quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A bem da Verdade (VII)


Conclusão


Um raciocínio conclusivo para fechar esta síntese sobre “Consciência e Verdade à Luz da Espiritualidade” necessita transitar com liberdade por qualquer território de qualquer ciência, como a Escola da Vida sabe fazer. Mas, no fundo, nos obriga encaminhar esta conclusão para a mais simples e a mais erudita das equações filosóficas: o que pretende o Legislador Maior? Se pudesse o Homem, a um tempo só, observar e contemplar os desdobramentos produzidos pela obra evolutiva universal em 40 mil anos terrestres – tempo que se presume a idade da inteligência humana – veria o homem que a meta é clara: transitar em espiral refinando, melhorando, aperfeiçoando, evoluindo: aplicando Beleza e Bondade à sua Verdade. Nesta mesma seqüência de observação e contemplação veria ele que o modo é harmônico: tudo o que não contraria a lei, floresce em multicoloridos, canta em harmônicos, se reproduz em naturalidade, cumpre com rigor uma hierarquia e uma disciplina encantadoras, maravilhosas. Ali, a Beleza é real, a Bondade é real, a Verdade é real. Logo, a Lei é Sábia, o Modo opta pela Beleza, pelo Bem, pela utilidade, e serve, se doa, compromete-se com o todo. O Objetivo é elevado. Merece aprovação. Pode-se ir além na conclusão: toda a cadeia é amorosa e doadora de baixo para cima e certamente não acaba no Homem. Por que o Homem não se adapta à cadeia?

A vida Humana e suas dificuldades incontáveis têm por finalidade, na ordem da sabedoria eterna, a educação da vontade do Homem. Fecha-se aqui a metáfora da vinificação. Os especialistas usam a palavra “terroir” para conceituar o que poderia ser a identidade integral de um vinho, não necessariamente para defini-lo como ótimo, mas para defini-lo por completo, pronto, acabado, safra após safra. Isto é, se solo, água, temperatura, cepa, manejo, tempo de maturação e gosto do apreciador se encontrarem no nível ótimo, o vinho será ótimo; se houver pequenas falhas aqui, ali ou acolá, o vinho será regular; se houver muitas falhas durante todo o processo, o vinho será ruim. Mas, continuará sendo vinho. Vinho que, ao ser consumido, denunciará sua identidade, bem como acontece com as almas: umas terão muito que celebrar; outras, muito pouco. Se durante o percurso tudo respeitar, maximamente, os preceitos da Lei Natural e se houver sábias escolhas, haverá vinho, vinho de maior qualidade; se as Leis Naturais não forem respeitadas, se as escolhas forem precárias, haverá vinho ruim, mas haverá vinho. A dignidade do Homem consiste em fazer o Bem para se tornar Bom, em conformidade com a Ciência do Verdadeiro. Alguns homens, algumas mulheres, chamarão para si grande dignidade por haverem feito muito Bem e se tornarão muito Bons. É quando a videira celebrará juntamente com os apreciadores do vinho, porque ela sozinha não faz vinho, ele carece de que haja uma boa escolha de solo, de cepa, de manejo, de tempo de maturação e que o vinho obtido esteja ao gosto do apreciador. É quando a sua outorga chegou a um bom vinho com grande Beleza, onde a beleza se traduza pela elevação, pelo prazer (resultado) obtido.

Não são diferentes as escolhas humanas com amigos, conversas, tipo de lazer, leitura, comportamento, investimento em crescimento com qualidade, busca da maturidade espiritual. O resultado merecerá uma celebração, chocha ou vibrante, mas haverá. 

O Bem conforme o Verdadeiro é o Justo.
A Bondade, conforme a Justiça é a prática da Razão.
A Beleza conforme a Razão é o Verbo da Realidade.
A Realidade conforme a Ciência é a Verdade.
A Verdade conforme a História é à Vida.

O Homem chega à idéia do Ser por duas vias, pela experiência e pela hipótese. A hipótese é provável quando solicitada pelos ensinamentos da experiência; é improvável ou absurda quando é rejeitada por esse ensinamento. A experiência é a ciência, e a hipótese é a fé. A verdadeira ciência admite necessariamente a fé; a verdadeira fé conta necessariamente com a ciência.

Para realizar o complexo, sofisticado e rico processo de crescer em consciência para aproximar-se do Objetivo Planejado pelo Autor Maior da Vida, é necessário ao Homem procurar conquistar e amadurecer as características psicossociais e as funções mais nobres de sua inteligência. Deve o Homem, antes de tudo, aprender a interiorizar-se e caminhar nas trajetórias do seu próprio ser, onde certamente encontrará a maior das verdades, a Sua Verdade, como alguém que transita pela vida com raízes bem fundas dentro da Natureza íntima e externa, como a videira. Se respeitada, sua outorga merecerá muitos brindes.
A natureza é a arte de Deus. (Dante Alighieri)
A verdadeira nobreza está na bondade. (Ifícrates)
A verdade é a essência da moralidade. (T. H. Huxley)

Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza. (Albert Einstein)
A bondade é uma forma especial de verdade e beleza. É verdade e beleza no comportamento humano. (H. A. Overstreet)

BIBLIOGRAFIA BASE:

Cury, Jorge Augusto – “Inteligência Multifocal”, Ed. Cultrix, SP.
Denis, Leon – “O Grande Enigma” Ed. FEB, Rio.
Espinosa, Baruch – “Ética” trad. Joaquim de Carvalho et alli, em “Os Pensadores”, Abril Cultural, S.P.
Heidegger, Martin – “Sobre a Essência da Verdade”, trad. Ernildo Stein, idem ibidem.
Levi, Eliphas – “A Chave dos Grandes Mistérios” – DP (Internet).
Moore, George Edward – “Princípios Éticos”, trad. Luiz João Baraúna, ed. 1980, ibidem.
Tonietto, J. “Afinal o que é Terroir?”, Jornal Bon Vivant, v. 8, Flores da Cunha, RS, 2007.
Wilber, Ken – “Espiritualidade Integral”, Aleph, SP, 2007.

Nenhum comentário:

Postar um comentário