinos refugiados na Galiléia, terra onde Jesus viveu, trabalhou e pregou. Ali, ao Sul do Líbano, outrora Galiléia (de Nazaré, Tiro e Sidon), vivem 330 mil palestinos expulsos de onde viviam pela chegada dos judeus que ocuparam o Estado de Israel, criado por decreto da ONU em 1948. Os direitistas cristãos e o muçulmanos libaneses, que se odeiam e disputam posições políticas e territoriais, entraram em guerra nesse ano e, de parte a parte, partiram para o extermínio dos palestinos acampados, causando milhares de mortes. Os cristãos foram financiados por Israel, numa operação que se chamou “Paz para a Galiléia”.
E não é só. Israel também tem atacado periodicamente as cidades próximas de sua fronteira, visando alargar seu território. Faz isso sob qualquer pretexto, ocupa a área, bem ao estilo de Saddam no Kweit. Prospera, assim, a infantil doença da ilegitimidade, como nos referimos atrás.
Numa dessas incursões, o Serviço Secreto judeu invadiu o Centro de Estudos Palestinos da OLP - Organização pala a Libertação da Palestina, em Beirute, capital do Líbano, destruindo e carregando em caminhões, que seguiram para endereço ignorado, um acervo histórico fruto de 17 anos de trabalho de 80 pesquisadores da história e da cultura palestinas. Entre os documentos destruídos, muita coisa se relacionava com o próprio Messias, Jesus. O comandante dessa operação, Ariel Sharon, em 2001 ocupava o cargo de primeiro-ministro de Israel, prometendo negociar a paz com a Palestina. Houve paz? Haverá paz? 
          

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