004. Profecias de ontem e de hoje
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Efésios 2:20).
Será que o dom espiritual da profecia continua a ser entregue pelo Espírito Santo aos homens de hoje? Se alguém chega à conclusão de que esse dom acabou e que Deus está em silêncio, como nos 400 anos que antecederam a vinda de Cristo, então deve receber o rótulo de “cessacionista”. Se, ao contrário, alguém chegou à conclusão de que a profecia (e outros dons espirituais semelhantes) ainda está sendo liberalmente demonstrada, essa pessoa é um “não-cessacionista”.
O dom do apostolado foi uma ocorrência especial em certo tempo da história cristã. O apostolado foi dado à Igreja com o exclusivo objetivo de revelar o mistério de que Jesus Cristo veio ao mundo como o Messias, tanto dos judeus como dos gentios. O testemunho ocular para a revelação desse mistério foi entregue pelo apóstolo Paulo, o qual se refere ao dom do apostolado como um dom fundamental à igreja em formação. Depois da entrega do Novo Testamento aos cristãos, o dom do apostolado cessou completamente.
Profecia
Um diligente estudante da Palavra iria perceber que Paulo também se refere aos profetas como sendo parte do mesmo fundamento da igreja. Será que essa referência ao assunto, em Efésios 2:20, implica na cessação do dom da profecia, do mesmo modo como o apostolado foi apenas temporário na história humana?
Os profetas do Novo Testamento foram fundamentais e íntegros no estabelecimento das doutrinas da igreja primitiva (Atos 8:6); eles desempenharam um papel funcional em levar aos samaritanos o mistério de Cristo (Atos 8:5); aos gentios da Etiópia, a salvação em Cristo (Atos 8:26-39), tendo pregado o evangelho a uma população predominantemente gentílica (Atos 8:40).
Atos 15:36 descreve como os profetas Silas e Judas, da Igreja de Antioquia, viajaram aos gentios, exatamente para ensinar que eles também poderiam receber a salvação em Cristo, sem a obrigação de primeiro se converterem ao Judaísmo ou submeterem-se à Lei de Moisés. A própria carta aos gentios, da qual eles se encarregaram, foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo (Atos 15:28). Ela estava certamente estabelecendo a doutrina fundamental da salvação cristã outorgada a todos os gentios, durante um dos pontos mais críticos da história da igreja.
O que poderia ter sido mais fundamental à igreja no estabelecimento de sua doutrina, revelando o mistério de que Cristo é o Salvador dos gentios e dos judeus, do que o genuíno conteúdo da Escritura? Lucas, Tiago e Judas são homens que podem ser descritos como profetas. Eles estiveram entre os profetas que escreveram a Escritura Sagrada, apresentando Cristo como o exclusivo fundamento da igreja, conforme Paulo diz: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11).
Ilustrando, finalmente, o papel que os profetas exerceram no fundamento da doutrina da igreja cristã e na proclamação do mistério de Cristo como sendo o Messias de todos, nós chegamos a Atos 13:1-3: “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram”.
Vemos aqui que a Igreja de Antioquia tinha “profetas e doutores”, os quais são citados pelos nomes. Eles receberam a revelação verbal de que Paulo e Barnabé precisavam ser liberados (no Grego, ekpempo) para iniciar a sua primeira viagem missionária. E mesmo antes desta terminar, Paulo retirou-se do ministério de pregação aos judeus, indo cumprir sua missão de “apóstolo aos gentios”. Os profetas, exatamente como os apóstolos, foram realmente fundamentais no início da igreja, unindo judeus e gentios no mesmo plano de salvação. Será que isso quer dizer que a profecia foi encerrada no ano 100 d.C?
Profetas no futuro
Sem levar em conta se alguém é ou não é cessacionista (como a tradutora deste artigo) o Livro de Apocalipse anuncia que os profetas voltarão na época da Grande Tribulação, no final dos tempos. Especificamente dois profetas vão aparecer no cenário mundial, profetizando durante 1.260 dias, enquanto, ao mesmo tempo, estarão operando sinais e maravilhas. E não apenas isso, mas expelindo fogo de suas bocas, eles consumirão todo adversário que tentar prejudicá-los fisicamente.
Profetas de hoje
Já não estamos nos dias fundamentais da igreja... Agora temos o Novo Testamento para nos orientar em tudo de que necessitamos, ou seja: “as Sagradas Escrituras, que podem fazer-nos sábios para a salvação pela fé que há em Cristo Jesus”, pois “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).
Isso quer dizer que os indícios entregues em Apocalipse irão se realizar nos “últimos dias”, dos quais talvez estejamos muito próximos. A verdade é que, após ter sido o cânon encerrado, já não precisamos mais de profecia alguma, isto é, de qualquer Escritura (ou verbalização) adicional. Cristo foi revelado como a resposta definitiva ao mistério da unificação de judeus e gentios. Temos pastores, mestres e evangelistas para explicar as Escrituras, instruindo-nos na Palavra de Deus. Nesse caso, qual seria o papel de um profeta hoje em dia?
Enquanto esta simples pergunta não tiver uma boa resposta, ou seja, se a profecia foi apenas um dom necessário ao estabelecimento da doutrina na igreja primitiva, devemos considerar este assunto com muito cuidado. [Os falsos profetas têm se alastrado como erva daninha dentro da igreja evangélica moderna, conduzindo os seus seguidores às mais aberrantes heresias]. O certo é que qualquer resposta positiva em favor dos profetas modernos poderia nos conduzir ao erro. E a propagação de Escrituras adicionais [uma prática muito comum às seitas] deve ser absolutamente descartada.
Uma das poucas razões práticas da profecia seria a de oferecer mais direção e orientação aos homens cristãos. Isso poderia ocorrer no caso de alguém desejar saber se deveria ir ou não ir a um determinado lugar, como missionário. Como poderia esse homem desvendar a vontade de Deus, sem que Ele a revelasse? Aí poderia acontecer a ajuda de um profeta? Ora, o próprio cristão tem a Bíblia como sua exclusiva regra de fé e prática, além da oração, a fim de receber a orientação direta do Espírito Santo. Então, para que serviria a atuação de um profeta na atualidade? Isso sem falar que esse profeta iria exigir uma aplicação bastante melhorada de Deuteronômio 18:22: “Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele”. Isso em razão do avanço da moderna tecnologia, que consegue driblar os sentimentos humanos. Quando a palavra for pronunciada por um profeta moderno, devemos exigir, em o Nome do Senhor, que ele fale exclusivamente a verdade. [O que dizer, então, de “profetas” como Peter Wagner, Benny Hinn, Rick Joyner e centenas de outros, que falam tolices que jamais se realizam?]
Não desprezar as profecias?
Em geral os pentecostais e carismáticos sustentam que o dom da profecia é um dom perpétuo da igreja. [Contudo, o evangelho de Cristo nunca foi tão deturpado como depois do avanço desse segmento dito cristão]. Eles costumam usar a 1 Tessalonicenses 5:19-22: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal”, garantindo que esta passagem afirma que o dom da profecia é um dom permanente na igreja. Contudo, esta passagem não esclarece que as profecias devam ser entregues exclusivamente pelo Espírito Santo. Paulo disse na 1 Coríntios 13:8-b: “mas havendo profecias, serão aniquiladas”.
Não podemos garantir que as declarações proféticas tenham cessado completamente, pois Deus é Soberano. Contudo, o que temos visto é deprimente em relação à verdade que liberta do engodo religioso, com tantas mistificações entrando na igreja do Senhor.
Só existe um tipo de profecia que iria colocar em risco a nossa eterna salvação. São as profecias que estão contidas na Palavra de Deus, a Bíblia, onde todas as declarações proféticas provêm do Espírito Santo. As profecias ali escritas podem nos conduzir ao arrependimento dos nossos pecados, “porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12).
Mary Schultze, 05/07/2007.
Informações colhidas no artigo “Prophets and the Post -New Testament Gift”
De Craig W. Booth.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)
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