terça-feira, 6 de novembro de 2012

A bem da Verdade (VI)


Verdade, Beleza e Bondade à Luz da Espiritualidade

Desde que adquiriu consciência de si pela via do despertar da inteligência, o homem desejou saber mais sobre si mesmo e sobre suas companhias, a começar por seu gesto de olhar para o infinito e de nada saber sobre ele, além de temê-lo. Temos medo de tudo que não conhecemos. Costumamos entender como sagrado aquilo que não decodificamos. A maioria das religiões por desconhecimento de Deus, prefere infundir temor. No entanto, o Cientista Inventor de tudo o que existe não é bravo, nem irado. É severo. Severo naquilo que o termo induz entender: ser vero, ser verdadeiro, ser real. Eis, aqui, a origem de toda verdade. A invenção (Vida) é real.

Então, a verdade buscada pelo homem não pode ser outra se não o conhecimento da Verdade que está na Obra do Grande Cientista Inventor, que chamamos de Deus. Onde está escrita a Verdade de Deus de forma clara e límpida para a leitura do homem? Na Natureza, onde Deus também se mostra severo. Nas relações do homem com o homem e dos homens com a divindade, muito se fala de perdão, tolerância, indulgência. Nos códigos naturais, porém, estas relações são muito mais de severidade, respeito, justiça. Algum humano inventou a indulgência na esperança de que o seu deus viesse, por indulgência, a zerar nossas faltas por um ato de camaradagem ou em troca de uma oferenda. Mas, a indulgência de Deus não está sob este ângulo; está na concessão da oportunidade de recuperação, de retorno à dignidade.
Não há nenhum conjunto de homens perversos em relação à Natureza, a sua e a circundante, que tenha escapado impune, ileso, perdoado, sarado depois de cometer desobediência às Leis Naturais. É uma prova mais que evidente, insofismável, de que HÁ UMA LEI para observar. Aquele que não saiba que lei é esta, é um tolo, um ignorante, um errante, a transitar pelo sistema e a tropeçar constantemente nas mesmas balizas e nos mesmos marcos plantados como sinais dos parâmetros da lei.

O retorno ao Éden, embora visto por outra concepção, equivocada, nada mais é do que a aquisição da compreensão da Lei para aplicá-la corretamente em relação a toda a Natureza, em que o ser humano não se exclua e não exclua.

Nos alcances de terceira dimensão as experiências “eu” (1ª pessoa) se referem à arte (Belo); as experiências “nós” (2ª pessoa) se referem aos princípios morais (Bom); e as experiências “ele” (3ª pessoa) se referem à ciência (Verdade); no mesmo raciocínio, se referem ao “self”, à cultura e à natureza ou (de volta) ao Belo, Bom e Verdadeiro. Com a advertência: nada é pronto, criado, acabado. Tudo segue sendo criado, evoluindo, melhorando. Não é lícito ao Homem piorar nada.

O homem inteligente talvez seja aquele que busca perceber, compreender e interpretar a lei para adequar-se a ela, contribuir com ela. Onde buscar a lei? No imenso livro aberto que é a Natureza, da qual o homem é o mais qualificado, o mais inteligente, o cientista mais capaz de todos os membros conhecidos da Teia. Fora da lei e na contramão da naturalidade, tendo seu Ser como uma expressão melhor traduzida de toda a Natureza, o Homem sempre será um contraventor, um adversário do Grande Legislador-Inventor, quem sabe o Anjo Caído da lenda. Dentro da Lei, o seu Ser sempre será a idéia de sua Alma ou por outra, a obra (sua) será reflexo do projeto (que não é seu) e que está em constante adaptação, diga-se mutação ou evolução para chegar onde é esperado.

Ainda é Espinosa que ensina: “Deus e Natureza comungam de uma homogeneidade total e, portanto, as leis divinas são leis naturais e vice-versa. Deus e Natureza convertem-se numa só e mesma coisa”, pois o jeito de Deus revelar-se ao homem, neste estágio em que ainda se encontra a humanidade, é através da obra que resulta de seu projeto. A alma do homem é a idéia do seu corpo e jeito, tanto quanto a Natureza total é o corpo e jeito da idéia de Deus, ao menos naquilo que podemos agora conhecer.

O maior ou menor conhecimento, pelo homem evolutivo, dos sempre aludidos mistérios de Deus é, na verdade, o conhecimento das leis divinas ou leis naturais. Não iremos adiante na evolução enquanto não decodificarmos esta parte do conhecer. E o tamanho do conhecimento, diga-se CIÊNCIA, decorre da evolução de sua própria inteligência e por conseqüência, da expansão de sua CONSCIÊNCIA. Leia-se: expansão de sua CO-CIÊNCIA para candidatar-se a maior conhecedor da CIÊNCIA do Autor Maior: DEUS.

Qualificado o Homem como intérprete das Leis Naturais, o passo seguinte de sua caminhada será o chamado para candidatar-se a intérprete das Leis Espirituais.

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