005. O que realmente estamos deixando para o futuro?
Lembro que quando eu era pequeno, criança ainda, quando me machucava, sentia alguma dor ou alguma lesão na pele, ia até o armário de medicamentos que ficava no quarto de meus pais, lia a bula e mesmo não entendo muito bem se o medicamento seria apropriado, ficava tranqüilo em relação a um aspecto muito soberano: quem produzia aqueles produtos eram pessoas sérias em empresas muito respeitadas, logo imaginava que se não me fizesse bem, não haveria como me fazer mal, afinal, como o ser humano iria vender produtos que fizessem mal a outros seres humanos? É naturalmente uma fantasia infantil. Coisa que só uma criança poderia pensar!
Vivemos o apogeu da indústria química! Pessoas muito sérias e respeitadas produzem toda a sorte de produtos químicos para o nosso conforto e saúde. Naturalmente, eles sempre devem ter pensado da seguinte maneira: colocaremos no mercado produtos que ajudem a humanidade, mas obviamente, antes de ver seus óbvios benefícios teremos certeza que não fará mal agora nem mais tarde, e nem bem mais tarde! É óbvio que os cientistas são muito espertos e tem esta incrível capacidade de previsão. Não será o lucro imediato e fabuloso que fará seus olhos perderem o mais importante de todos os objetivos: manter cada indivíduo com saúde, e todo o nosso ambiente também, garantido o sucesso de nossa espécie em equilíbrio com a natureza!
Assim surgiram excelentes personagens, que por serem tão hábeis em antever um futuro seguro, produziram poderosas substâncias, tão incríveis que inclusive lhes deram os mais importantes prêmios da comunidade científica. Surgiu o DDT para a agricultura, o PCB (tão promissor na época que a poderosa empresa que seria a atual MONSANTO, logo se encarregou de produzir em larga escala) para a indústria elétrica, o CFC, e o DES (dietilbestrol, poderoso mimetizador de hormônio feminino). Após a grande depressão americana, os anos trinta, ávido de esperança de novos tempos de fartura, se curvariam facilmente às maravilhas da química.
E não deu outra, o mundo foi inundado de muita química... isto só poderia ser bom! E foi! Os laureados cientistas literalmente abriram as portas do poder de um novo império, que dominaria o mundo econômico e político até hoje - as indústrias químicas, e nada seria como antes. Os alimentos, os medicamentos, os produtos de consumo de toda ordem, todos ficaram alicerçados na indústria química, de modo tão avassalador, que praticamente não saberíamos mais viver sem ela! E como aprendemos com os erros do passado (não é o que se costuma dizer?) isto deve ter sido bem sensato... Nem o susto com as mal formações produzidas pela talidomida desanimou os químicos - se acerta mais do que se erra - este é o raciocínio da tecnologia!
Se acertou, mesmo! Todos os produtos citados anteriormente deram super certo: destruíram a camada de ozônio (CFC proibido!) provocaram danos permanentes no meio ambiente: (DDT proibido! PCB proibido!) e geraram câncer nas mulheres que usaram e geraram doenças na prole destas mulheres! (DES proibido!) Só tem um problema: décadas se passaram para descobrir o mal que isto produziu! E o pior: continuam produzindo! Os plásticos podem estar no centro de muitos problemas ambientais jamais imaginados antes.
Al Gore faz o prefácio do excepcional "O FUTURO ROUBADO" da L&PM (aliás, agora se entende porque houve confusão nas eleições americanas...). Todos os temas citados são amplamente explicados em uma compilação de estudos de eminentes cientistas de vários locais do mundo, num livro bastante didático e acessível, a despeito da complexidade do assunto.
Gostamos de acreditar que apesar de muitos erros que cometemos, não faríamos nada tão grave a ponto de por em risco nossa sobrevivência neste planeta! Mas o fato é que um homem nascido após os anos 70 tem apenas 50% dos espermatozóides de um nascido nos anos 30. Talvez já tenhamos ido longe demais! Espera-se que não tenhamos ido a um ponto sem retorno! Leia e divulgue "Futuro Roubado" - um livro único. O fato de não querermos saber o que ele informa, não diminuirá em nada nossa responsabilidade com nossos netos! O que poderemos responder se eles nos perguntarem. "Se vocês sabiam que isto poderia ocorrer, porque não tomaram alguma atitude?" Devemos crer que ainda é possível se fazer algo! Mas, todos precisamos entrar em ação! A primeira ação é nos sentirmos bem informados a respeito! A nossa omissão jamais será perdoada pelos nossos descendentes!
(Inspirado no livro "O Futuro roubado" de Theo Colborn e outros - L&PM - 2002 - 354 pgs.)
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