Isso
parece linguagem de presídio
E
é. É e não é, mas é preciso explicar.
Eu
já publiquei aqui e repito agora por necessidade de formar uma linha de
pensamento. Se você, leitor, leitora, olhar para a caminhada humana sobre a
história e puder comparar isso com o próprio crescimento nosso como seres
humanos, vai dar nisso: lá atrás, como crianças, nosso mundo era a mãe, de onde
nos chegava a comida, a higiene, o calor, o carinho – éramos o indígena que
percebia Deus/Deusa em tudo; na segunda infância, estávamos abertos aos contos,
aos mitos, às lendas, às estórias e histórias – éramos doutrinados e “sempre caíamos
no sono” ao ouvir uma fascinante estória envolvendo algum mito; como adolescentes
começamos a contestar e a rearranjar posições para nosso conforto intelectual –
éramos o nascimento de milhares de seitas e religiões antagônicas cada uma com
sua tese; jovens, chamados a fazer escolhas e a assumir responsabilidades –
éramos buscadores de luzes, investigadores da verdade, nossa e do mundo, com a eclosão
de linhas de pesquisa comprometidas com a verdade, com a lógica; adultos, já
não podemos mais nos deixar levar por conversa fiada – somos gnósticos a
caminho de nos tornar anciãos e plenos.
Aqui
entra a linguagem de presídio. Ali na altura da juventude quando as coisas
fervilharam, poderosas forças políticas, econômicas e religiosas, as mesmas do “pão
e circo para o povo”, esconderam do povo a verdade e passaram a pregar através
de cânones e dogmas.
É
isso que temos hoje. Quatrocentas religiões garantindo que está tudo dominado
e, de fato, está.
Hoje
você lê constrangido que o diretor da Ordem de Malta, uma poderosa organização
que acha que manda no Papa, foi demitido porque defendeu a hipótese de
distribuir camisinhas de vênus para um grupo de risco para o vírus HIV. A Igreja
também é contra, mas o Papa aceita a ideia. Quando a ideia sai do plano das
ideias, o “tá tudo dominado” é o grito que vem lá do fundo das catacumbas, com
rosnar de cães treinados para o ataque, exalando cheiro de mofo e de enxofre.
O
caso das camisinhas é uma pontinha do iceberg. Tem toneladas de gelo abaixo da
superfície.
Como
o pão e o circo ficaram um pouco em desuso, o Coliseu faliu, as mesmas
poderosas forças que mataram Jesus e depois o trouxeram para deus de seus
cultos, criaram mecanismos continuados desde o século IV quando Constantino
quis salvar o seu império através de uma religião católica (universal) e
apostólica, isto é, com rigidez apostolar para que ela pudesse aplacar os
ânimos libertários do povão.
O
episódio de Paris, de 1789, foi nada, apesar de ser todo o começo da libertação
com igualdade e fraternidade. Mas, estamos muito longe dos três sonhos
parisienses.
Conhecer
isso é uma obrigação daqueles que rompem com esse passado terrível, assassino,
dominador, mentiroso, traiçoeiro. E só a gnose, por não ter compromisso com
nenhuma corporação, é capaz de tocar nas feridas.
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