terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Apóstolos atordoados


O Cristo deveria voltar, voltará?

Terminada a excitante experiência da direta pregação de Jesus aos povos da Palestina e especialmente a um seleto grupo de seguidores mais íntimos seus, os apóstolos saíram às ruas e comunidades para pregar e curar. Mas, os mesmos opositores judeus que levaram a denúncia ao Sinédrio e ao promotor Pilatos, andava nos calcanhares deles para provocá-los e forçá-los a cometerem deslizes para poderem denunciá-los às autoridades romanas. Foi assim que um a um dos apóstolos foram sendo denunciados, recolhidos à prisão e condenados, muitos deles à morte.

Como defesa diante dos ataques, principalmente da seita dos ferrenhos fariseus, os apóstolos começaram a desejar que Cristo voltasse às ruas. Só Ele poderia, como já tinha feito, conter a ira dos inimigos judaicos. Mas, voltar às ruas não estava nos planos de Deus. A ideia, porém, de seu retorno ficou gravada na mente cultural de muita gente e acabou sendo escrita em algum documento para a posteridade.

Por este tempo ocorre a conversão do centurião romano Paulo de Tarso que, por sua trajetória junto das autoridades romanas, acabou por convencer muito mais gente em favor do Cristo que ele não conheceu, mas passou a adorar.

E a doutrina de Paulo era divergente com o que os apóstolos haviam aprendido de Jesus, tanto que Paulo bateu de frente com Pedro e outros.

O que, a partir de Paulo, modificou a cátedra de Cristo? A ideia do Salvador, herdada dos judeus que esperavam o salvador libertador. Paulo era judeu até então a serviço de Roma e também, como judeu, esperava um Messias. Desde que os judeus renunciaram a Jesus, quem sabe a nova chance viria com a volta de Jesus, o messias prometido pelos profetas judeus. E a ideia do salvador pegou.

Como ao Império Romano era simpática a ideia do salvador, a igreja romana apostou tudo na ideia de que Cristo havia vindo para tirar os pecados do mundo, para aliviar as culpas daqueles que haviam feito horrores e também alimentou a ideia da Sua volta como salvador do futuro para completar o seu trabalho interrompido pela crucificação.

Todos os cristãos passaram a olhar para seus salvadores, fossem eles o patrão, o prefeito, o curandeiro, o médico, o santo, o Collor, o Lula ou o próprio Jesus. Ninguém mais tratou de se cuidar ao extremo para não derrapar, pois estava a caminho o mesmo salvador que já havia morrido na cruz para livrá-los dos pecados do mundo. “Eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”, frase missal que passou a ser antológica, mesmo, e até, para livrar-nos das dores das doenças. Eu não preciso ser são, santo, puro, pois algo vindo de fora faz isso por mim.

Tenho dito.

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