O
Cristo deveria voltar, voltará?
Terminada
a excitante experiência da direta pregação de Jesus aos povos da Palestina e
especialmente a um seleto grupo de seguidores mais íntimos seus, os apóstolos
saíram às ruas e comunidades para pregar e curar. Mas, os mesmos opositores
judeus que levaram a denúncia ao Sinédrio e ao promotor Pilatos, andava nos
calcanhares deles para provocá-los e forçá-los a cometerem deslizes para
poderem denunciá-los às autoridades romanas. Foi assim que um a um dos
apóstolos foram sendo denunciados, recolhidos à prisão e condenados, muitos
deles à morte.
Como
defesa diante dos ataques, principalmente da seita dos ferrenhos fariseus, os
apóstolos começaram a desejar que Cristo voltasse às ruas. Só Ele poderia, como
já tinha feito, conter a ira dos inimigos judaicos. Mas, voltar às ruas não
estava nos planos de Deus. A ideia, porém, de seu retorno ficou gravada na
mente cultural de muita gente e acabou sendo escrita em algum documento para a
posteridade.
Por
este tempo ocorre a conversão do centurião romano Paulo de Tarso que, por sua
trajetória junto das autoridades romanas, acabou por convencer muito mais gente
em favor do Cristo que ele não conheceu, mas passou a adorar.
E
a doutrina de Paulo era divergente com o que os apóstolos haviam aprendido de
Jesus, tanto que Paulo bateu de frente com Pedro e outros.
O
que, a partir de Paulo, modificou a cátedra de Cristo? A ideia do Salvador,
herdada dos judeus que esperavam o salvador libertador. Paulo era judeu até
então a serviço de Roma e também, como judeu, esperava um Messias. Desde que os
judeus renunciaram a Jesus, quem sabe a nova chance viria com a volta de Jesus,
o messias prometido pelos profetas judeus. E a ideia do salvador pegou.
Como
ao Império Romano era simpática a ideia do salvador, a igreja romana apostou
tudo na ideia de que Cristo havia vindo para tirar os pecados do mundo, para aliviar
as culpas daqueles que haviam feito horrores e também alimentou a ideia da
Sua volta como salvador do futuro para completar o seu trabalho
interrompido pela crucificação.
Todos
os cristãos passaram a olhar para seus salvadores, fossem eles o patrão, o
prefeito, o curandeiro, o médico, o santo, o Collor, o Lula ou o próprio Jesus.
Ninguém mais tratou de se cuidar ao extremo para não derrapar, pois estava a
caminho o mesmo salvador que já havia morrido na cruz para livrá-los dos
pecados do mundo. “Eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei
uma palavra e serei salvo”, frase missal que passou a ser antológica, mesmo, e
até, para livrar-nos das dores das doenças. Eu não preciso ser são, santo,
puro, pois algo vindo de fora faz isso por mim.
Tenho
dito.
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