Inteligência, Verdade e Liberdade
A questão da Liberdade, que começou a ser enfocada anteriormente, vai mais além agora. Diante das leis universais, também chamadas de Leis Divinas, o homem é absolutamente um servo, cujo comportamento exige dele muito mais coisas que Ética. Se tomarmos a Ética – como de fato deve ser tomada, na prática – pelo ato de não fazer aos outros aquilo que não queremos para nós, é perfeitamente possível encontrar Ética, também, entre gangues no exercício de crimes. Não é a Ética, apenas, pois, qualificativo de homem bom no sentido aqui buscado. O Homem Bom possui Virtudes Divinas que se exteriorizam por palavras, por atitudes e por ações, para o bem. Eis que, também por palavras, atitudes e ações, rigorosamente dentro da Ética, também o bandido demonstra ética. Aqui tem origem no imaginar, no desejar, no pensar, no elaborar toda a diferença para se chegar a um dos lados da verdade.
Mesmo que o homem possua uma família virtuosa, freqüente as melhores escolas e demonstre uma brilhante inteligência, com isso não tem ele assegurado um bom comportamento, pois é comum a existência de ladrões, criminosos, corruptos e corruptores dentre as chamadas classes sociais mais aculturadas e mais abastadas do País. A família, a escola e a igreja podem um pouco, mas não podem tudo ante a uma índole malévola. O que seria a índole se não uma manifestação da alma? O que seria a liberdade do homem fora das leis universais?
Chamemos para o debate os melhores juristas. Para que serve a liberdade fora do rigor das leis, sejam elas humanas ou divinas?
Como se pode ver, a discussão é ampla. Retornamos aos questionamentos para poder evoluir nas conceituações. A Inteligência é o poder de perceber as realidades, compreender as coisas e interpretar os contextos para deles se aproveitar racionalmente em favor de um ou mais objetivos. Em nenhum momento se disse que a Inteligência é um instrumento de benignidade. Nem de malignidade. Esta escolha é humana.
O homem não é mau ou bom segundo sua inteligência. Mais, ou menos, capaz, sim. E graças à sua capacidade de percepção, compreensão e interpretação, pode ele escolher – aqui está o entendimento mais apropriado para o uso da liberdade e do livre-arbítrio – ser do bem ou ser do mal. Novamente Espinosa é citado para enfatizar o que ele entende por Bem e por Mal. Conclui Espinosa: “o Bem é a consciência que temos de nossa alegria; o Mal é a consciência que temos de nossa tristeza”. E vai além para dizer que “a Perfeição é a consciência que temos de nossa potência; a Imperfeição é a consciência que temos de nossa impotência”. Potência é pensar e fazer o que nos alegra. Impotência é pensar e não fazer e entristecer-se pelo vazio (da Tela), pelo negativo do nada fazer em prol da Tela Maior que reproduz o Projeto do Inventor.
Há que notar mais uma vez que o Bem nos conforta e alegra; o mal nos incomoda e entristece, numa clara indicação do propósito da vida. Não fosse por esta razão, o canto dos pássaros nos incomodariam, o multicolorido das flores nos entristeceriam. A musicalidade do canto de um canário tem o outro extremo da reação que tem os latidos de um cão raivoso. O primeiro anuncia a harmonia da paz; o segundo denuncia a ameaça de perda da harmonia.
A sirene da polícia tem distinta conotação à vítima de um assalto e ao praticante do assalto, da mesma maneira que a mão estendida tem diferente conotação ao mendigo que pede e ao anfitrião que recebe.
Ao vermos um guarda receber dinheiro da mão de quem ele interpela tem diferente conotação do ato de vê-lo receber um abraço de gratidão.
Por mais que se diga tratar-se de convenções éticas válidas a toda a humanidade, forçoso é admitir que nem aos animais o mal é agradável.
Abre-se aqui um hiato de interesse para entender o Bem e o Mal. George Edward Moore adiantou-se para explicar o Bem como designativo de Aprovação e o Mal como designativo de Condenação, mas foi além. Aprovação e condenação em relação a o quê? Em relação às Leis Divinas que, segundo Leon Denis, estão contempladas, em breves resumos na consciência humana. Consciência vem do latim “con-sciere”, traduzido como co-ciência. Explicando melhor, nossa consciência é o reflexo da Ciência Maior, da Ciência Suprema, onde está a Causa dos Mundos Existentes. Nossa consciência é aquilo que nos faz, a cada avanço, mais semelhantes ao Grande Cientista-Inventor. A cada estagnação ou retrocesso nos faz, também, menos semelhantes a Ele. Vem daí o bem, o belo, o verdadeiro ou o reverso.
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