O que é a verdade?
A
gnose tem esta particularidade, digamos vantagem sobre qualquer outra linha
doutrinária, filosófica ou religiosa: ela não tem fronteiras que a impeçam de
avançar no raciocínio de qualquer tese porque não se encontra amarrada a
cânones, dogmas, pragmatismos ou fundamentos doutrinários. Ela perpassa o
judaísmo, o hinduísmo, o budismo, o cristianismo, o islamismo, o
protestantismo, o espiritismo, a teosofia, as doutrinas pentecostais entre muitas
outras que circulam nos meios intelectuais, religiosos e sociais da humanidade.
Pensamento
livre, consciência livre, ou liberta, poderiam ser definições para esta prática
de estudar a vida, a natureza, o homem, Deus.
Se
você, leitor, leitora, olhar para a caminhada humana sobre a história e puder
comparar isso com o próprio crescimento nosso como seres humanos, vai dar nisso:
lá atrás, como crianças, nosso mundo era a mãe, de onde nos chegava a comida, a
higiene, o calor, o carinho – éramos o indígena que percebia Deus/Deusa em tudo;
na segunda infância, estávamos abertos aos contos, aos mitos, às lendas, às
estórias e histórias – éramos doutrinados e nem mesmo caíamos no sono sem que
nos contassem uma fascinante estória envolvendo algum mito; como adolescentes
começamos a contestar e a rearranjar posições para nosso conforto intelectual –
éramos o nascimento de milhares de seitas e religiões antagônicas cada uma com
sua tese; jovens, chamados a fazer escolhas e a assumir responsabilidades –
éramos buscadores de luzes, investigadores da verdade, nossa e do mundo, com a
eclosão de linhas de pesquisa comprometidas com a verdade, com a lógica; adultos,
já não podemos mais nos deixar levar por conversa fiada – somos gnósticos a
caminho de nos tornar anciãos e plenos.
É
isso. Acabou a estória da carochinha, a criança cresceu, os tempos são outros,
queremos sentir o sabor da descoberta íntima e isso dispensa intermediários
togados ou não, outorgados ou não, pregadores para o deserto. Estamos na urbe,
a luz brilha, os caminhos podem ser feitos.
Viva o adulto quase ancião.
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