quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A bem da verdade


O que é a verdade?

A gnose tem esta particularidade, digamos vantagem sobre qualquer outra linha doutrinária, filosófica ou religiosa: ela não tem fronteiras que a impeçam de avançar no raciocínio de qualquer tese porque não se encontra amarrada a cânones, dogmas, pragmatismos ou fundamentos doutrinários. Ela perpassa o judaísmo, o hinduísmo, o budismo, o cristianismo, o islamismo, o protestantismo, o espiritismo, a teosofia, as doutrinas pentecostais entre muitas outras que circulam nos meios intelectuais, religiosos e sociais da humanidade.

Pensamento livre, consciência livre, ou liberta, poderiam ser definições para esta prática de estudar a vida, a natureza, o homem, Deus.

Se você, leitor, leitora, olhar para a caminhada humana sobre a história e puder comparar isso com o próprio crescimento nosso como seres humanos, vai dar nisso: lá atrás, como crianças, nosso mundo era a mãe, de onde nos chegava a comida, a higiene, o calor, o carinho – éramos o indígena que percebia Deus/Deusa em tudo; na segunda infância, estávamos abertos aos contos, aos mitos, às lendas, às estórias e histórias – éramos doutrinados e nem mesmo caíamos no sono sem que nos contassem uma fascinante estória envolvendo algum mito; como adolescentes começamos a contestar e a rearranjar posições para nosso conforto intelectual – éramos o nascimento de milhares de seitas e religiões antagônicas cada uma com sua tese; jovens, chamados a fazer escolhas e a assumir responsabilidades – éramos buscadores de luzes, investigadores da verdade, nossa e do mundo, com a eclosão de linhas de pesquisa comprometidas com a verdade, com a lógica; adultos, já não podemos mais nos deixar levar por conversa fiada – somos gnósticos a caminho de nos tornar anciãos e plenos.

É isso. Acabou a estória da carochinha, a criança cresceu, os tempos são outros, queremos sentir o sabor da descoberta íntima e isso dispensa intermediários togados ou não, outorgados ou não, pregadores para o deserto. Estamos na urbe, a luz brilha, os caminhos podem ser feitos.  
Viva o adulto quase ancião.

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